Jane, A Virgem: o dramalhão mais divertido da atualidade

Sabe aquela série que você assiste o primeiro episódio e acha meio “bleh”? Então, eu assisti  Jane, The Virgin e não me apaixonei, no entanto, por uma sorte muito grande, recentemente eu insisti nessa série e finalmente DEU MATCH!

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Cartaz da série.

SINOPSE: Jane é uma jovem religiosa que trabalha como garçonete em um hotel em Miami e tem sua vida virada de cabeça para baixo quando sua médica acidentalmente faz uma inseminação artificial nela. Agora, Jane precisa tomar a maior decisão de sua vida.

O piloto da série não me convence tanto porque fazer inseminação artificial na paciente errada é um erro médico gravíssimo e uma clínica série nunca faria isso. Porém, depois de conhecer melhor a médica que comete o erro e entender que esse acidente foi só o impulso da série, eu ignorei esse detalhe e fui me encantar com tamanha criatividade e diversidade numa série americana.

Antes de qualquer coisa, é preciso deixar claro que essa série é uma adaptação da telenovela venezuelana Juana, la virgen (2002). Eu não acompanhei a novela, mas a série é bastante fiel aos clichês de novelas, o que dá um charme ao programa.

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“Mas eu nunca fiz sexo!”

1) Representatividade Latina

Pra quem está acompanhando o que tem acontecido em Hollywood sabe que muitas celebridades estão falando abertamente sobre os abusos, machismo e a falta de punição aos opressores. Além disso, existem outras reivindicações, como uma maior diversidade na frente e por trás das câmeras.

Ou seja, ninguém aguenta mais ver macho hetero branco sendo protagonista porque o mundo vai além de macho branco. Sendo assim, uma maior diversidade seria dar protagonismo as mulheres, aos negros, personagens LGBTQ e de outras nacionalidades, por exemplo.

Com isso, acredito que a série Jane, A Virgem teve êxito nesse quesito, pois a protagonista é uma jovem mulher, interpretada pela atriz Gina Rodriguez, que vive com sua mãe e sua avó, é descendente de venezuelanos e todas falam espanhol. Aliás, a avó só fala a língua espanhola e nada de inglês.

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Aleluia mesmo!

2) Além dos esteriótipos

Para quem está acostumado com novelas sabe que esse tipo de narrativa usa e abusa de esteriótipos e isso é cansativo. Apesar de Jane, The Virgin ser carregado de esteriótipos, a trama usa isso como artifício de humor e, em alguns casos, para nos fazer refletir.

Por exemplo, a Alba (Ivonne Coll), avó de Jane, entrou ilegalmente nos EUA e ela teme que o governo descubra e a deporte. No entanto, o público se encanta com a “abuela” e a gente começa a entender o lado humano e toda vez que ela corre o risco de ser deportada, a gente sofre junto com ela e torce para que isso não aconteça.

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Sim, sim, é amor por você Alba.

Além disso, Alba é uma mulher absurdamente religiosa e foi justamente ela quem convenceu Jane a se casar virgem. Porém, ao mesmo tempo em que é bastante conservadora, ela quebra tabus quando se trata de amor e família, pois sua filha e mãe de Jane, Xiomara (Andrea Navedo), engravidou aos dezesseis anos de idade e criou a filha sozinha com a ajuda da mãe.  Eu não resisto quando tem um núcleo de família em que mãe, filha e neta são super próximas e o porto seguro uma da outra.

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Suas lindas!

3) Mulheres independentes

Falando na Xiomara, a história dela é muito interessante também. Ela engravidou muito nova, contou ao rapaz e ele pediu que ela fizesse um aborto, só que ela seguiu o caminho oposto e criou sua filha sem ajuda nenhuma do pai.

Ademais, ela é aquele mulherão que conquista os homens e ela aproveita isso bastante. Ao longo dos anos, Xiomara se relacionou com vários homens e teve poucos relacionamentos sérios, por escolha própria. Numa sociedade tão conservadora quanto a nossa, essa personagem seria bem crucificada, mas o que a gente vê é uma mãe religiosa que apesar de criticar a filha, nunca a abandonou.

E claro, não posso me esquecer que o sonho de Xiomara é ser uma cantora famosa, mas como ela teve filha muito cedo acabou deixando este sonho de lado. No entanto, agora que sua filha já está crescida, ela continua atrás do seu sonho e a gente sofre com as rejeições que ela tem por ser uma mulher mais velha e torce para que ela tenha seu momento de brilhar.

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Você mesma, Xiomara!

Continuando a listinha, a própria protagonista é um ótimo exemplo de mulher independente. Ela acabou de se formar, não aceita os vacilos dos homens ao seu redor, mesmo quando está mega apaixonada, investe no seu sonho de ser escritora, optou por continuar virgem até o casamento – eu acho isso ótimo porque assim como a mulher tem o direito de transar quando achar que deva, ela também pode fazer essa escolha de se resguardar, cabe a cada mulher (homem também) decidir a hora certa de perder a virgindade – e segue adiante enfrentando tudo o que vem pela frente.

Ainda, aproveito para fazer propaganda da atriz que interpreta Jane, a Gina Rodriguez. Ela luta bastante pela boa representatividade da cultura latina no audiovisual norte-americano, que insistiu por anos em usar esteriótipos ofensivos e repetitivos e agora está dando voz a várias culturas que merecem esse espaço.

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“Esse prêmio vai além de mim. Ele representa uma cultura que quer se ver como heróis.”

Para não falar de todas as personagens mulheres que existem na série, vou terminar a listinha com a Petra Solano (Yael Grobglas).

A Petra é a vilã e rival de Jane, sim ela é um estereótipo que eu particularmente detesto, pois faz de tudo para manter seu homem e ter dinheiro. Entretanto, há algo que eu gosto bastante nessa personagem que é o passado dela e os relacionamentos abusivos que ela vive e como é IMPORTANTE debater isso.

Não irei adentrar na história dela porque seria um baita spoiler, mas direi o seguinte: ela se envolve com homens muito agressivos e vive relacionamentos absurdamente abusivos e, mesmo sendo a vilã da história, a gente sente a dor dela na pele quando ela passa por algum tipo de agressão física ou verbal. A verdade é que homem NENHUM tem o direito de encostar o dedo em alguma mulher de forma violenta ou sem a autorização dela e, independente de ser amiga ou não da mulher em questão, sempre a defenderei de homens machistas que merecem estar na cadeia.

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Feminismo sempre!

4) Representatividade LGBTQ

Apesar de não ter muitos personagens LGBTQ, ao menos não na primeira temporada, o casal Rose (Bridget Regan) e Luisa (Yara Martinez) foge de muitos esteriótipos que estamos acostumados a ver sobre lésbicas.

A história delas é tão louca quanto a do casal protagonista, mas não existe homofobia ou queerbaiting*. Rose é casado com o pai de Luisa, porém elas se envolveram antes de saber desse detalhe e acabaram se apaixonando de verdade.

É difícil falar desse casal sem dar spoiler, no entanto, o que eu acho legal é ver duas mulheres lindas que realmente se apaixonaram uma pela outra e tentam viver essa paixão de alguma forma. Como nenhum casal é normal nessa série, acho mega válida a história delas e AMO todas as cenas em que elas aparecem juntas!

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Rose e Luisa.

5) Os homens da série

É complicado falar de macho sem se decepcionar, ainda mais com tudo o que tem acontecido em Hollywood, todavia, eu gostaria de dar destaque a alguns personagens masculinos.

Vamos começar pelo Michael Cordero Jr. (Brett Dier).

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Michael e Jane.

Ele é um policial, todo certinho, completamente apaixonado pela namorada, que é a Jane e, o que eu acho mais incrível, é que eventualmente ele aceita o fato de que Jane decidi continuar com a gravidez – mesmo tendo sido um erro médico e não sendo filho dele – e ele não age de forma agressiva com ela, como muitos homens agiriam no lugar dele.

Sim, esse personagem comete erros e faz umas machices que cansam, mas ele nunca usa a força física para se impor ou tentar diminuir Jane ou as mulheres a sua volta e, por isso, eu tenho que parabenizá-lo. No mundo em que vivemos, o que eu mais vejo são personagens masculinos, policiais ou não, absurdamente agressivos e grosseiros e ver um que foge desse padrão me deixa contente.

Como ainda estou na primeira temporada, não sei se há alguma mudança brusca no comportamento dele, mas até agora eu gosto bastante da forma como ele age e acho fofo o quanto ele é apaixonado pela Jane.

Agora, vamos ao Rafael Solano.

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Rafael Solano

O maior playboy, filhinho de papai, mas que durante sua jornada na trama tem uma evolução de caráter muito grande. Digamos que ele era o típico Joey e Barney (só que bonito) e isso desanima bastante, porém ele tem câncer e descobre que somente poderá ter filhos com a amostra de esperma que foi acidentalmente inseminado na Jane, ao invés de sua namorada.

A temporada vai seguindo e ele passa a enxergar Jane de um jeito diferente, se apaixonando e se transformando num cara determinado a esperar pelo casamento para finalmente transar com ela, ser pai e constituir uma família.

Acontece muita coisa doida na vida dele, então é possível entender alguns surtos que ele tem, mas eu gosto do jeito que ele vai amadurecendo e melhorando na narrativa.

Por último, o personagem masculino que mais me diverte, Rogelio de La Vega (Jaime Camil).

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Sou eu mesmo.

Rogelio é um ator famoso de telenovelas que só fez sucesso depois dos trinta e nove anos, absurdamente dramático e pai biológico de Jane. Na época, ele não ficou sabendo que Xiomara continuou com a gravidez e só soube da existência de sua filha quando ela já tinha vinte e três anos de idade. Assim, ele decide recuperar o tempo perdido e dá uma de “paizão”.

Apesar do desastre que ele é, fazendo tudo de uma forma épica e exagerada, eu acho muito fofo o jeito que ele se encanta pela filha e como se esforça pra recuperar o tempo perdido. Além disso, ele acaba se apaixonando de novo pela Xiomara e eu AMO o casal Xiomara e Rogelio. É o núcleo mais divertido da série e pra quem gosta de “draminha”, vulgo mimimi, vai se divertir horrores com eles dois.

E claro, por fim, quem interpreta a mãe do Rogelio é a atriz Rita Moreno, a “abuela” de One Day at a Time, deusa, maravilhosa, mais amada do Netflix, que eu falo no meu post anterior.

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Rogelio e Xiomara.

Sendo assim, assistam a série e não julguem sem pelo menos assistir a primeira temporada, pois Jane, The Virgin é uma série de comédia incrível!

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Elenco principal da série.

*queerbaiting – uma estratégia midiática utilizada na indústria do entretenimento para atrair o público que foge do padrão da cis-heteronormatividade. Ele se concretiza quando há alguma espécie de tensão sexual ou romântica entre personagens do mesmo gênero, tendo o intuito de tornar a produção representativa, mas sem desagradar a parcela conservadora da audiência.

Joey & Barney: o mulherengo que NÃO precisamos em nossas vidas

Como toda fã de Friends, recentemente voltei a assistir o seriado, pois é e sempre será uma das melhores séries de comédia que já existiu. Ao mesmo tempo, também decidi rever How I Met Your Mother porque é outra sitcom maravilhosa e tem minha amada Robyn Scherbatsky (Cobie Smulders).

No entanto, agora, já com 25 anos de idade e bastante engajada no feminismo, não consigo deixar de notar e me incomodar com dois personagens dessas comédias: Joey (Matt LeBlanc) e Barney (Neil Patrick Harris).

Para quem entende das séries, provavelmente já sabe o porquê deu ter escolhido justamente esses dois personagens, mais conhecidos como os mulherengos e pegadores do grupo. Assim, farei uma breve análise e introdução dos dois e, depois, explicarei o porquê esses personagens precisam de uma bela repaginada.

1) Joey Tribbiani – FRIENDS

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“Ichiban, batom para homem.”

O Joey é um aspirante a ator, não muito inteligente, descendente de italiano, tem sete irmãs e leva muito jeito com as mulheres. Com o passar das temporadas, ele finalmente consegue um papel importante na sua carreira, como o famoso Dr. Drake Ramoray, no entanto, ao contrário dos outros, não muda muito o seu jeito de ser.

Sim, ele é hilário. Sim, tem cenas que matam a gente de tanto rir. Sim, é fofo quando ele se apaixona pela Rachel (Jennifer Aniston) e, sendo bem sincera, torci mais por esse casal do que por Rachel e Ross (David Schwimmer). Sim, sim, sim. Sabemos de tudo! Agora, vamos aos fatos:

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“Como você vai?”

Com a famosa frase “Como você vai?”, nosso querido galanteador conquista milhares de mulheres, mesmo não sendo esse colírio todo (ao menos não pra mim). E qual o problema disso?

O problema é que de todas as mulheres, apenas 2 ou 3 tem nome e mexem com os sentimentos do personagem. O resto não tem nome, sobrenome, não falam e ainda viram deboche das inúmeras piadas machistas do programa.

Além disso, lembro de um episódio que o Joey vai num apartamento que ele já tinha ido antes e fica revoltado porque acha que a mulher não lembra de ter dormido com ele. Ou seja, esquecer o nome delas, mentir, não ligar no dia seguinte, tudo bem, MAS, esquecer o famoso Joey, NÃO PODE, pois ai você mexe com o ego do bonitão. Outro episódio que me recordo, é quando a Rachel passa a morar com o Joey e eles combinam que ela iria ajudá-lo a despachar as mulheres que dormiam com ele.

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“Não estou arrependido!” Sabemos que você não está arrependido.

Novamente, eu gosto da série e do personagem, porém, devemos problematizar essas atitudes machistas e misóginas. Depois que eu falar sobre o Barney, vou refletir melhor sobre o assunto. Sigam-me os bons!

2) Barney Stinson – HOW I MET YOUR MOTHER

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O Barney tem uma ótima vida financeira, detesta relacionamento sério, foi criado, junto de seu irmão, somente por sua mãe e é o cara mais pedante e carente possível, que passa a maioria dos episódios tentando levar alguma mulher desconhecida pra sua casa e, adivinha… ele consegue!

Apesar de adorar a série, eu realmente não gosto do Barney. Acho ele chato e desnecessário, mas entendo o motivo do personagem existir e é ótimo pra discussão.

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“Desafio aceito!” Também aceitei o desafio, querido.

O personagem pega milhares de mulheres, todas sem nome, se envolve amorosamente 2 ou 3 vezes, o relacionamento mais importante é com a Robyn e, inclusive, tem um livro de cantadas, ao qual ele se vangloria e acha que deve ensinar outros homens a serem iguais a eles.

Agora que fiz uma pequena introdução dos personagens, vamos problematizar direito.

Qual o problema deles serem mulherengos e não gostarem de relacionamento sério?

O problema é simples: nossa sociedade machista. Mas como assim? O que isso tem a ver com machismo?

Tudo, eu lhes digo. Pois enquanto você, homem, é ensinado que deve sair e se relacionar com o máximo de mulheres possíveis, até encontrar a tal pra casar, caso encontre, nós, mulheres, somos ensinadas a buscar um príncipe encantado (ao qual nunca existirá) e claro, se dar ao respeito e ter poucos parceiros na vida.

Ou seja, é muito fácil pra um Joey ou um Barney paquerar uma mulher, levar ela pra cama e no dia seguinte esquecer o nome dela, pois ele já está pensando na outra que ele vai conquistar. Mas, não é fácil pra uma mulher, dentro da sociedade MACHISTA, se libertar dos ensinamentos dados a ela e ir pra cama com um cara, sem envolver sentimentos. Pior ainda é que, quando envolvemos sentimentos e ficamos interessada no outro, somos grudentas e carentes. Quando dormimos e não nos importamos com o nome dele, somos, no mínimo, vadias ou mulheres que não são pra casar.

Eu sei que muitas mulheres incríveis estão quebrando isso na vida delas e ajudando outras amigas a quebrarem também, no entanto, a verdade é que a maioria das mulheres ainda vive dentro dessa bolha e é muito difícil rompê-la, é mais difícil ainda quando vemos séries, filmes ou novelas, com os tais galãs, que perpetuam esses ensinamentos de tratar mulher como objetos sexuais e depósito de esperma.

Claro que rimos e nos divertimos com Joey e Barney, mas, se trouxermos essas histórias pra vida real, com certeza eu ou você, conhecemos alguma mulher que foi tratada desse jeito e levou bastante tempo pra superar isso, até porque, a sociedade ensina as mulheres a sempre verem defeito nela mesma, enquanto o homem vê defeito no outro.

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“Morto para mim!” Isso aí, Lily… temos que ACABAR com essa cultura machista!

Digo isso, pois, nos últimos dias, tive uma conversa com alguns amigos e eles admitiram que já xingaram muitas mulheres que o rejeitaram, enquanto eu, quando fui rejeitada, critiquei a mim mesma, pois sempre achei que o defeito estava em mim. Isso ainda é um processo, mas hoje em dia já quebrei mil tabus que não voltam mais, só que ainda sei que muitas meninas vão passar pelo o que passei e serão poucas as pessoas que vão conversar com elas e explicar que NÃO, o problema não está nelas. E pior ainda é quem justifica, dizendo que é instinto de homem. Não é instinto, mas, SIM, cultura.

Homens não pegam mulheres só por instinto, pois nós também temos instintos e todos sabemos o quanto sexo é bom. No entanto, eles são ensinados e provocados a todo o instante a irem atrás de mulheres diferentes e gozarem o máximo que puderem, sem se preocupar com o nome delas, em ligar no dia seguinte, muito menos em ter um relacionamento sério, pois, “macho que é macho”, faz isso tudo e um pouco mais.

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“Foda-se essa porra sexista.”

Sexo por sexo seria ótimo se todos tivéssemos a mesma criação, porém, enquanto nossa cultura ensinar que mulheres devem ser “belas e recatadas e que saibam o promoção do dia dos mercados” e homens “devem se sentir o máximo e acharem que seus órgãos genitais são mágicos”, Joeys e Barneys vão sempre ser homens idiotas e covardes, mas, que a sociedade sempre criticará as mulheres fáceis que quiseram deitar com eles, ao invés de criticá-los, por terem tratado elas como a presa do dia.

Me questiono ainda mais, como Joey, que tem sete irmãs, é capaz de fazer isso, sem se sentir mal. Aparentemente, se não for família, ai pode tratar mulher como objeto, né? Muito menos entendo justificarem as atitudes do Barney, dizendo que ele foi abandonado pelo pai, sem mencionar que ele tem uma mãe fantástica, que deu tudo do bom e do melhor pra ele. Claro que tem outras justificativas, como ele ter gostado de uma garota que destruiu seu coração, mas, coração partido todo mundo tem e nem por isso é razão pra tratarmos os outros de uma forma desprezível e descartável.

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Assim, fica a reflexão, do por quê não é legal ser um Joey ou Barney, ainda mais na era Tinder, em que o sexo ficou muito mais acessível. Precisamos falar de amor e sexo, mas deixando claro e evidente que amor e sexo só será algo lindo e maravilhoso de se viver, quando mulheres e homens tiverem direitos iguais, inclusive e, especialmente, na vida amorosa, evitando, assim, que mulheres sofram ou se punam por motivos e pessoas desnecessárias e que entrem em relacionamentos abusivos e destrutivos.

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Adiós, muchachos!

Para as pessoas que querem mudar isso, independente se você sai com homem ou mulher, se é hetero, bi ou gay, não importa, apenas sejam sinceros e tratem o outro como uma pessoa com sentimentos. Caso você queira só sexo, dê a chance do outro escolher, se ela/ele quer e aceita só isso, também. Talvez algo não te afete tanto, mas pro outro pode ser uma grande facada. Sendo sincero (a), você já permite que o outro escolha o melhor caminho nessa situação.

Vai ter FEMINISMO, SIM! Juntas enfrentamos o machismo de todo o dia.

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Juntinhas!!!

 

Amor & Sexo & FEMINISMO

Você conhece o programa Amor & Sexo, exibido no canal Rede Globo e apresentado pela Fernanda Lima?

Para quem não conhece o show, ele foi lançado em 2009 e aborda sexualidade de uma maneira direta, porém sutil. Tanto a apresentadora, quanto os convidados famosos e a plateia falam sobre a liberdade individual, diversidade e respeito nos relacionamentos, estimulando o diálogo entre amigos e famílias.

Cada temporada possui dez episódios e, cada episódio, possui um tema específico. Nesta quinta-feira, 26, o programa estreou sua décima temporada e o assunto da vez foi o FEMINISMO.

“A gente acredita na igualdade de direitos entre homens e mulheres. Para quem não sabe, isso é feminismo” diz a apresentadora.

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A apresentadora e redatora final, Fernanda Lima.

Particularmente, sempre achei as pautas do Amor & Sexo maravilhosas e, elas me ajudaram muito, para entender melhor sobre sexo e relacionamento, visto que o primeiro ainda é um grande tabu na nossa sociedade e ambos vêm carregados de regras machistas.

Com isso em mente, o episódio de ontem fez HISTÓRIA e nós precisamos falar sobre isso. Quando um canal aberto como a Globo, que normalmente investe em conteúdos com padrões conservadores e misóginos, exibe um espetáculo de empoderamento feminino, todos nós, seres humanos, ganhamos e MUITO.

O programa começou com uma apresentação musical, como de costume, com a música “Piranha*” e, seguiu, com Fernanda Lima, as bailarinas e as convidadas, “queimando” sutiãs e questionando o machismo que cada uma vivencia no dia a dia.

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Ao tirar o sutiã e queimá-lo, cada mulher falava uma frase empoderada, como: “Se eu quiser, eu dou na primeira vez.”

Nesse momento, algumas convidadas usaram palavras como piranha, vadia, vagabunda, que, sempre vêm carregadas de ódio e repressão e as deram novos significados, como:

Piranha: “É o direito de fazer o que quiser com o nosso corpo”, dito pela pesquisadora na área de Filosofia Política e feminista Djamila Ribeiro.

Além disso, a apresentadora abriu espaço para outras vozes feministas, além dela, como mulher cis, branca e hétero, para falarem das suas necessidades. Como já foi dito no site do Projeto Nellie Bly, no texto “A luta feminista: dos anos sessenta aos dias atuais”, é muito importante entendermos que dentro do feminismo existem várias questões, mas, se as mulheres não se unirem e deixarem de abraçar as questões das outras, todas nós perdemos.

Sendo assim, o programa convidou as cantores Gaby Amarantos e Karol Conka, que falaram do feminismo das mulheres negras e, também, abriu espaço, mesmo que pouco, para mulheres da comunidade LGBTQ. Infelizmente, estas últimas não tiveram muita chance de falar, no entanto, a cantora da banda do programa é a drag queen Pabllo Vittar e isso já é incrível e merece ser aplaudido, além de que, a primeira bailarina a queimar o sutiã, falou: “Pelo prazer de ser uma mulher homossexual”.

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A apresentadora e redatora final, Fê Lima, ainda deu espaço para Thais Ataíde falar da Marcha das Vadias*, que começou no Canadá em 2011, quando um policial foi dar dicas de seguranças e errou feio, dizendo que mulheres deveriam evitar se vestir como vadias para não serem estupradas. A partir disso, mulheres do Canadá e, agora, de todo o mundo, participam dessa Marcha, vestidas de “vadias”, para mostrar que independente da roupa que usamos, homem NENHUM tem o direito de encostar no nosso corpo, sem a nossa permissão.

E o que falar da habitante da Galáxia Clitoriana, que, inclusive, fez questão de mudar seu gênero e se autonomeou A Clitória?

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Grace Gianoukas como Clitônia.

A atriz e humorista, Grace Gianoukas, fez uma participação vestida de Clitóris (órgão do prazer feminino) para falar do orgasmo feminino e quebrar mais este tabu, visto que a maioria das mulheres nunca teve um orgasmo na vida. Com a fala “Yes, nós temos ereção!”, a personagem deixou claro que PRECISAMOS FALAR DE ORGASMO E CLITÓRIS, SIM, até porque, senhoras e senhores, somente nós, mulheres, conseguimos ter orgasmos múltiplos e isso é maravilhoso!

Ademais, em uma das cenas mais lindas, Elza Soares foi homenageada no programa de estreia e LACROU*, entrando no palco sentada num trono em forma de salto alto, aonde cantou e, depois, falou da sua história de vida e como batalhou para conquistar seu espaço. Hoje, Rainha Elza, é uma das maiores artistas do Brasil, não sendo à toa que a cantora e compositora venceu o Grammy Latino 2016 pelo disco “A Mulher do Fim do Mundo“.

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Elza Soares em Amor & Sexo.

Por fim, depois de muitos assuntos maravilhosos, debatidos de forma descontraída e divertida, Fernanda Lima fala sobre o Ligue 180 – número para denúncia da violência contra a mulher – e fecha o show, mostrando que mesmo com todas as conquistas para a igualdade de gênero, as estatísticas no Brasil confirmam que ainda são necessárias MUITAS MUDANÇAS, pois “A cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil”.

Trecho em que a apresentadora fala sobre as estatísticas.

BÔNUS DO DIA

Para quem tem interesse em assistir o episódio comentado, segue o link no YouTube, com o programa completo.

Link com o episódio de estreia da décima temporada de Amor & Sexo.

*Piranha: música interpretada por Alípio Martins.

*Marcha das Vadias: é um movimento que surgiu a partir de um protesto realizado no dia 3 de abril de 2011 em Toronto (Canadá) e, desde então, se internacionalizou, sendo realizado em diversas partes do mundo. A Marcha protesta contra a crença de que as mulheres que são vítimas de estupro teriam provocado a violência por seu comportamento. As mulheres durante a marcha usam não só roupas cotidianas, mas também roupas consideradas provocantes, como blusas transparentes, lingerie, saias, salto alto ou apenas o sutiã.

*Lacrou: é uma gíria que corresponde a um elogio para quem foi muito bem em alguma coisa, que deixou os outros sem fala ou sem reação.

BIBLIOGRAFIA:

GSHOW.’Amor & Sexo’ fala sobre feminismo em programa de estreia. Confira!. 2017. Disponível em: <http://gshow.globo.com/tv/noticia/amor-sexo-fala-sobre-feminismo-em-programa-de-estreia-confira.ghtml&gt;. Acesso em: 27 de jan. 2017.

GSHOW. ‘Elza Soares é homenageada na estreia de ‘Amor & Sexo’: ‘Ia até o inferno por amor, hoje não vou mais’. 2017. Disponível em: <http://gshow.globo.com/tv/noticia/elza-soares-e-homenageada-na-estreia-de-amor-sexo-ia-ate-o-inferno-por-amor-hoje-nao-vou-mais.ghtml&gt;. Acesso em: 27 de jan. 2017.

SPM. Central de Atendimento à Mulher. 2017. Disponível em: <http://www.spm.gov.br/ligue-180&gt;. Acesso em: 27 de jan. 2017.

WIKIPEDIA. Marcha das Vadias. 2017.Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Marcha_das_Vadias&gt;. Acesso em: 27 de jan. 2017.