American Horror Story: Cult e o futuro que mais tememos

American Horror Story é uma série de terror norte-americana, criada por Ryan Murphy (também criador de Glee), que a cada temporada exibe universos diferentes com os mesmos atores.

Ela está na oitava temporada, mas esse post será dedicado inteiramente a sétima temporada, American Horror Story: Cult.  (p.s. o post contém alguns spoilers, mas nada que afete a trama principal)

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Cartaz da sétima temporada.

A narrativa dessa temporada começa literalmente um dia após Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, ganhar as eleições de 2016. Antes que pense que é baseado em fatos reais, não é, mas poderia ser e esse foi o motivo de eu fazer essa análise.

Nós seguimos a história de um casal lésbico, Ally Mayfair-Richards (Sarah Paulson) e Ivy Mayfair-Richards (Alison Pill), após a ascensão de Trump e o declínio mental de todos os personagens em volta das duas.

Assim que o candidato, que odeia a comunidade LGBTQ, ganha, a vida de Ally e Ivy muda pra pior. Além de o casal não poder mais mostrar afeto na rua, pois são ameaçadas por homofóbicos, a saúde mental de Ally piora devido ao medo de ser quem é e, assim, todas as fobias que ela já teve na vida voltam a atormentá-la.

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Ally em choque quando Trump ganha as eleições.

Ao mesmo tempo em que acompanhamos o casal, vemos a trajetória de Kai Anderson (Evan Peters), um jovem eleitor de Trump, que se sente humilhado, pois ninguém dá atenção para as coisas que ele diz, o que o motiva a se candidatar a vereador de sua cidade.

Para Kai, é necessário que os políticos assustem as pessoas da violência da cidade e, assim, darem ao estado o direito de fazer o que for necessário para proteger os moradores de lá.

Visto que Kai mal recebe apoio dos cidadãos, ele decide agir com as próprias mãos e começa a recrutar seguidores para concretizar seu plano de salvar a nação do mal.

E como ele faz isso?

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Kai Anderson (Evan Peters)

Kai vai atrás de pessoas que estão passando por alguma crise, seja financeira ou existencial, pessoas que se sentem abandonadas pela sociedade e usa a insegurança dessas pessoas a seu favor. Mas, como?

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O casal Harrison e Meadow Wilton

Um dos primeiros a serem recrutados por Kai é o casal Harrison (Billy Eichner) e Meadow Wilton (Leslie Grossman). Harrison e Meadow são amigos há anos e tinham um pacto: caso nenhum dos dois se casasse até os 35 anos, eles iriam se casar.

No entanto, Harrison é gay e não consegue ter relação com Meadow. Já ela, é apaixonada pelo amigo e mesmo sabendo da sexualidade dele, topou se casar. Ainda, os dois enfrentam uma difícil crise financeira, em que a única saída é hipotecar a casa e pagar suas dívidas.

Eis que chega o salvador! Kai Anderson investiga a vida de Harrison e se aproxima dele, dizendo que tem a solução dos seus problemas e que ele só tem que acreditar em Kai.

Kai consegue um novo apartamento para o casal e em troca eles o obedecem sem questionar qualquer ato de Kai.

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Beverly Hope (Adina Porter)

A próxima a ser recrutada é Beverly Hope, uma repórter negra, que trabalha duro para conseguir destaque, mas perde todas as oportunidades para uma repórter branca e mais nova, que está se relacionando com o patrão.

Para convencê-la a se juntar ao grupo, Kai mata a outra repórter e diz que a partir de agora Beverly tem que confiar nele, pois ele quer o melhor para ela.

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A outra repórter (Emma Roberts) sendo assassinada.

A partir do início desse culto, Kai se aproveita do medo de seus seguidores e os manipula a enfrentar todo o mal que os cerca.

E o que é esse mal?

Esse mal é toda e qualquer pessoa que pensa diferente dele. Até mesmos seus fiéis discípulos, quando ousam questionar alguma de suas ideias, sofrem com a repressão.

Agora eu te pergunto: por que os roteiristas da série fizeram uma história assim justamente após a eleição de Donald Trump?

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“Nós vamos construir uma grande muralha!”

Donald Trump conquistou seus fiéis instigando o medo e o ódio. Ou seja, grande parte de sua campanha foi baseada em acusações aos mexicanos, gays, negros e mulheres de serem o problema da sociedade americana e que se ele fosse eleito, iria corrigir tudo isso.

Sem adentrar muito na política, o que a ficção de American Horror Story tem de semelhante com a vida real?

Quando as pessoas estão perdidas e desacreditadas do futuro, é fácil para um salvador chegar e dizer que vai solucionar tudo rapidamente. Isso é exatamente o que todos queremos ouvir! Quem me dera alguém resolvendo todos os meus problemas num piscar de olhos e foi exatamente isso que aconteceu nos EUA e está acontecendo com a sociedade brasileira atual.

O Brasil está economicamente mal e todos estão sofrendo com isso, logo, quando chega um candidato como o Jair Bolsonaro dizendo que vai resolver todos os problemas, é fácil acreditar porque é isso o que queremos, uma solução rápida.

No entanto, o que a série mostra, é que soluções rápidas trazem perdas irreversíveis. O personagem Kai queria tanto salvar a população do mal, que se propôs a matar e assustar pessoas, culpando mexicanos, por exemplo, para dizer que era só acabar com os mexicanos que os americanos estariam salvos da violência.

E a verdade é: Kai era o problema. Ele queria tanto ser adorado e amado por todos, que topou fazer de tudo, inclusive matar, para conquistar a confiança de seus seguidores e mostrar uma falsa civilização em que nada de ruim aconteceria.

Problemas vão acontecer sempre, quer a gente queira ou não, porém, não dá pra aceitar soluções fáceis caso essas soluções prejudiquem outras pessoas porque isso é o início de uma guerra.

Acabar com uma minoria pode até aliviar pro lado de alguns, mas com o passar do tempo, essa minoria vai ter seu medo e ódio instigado e provavelmente vai querer vingança também. É justamente isso que a série alerta!

Sem querer dá um spoiler do final, mas a ideia é que todos os humilhados caso não tenham chances na sociedade atual, um dia vão buscar suas oportunidades com as próprias mãos, assim como o Kai fez e ninguém vai ganhar com isso.

A série mostra que é fácil “lavar as mãos” e deixar um salvador tomar as decisões por todos, mesmo que essa decisão afete a vida de milhões, e caso algo dê muito errado, todos apontam o “salvador” como o culpado e acreditam que não tem culpa de nada, quando na verdade ao dar voz a ele, todos se tornaram cúmplices e culpados também.

Assim, minha dica é: assista a série e reflita sobre nossa sociedade atual e veja o quão próximo dessa realidade estaremos caso a gente não faça nada para evitar isso.

É claro que a ficção leva tudo ao extremo, ainda mais porque a série é de terror, mas traga a ficção para a realidade – a morte de Marielle Franco, a morte de Mestre Moa, a morte de pessoas da comunidade LGBTQ – e tire suas próprias conclusões. Você prefere se omitir e lavar as mãos ou prefere evitar um futuro trágico como esse?

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“Ally: Eu não sou a inimiga!”

BIBLIOGRAFIA:

G1.”O que se sabe sobre as mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes”. 2018. Disponível em:<http://gshow.globo.com/tv/noticia/amor-sexo-fala-sobre-feminismo-em-programa-de-estreia-confira.ghtml&gt;. Acesso em: 21 de out. 2018.

G1. “Investigação policial conclui que morte de Moa do Katendê foi motivada por briga política; inquérito foi enviado ao MP”2018. Disponível em: <https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2018/10/17/investigacao-policial-conclui-que-morte-de-moa-do-katende-foi-motivada-por-briga-politica-inquerito-foi-enviado-ao-mp.ghtml>. Acesso em: 21 de out. 2018.

WIKIPEDIA. “American Horror Story: Cult“. 2018. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/American_Horror_Story:_Cult&gt;.Acesso em: 21 de out. 2018.

 

 

One Day At A Time: a sitcom mais incrível da atualidade

Preciso compartilhar com o mundo minha mais recente descoberta na Netflix, a sitcomOne day at a Time.

Música tema e abertura da série, cantada pela Gloria Estefan.  É uma das poucas séries que eu faço questão de assistir a abertura de todos os episódios porque eu fico dançando também.

A série conta a história de uma família de cubanos que mora nos EUA. A “abuelita”/Lydia, interpretada pela rainha Rita Moreno, foi embora de Cuba muito cedo, devido aos problemas políticos, deixando parte de sua família para trás e começando uma nova nos Estados Unidos.

Apesar da perda, a narrativa nos leva para uma nostalgia muito grande por parte da avó, onde aprendemos e sentimos de perto sua dor, além de nos trazer problemas bastante atuais com a história dos netos e da filha.

One day at a time é um remake* de uma sitcom com o mesmo nome. A série foi exibida entre os anos de 1975 – 1984 no canal CBS no EUA, tendo um total de nove temporadas.

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Cartaz da série original.

A série original contava a história de Ann Romano (Bonnie Franklin), uma mulher recém divorciada que se muda para a cidade de Indianapolis com suas duas filhas.

Apesar de ser uma série antiga, ela também abordava assuntos bastante delicados pra época, como uma mulher divorciada que, ao mesmo tempo em que quer educar as filhas, quer dar a liberdade que ela nunca teve quando mais nova.

O remake da Netflix segue o mesmo caminho, atualizando os papeis dentro da família e alguns temas abordados.

1) Lydia ou “Abuelita” (Rita Moreno)

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Rita Moreno como Lydia.

Quem é a melhor personagem e porque é a “abuelita”?

Sinceramente, nem sei como começar a falar dessa personagem. Eu amo a Lydia de todas as formas! Ela é absurdamente engraçada, mas também nos faz chorar toda vez que ela relembra seu passado, é conservadora, mas aceita toda a diversidade que está presente em sua casa, ela faz drama, drama, drama, ou seja, ela é simplesmente incrível.

Eu tenho esse carinho especial pela “abuelita”, pois a associo com pessoas da minha vida, como minhas tias por parte de pai. Assim como Lydia, minhas tias eram musas inspiradoras quando jovem, os homens babavam por elas – e babam até hoje – e foram mulheres absurdamente corajosas e guerreiras, então não tem como eu não me apaixonar por essa personagem. Tudo nela é encantador e é só ela abrir a boca que eu já estou rindo com suas maluquices.

Para não ficar uma hora falando desse amorzinho de pessoa, vou fechar com uma notícia que enche meu coração de alegria. A atriz que interpreta a Lydia é ninguém mais, ninguém menos, que Rita Moreno. Moreno é uma atriz, cantora e dançarina porto-riquenha, ganhadora do Oscar, Emmy, Grammy e Tony, que tem 86 anos de idade e esbanja juventude, talento e carisma. Quer mais o quê?

Vídeo feito pela Netflix em homenagem a carreira de Rita Moreno.

2) Penelope (Justina Machado)

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Justina Machado como Penelope.

Penelope é filha de Lydia, nascida nos Estados Unidos e ex-veterana de guerra. Quando sua filha mais velha, Lena, nasceu, ela e seu ex-marido decidiram se realistar no exército devido ao ataque terrorista de 11 de setembro em Nova Iorque. Anos depois, ela voltou para o EUA e, atualmente, mora com os filhos e a mãe em Los Angeles, onde trabalha como enfermeira.

Essa personagem tem uma trajetória muito interessante e quanto mais a gente conhece a história dela, mais nos apaixonamos por ela. Penelope está em processo de separação do marido por vários motivos pesados e agora cuida dos filhos com a ajuda da mãe, mas é ela quem banca os custos da casa.

Ou seja, além de ser mãe solteira e ter que lidar com todas as dificuldades que vem com esse papel, Penelope também lida com sua depressão pós-guerra. Ela toma anti-depressivos e faz terapia, mas a gente vê de perto a dificuldade que é enfrentar tudo isso e manter um sorriso estampado no rosto. Eu simplesmente adoro a veracidade dessa personagem e a força dela como mulher independente num mundo tão machista quanto o nosso.

3) Elena (Isabella Gomez)

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Isabella Gomez como Lena.

Porque ela é a segunda melhor personagem e eu a AMO tanto? Talvez seja porque Lena é FEMINISTA, MARAVILHOSA, luta pela diversidade e é contra o privilégio dos homens brancos heteros. Ela é o pacote completo da perfeição e só não é a minha favorita porque a “abuelita” me ganha toda vez que acorda dançando.

A primeira temporada mostra a descoberta da sexualidade de Lena de uma forma extraordinária. A personagem começa a questionar se ela gosta de meninas ou meninos e vai descobrindo aos poucos, de uma forma muito bastante sincera. Eu sou completamente apaixonada por essa personagem e pela narrativa abordar a homossexualidade de uma forma natural e acolhedora. Para mim, a série vale só pela jornada da Lena.

Além disso, Elena é uma personagem muito fiel as meninas e mulheres que estão cansadas de serem diminuídas por causa do seu gênero e por isso abraçam o feminismo. Eu AMO essa personagem e a riqueza que vem junto com ela. Por favor, que venham mais Lenas na televisão, no cinema, na música, no MUNDO.

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“Ei ,mãe, eu acho que gosto de garotas.”

4) Alex ou “Papito” (Marcel Ruiz)

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Marcel Ruiz como Alex ou “Papito”.

Pra quem tem um irmão, seja mais novo ou mais velho, sabe o que é ter um “Papito” na sua vida. Que menino mimado, senhor! A avó não cansa de elogiar o Alex e dizer o quão especial ele é e deixa a Lena de lado. Apesar de ser engraçado, eu vejo muito isso ao meu redor, onde só por você nascer homem, sua família automaticamente te enxerga como alguém especial.

Felizmente, isso tem mudado bastante. Com Lenas vindo por aí, dou alguns anos para os paparicos virem tanto para meninas quanto meninos, cis ou trans, heteros ou gays, não importa. Todo mundo tem um quê de especial e os privilégios vão acabar, eu tenho certeza disso.

No entanto, eu admito que na segunda temporada o Alex tem um salto gigante na narrativa e ele começa a enfrentar a xenofobia* na escola, ou seja, por ele ser descendente de cubanos, ele é ofendido o tempo todo. É muito incrível a forma como a série aborda esse assunto e, pela idade dele, eu fico boba quando ele dá uma banho de ensinamento na mãe e na avó ao aceitar super bem o fato da Lena talvez gostar de meninas assim como ele.

Tomara que os meninos que estão vindo por aí aprendam com esse personagem e deixem de lado essa mania de querer socar tudo e achar que pra ser homem é preciso esconder sua dor. Homens, por favor, se libertem do machismo assim como o “Papito”, ser homem não te impede de chorar, nem de ser sensível e nem de aceitar as diferenças dos outros, pelo contrário, está mais do que na hora dos homens entrarem na luta e acabar de ver com o machismo da sociedade. Juntos somos mais!

5) Schneider e Dr. Berkowitz

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À esquerda, Todd Grinnell (Schneider), e a direita Stephen Tobolowsky (Dr. Berkowitz).

Eu queria dedicar uma seção para cada um desses personagens, mas devido a todas as acusações em Hollywood, temo estar dando espaço para quem não merece. No entanto, como esses dois personagens são muito especiais, não vou deixar de falar deles.

O Schneider é um canadense que mora nos EUA há anos e é dono do prédio em que a família da Penelope mora. Ele é um homem branco hetero mega privilegiado, mas que aos poucos vai entendendo, mesmo que MUITO DEVAGAR, o quão privilegiado ele é e vai mudando a partir do momento em que entende as vantagens que ele tem sobre os outros.

Ele tem um passado com drogas e álcool que a série ainda não abordou muito a fundo, mas que a gente começa a entender sua trajetória quando ele fala da sua família, que não parece ser tão conectada quanto a família dos seus vizinhos cubanos. No entanto, ele tem um jeito muito sensível e acaba conquistando seu lugar na família cubana que ele tanto perturba.

Já o Dr. Berjowitz é uma figura! Sério, que personagem divertido. Ele é apaixonado pela Lydia, mas ela diz que pertence ao Berto, seu falecido marido, e deixa o médico na zona de amigo e ele leva de boa. Às vezes, eu torço por esse casal, mas ao mesmo tempo eu entendo que a “abuelita” não quer e fico feliz pela série abordar essa amizade inusitada e extremamente engraçada.

No geral, gosto muito desses dois personagens, pois são homens heteros fora da caixinha, visto que eles abraçam a diversidade, choram, são amigos e sensíveis, ou seja, o tipo de homem que a gente torce pra ver na vida real. Tomara que seja o começo de personagens masculinos assim na ficção e que a era do “macho fazendo machice” acabe de vez.

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Está esperando o que para começar a maratona?

*sitcom: comédia de situação, onde existem uma ou mais histórias de humor encenadas em ambientes comuns, como família, grupo de amigos ou local de trabalho.

*remake: refilmagem de algum filme ou série antiga.

 

 

Steven Universe e Star vs As forças do mal: os desenhos animados que você TEM que assistir

Bom, faz um tempo que não escrevo aqui no site, pois estou na reta final da minha Pós-Graduação e tive que me ausentar.

No entanto, como eu faço Pós-Graduação em Roteiro para Cinema e Televisão e meu trabalho de conclusão é uma série de comédia teen voltada para o público LGBTQ, eu tenho assistido e investido muito em conteúdos parecidos para usar como referências no meu trabalho.

Sendo assim, eu vim aqui falar de duas animações televisivas que me encantaram e merecem demais a nossa atenção, justamente por abordar assuntos delicados de uma forma tão sensível e divertida: Steven Universe e Star vs As forças do mal.

1) Steven Universe

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Cartaz do desenho animado “Steven Universe”.

Steven Universo (Steven Universe) narra a trajetória de Steven, um menino de doze anos, metade humano e metade Gem, que vai morar com as outras Gems: Pérola, Garnet e Ametista.

As Gems são criaturas de outro planeta que resolveram ficar e proteger o planeta Terra, influenciadas pela Rose, mãe de Steven. No entanto, Rose se envolve com Greg Universe, um humano da cidade fictícia Beach City, e eles têm um filho. Para que o filho possa viver, Rose tem de abrir mão da sua forma humanóide.

Assim, vemos como Steven lida com o fato de nunca ter conhecido sua mãe, além de aprender como controlar seus poderes e o que é ser humano.

E por quê essa história é incrível?

Primeiro por um motivo MUITO maravilhoso: o desenho foi criado por Rebecca Sugar e é a primeira animação do canal Cartoon Network desenvolvido por uma mulher.

É bizarro pensar que já estamos em 2017 e somente uma mulher teve a oportunidade de produzir uma animação no canal. Como eu já relatei em outros textos, infelizmente essa área ainda é muito dominada pelos homens, mas é justamente por isso que temos que parabenizar e valorizar o trabalho de mulheres como a Rebecca.

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Rebecca Sugar, criadora de “Steven Universe”.

Eu poderia ficar horas falando da Rebecca porque ela é animadora*, compositora, roteirista, diretora, maravilhosa, ela é GIRL POWER total. No entanto, eu vou focar no desenho, pois foi por isso que vim escrever.Como falar dessa animação que tem cinco temporadas e já ganhou meu coração? (Saudades dos depoimentos do velho Orkut*).

Antes de tudo, preciso dizer que apesar de ser uma animação voltada para crianças, a trama do programa é muito complexa e seria quase impossível explicar os detalhes sem dar spoiler* ou confundir vocês. Então, eu vou abordar somente alguns dos fatores que fazem o desenho ser maravilhoso.

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Uma imagem vale mais que mil palavras, não?

Logo no piloto* da série a gente fica sabendo que a mãe do Steven não está mais entre nós e que ele vai morar com as outras Gems. Ou seja, é uma criança/adolescente de doze anos que tem que lidar com a perda da mãe.Até então, como ele não a conheceu não há uma dor muito profunda, mas como as outras Gems e o pai do menino sempre falam da Rose (mãe de Steven), volta e meia ele faz perguntas para entender o porquê ela deixou tanta saudade e por que ele não pode conhecê-la.

Além disso, a história de cada Gem é encantadora e muito particular. Seria bem difícil explicar os motivos pelos quais elas são maravilhosas, mas tentarei resumir as qualidades das personagens: Pérola, Garnet e Ametista.

A) Pérola

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“Os humanos acham maneiras incríveis para gastar o tempo deles.”

A Pérola é a mais “certinha” do grupo e como ela é uma gem, ela não entende muitas coisas que os seres humanos fazem. Por exemplo, as gems não precisam de alimentos, então ela não compreende como que os humanos comem o tempo todo. Aposto que se ela provasse um açaí com granola e mel mudaria de ideia. Ainda, existem várias Gems que também são Pérolas, elas literalmente tem a mesma forma física e função no planeta Gem, mas foi com a Rose e no planeta Terra que a Pérola se sentiu única e por isso ela não a esquece de jeito nenhum. Mesmo que ela ame o Steven, como ele assumiu o lugar da mãe na Terra, a Pérola sente muita falta da Rose e de vez em quando tem umas crises existenciais bastante humanas, por sinal.

Eu amo essa personagem de todas as formas, até porque é com ela que eu me identifico mais. Essa entrega pelos outros, sua solidão e angústia, além da saudade que sempre a faz chorar por quem já se foi é explorada de um jeito lindo e muito poético.

B) Garnet

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Garnet.

A Garnet é literalmente puro amor. Como não quero dar spoiler não vou falar muito da narrativa dela, mas preciso dizer que é uma história muito especial e digna de conto de fadas da era moderna. Quando eu disse que ela é puro amor foi porque ela mesma fala que é feita de amor e a gente aprende bastante sobre respeito, amor e relacionamento com essa personagem. Aliás, o que é mais legal nela é que o amor que ela tanta fala é um sentimento que não vê cores, gênero ou sexualidade, é o amor da forma mais pura e honesta possível. Não é à toa que tem um episódio que a personagem canta uma música sobre o tema, chamada “Stronger than you (Mais forte que você)”.

No Estados Unidos é a cantora Estelle que dá voz pra personagem e suas lindas canções.

C) Ametista

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Ametista e suas dancinhas maravilhosas.

A Ametista tem um passado distinto das outras, o que a faz se sentir diferente e um pouco “excluída” do grupo. Porém, com o passar das temporadas ela vai deixando o jeito “rebelde” de ser e a gente começa entender o porquê ela tem dificuldades em se abrir com os outros. Eu adoro a Ametista porque ela é o oposto da Pérola. Ela não precisa comer e come o tempo todo, ela não segue regras e adora se divertir com o Steven. É muito legal ver essa diferença das personagens que se completam de alguma forma.

Falando em se completar, Steven Universe fala muito de conexão. As Gems podem fazer fusões, ou seja, elas podem se unir com duas ou mais gems e virar uma só. No entanto, essa união tem que fazer sentido e as intenções têm que ser boas, senão elas sofrem demais e ficam mal após a fusão.

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Opal, fusão da Pérola e Ametista.

Eu aconselho essa história porque mesmo sendo um desenho animado ela lida com assuntos delicados de uma forma extraordinária. A trama fala de perdas, relacionamentos (independente do gênero e sexualidade), amizades, amadurecimento, entre muitos outros assuntos e tanto um adulto quanto uma criança podem ver e se identificar. Tem muito mais coisas que eu poderia dizer, como a lindinha da Connie e sua amizade com o Steven, a relação do Steven com o pai hippie, mas eu fiz esse post só pra te provocar e quando você souber todos os mínimos detalhes a gente fofoca a respeito.

2) Star vs As forças do mal

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Cartaz do desenho “Star vs As forças do mal”

A animação conta a história de Star Butterfly, uma princesa da dimensão mágina de Mewni que ao completar catorze anos ganha de seus pais uma poderosa varinha mágica, além de um livro de magias que contém todos os feitiços criados pelas antigas proprietárias da varinha.

No entanto, Star é péssima em usar sua varinha e seus pais a mandam para o Planeta Terra, onde ela deverá aprender a controlar seus poderes mágicos e ter responsabilidade.

Na Terra, ela fica hospedada na casa de Marcos Díaz, um descendente de mexicanos extremamente certinho e nerd. Juntos, eles lutam contra monstros que tentam a todo custo roubar a preciosa varinha e aprendem lições valiosas sobre amizade e responsabilidade.

Apesar de ser a narrativa de uma princesa e manter o tom de conto de fadas, o humor do programa é bastante ousado e as aventuras que Star vive são hilárias e a ensinam bastante sobre amadurecer e exercer o papel de futura rainha. Aliás, a própria Star é um “desastre” de princesa e é isso que a torna tão especial.

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Star Butterfly, a princesa desastre.

Além disso, a amizade entre Star e Marcos foge de qualquer conto de princesas e mostra que é possível meninos e meninas serem melhores amigos sem segundas intenções. Eu adoro desenhos e filmes que abordam a amizade entre uma garota e um garoto de uma forma positiva, sem necessariamente eles terem que virar um casal no final.

Eu tenho muitos amigos homens e sempre me incomodou o fato das pessoas acharem que eu tinha algo romântico com eles ou vice-versa. Isso é uma besteira! Claro que poderia ser o caso, mas não era. Homens e mulheres podem e devem ser amigos e a gente tem que parar de achar que essa amizade não existe, ela existe SIM e Star e Marcos são a prova disso.

Tem muita gente que chipa* esse casal, mas até onde eu vi do programa eles são só amigos e eu AMO esse fato. O próprio Marcos tem uma crush* pela Jackie Lynn e a Star sempre o incentiva a puxar papo com Jackie e investir nessa história de amor.

Inclusive, tem um episódio em que Star e Marcos vão num show da banda preferida dela e eles cantam a música “Just Friends (Apenas Amigos)”. Eu ia dar um mega spoiler desse momento, mas não farei isso. Porém, não posso deixar de mencionar que essa cena foi a primeira cena de um desenho animado da Disney Television Animation que mostrou um beijo de um casal homossexual e isso é LINDO!

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Casal de homens se beijando em “Star vs As forças do mal”. MUITO AMOR POR ESSA CENA!

Ademais, um grande ponto do programa é a diversidade e a quebra de padrões. O Marcos é um descendente de mexicano nerd, a Star é uma princesa muito doida e que se mete em confusão, sua melhor amiga é um Pônei Colorido sem corpo, um dos vilões adota algumas “crianças” e vira pai solteiro, etc. Quer mais o quê pra eu te convencer que esse programa é único e maravilhoso?

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Star e Pony Head te seduzindo pra assistir o programa.

Sendo assim, só posso dizer que essas duas animações me surpreenderam de uma maneira surreal. Eu já chorei em vários episódios do Steven Universe porque me emociona demais as histórias dos personagens e como eles lidam com suas perdas e ganhos. Já em Star vs As forças do mal, eu me divirto horrores com essa princesa maluca e me encanto com o fato de que ela é uma princesa, porém é dona de si, forte, comete erros e também acertos, se apaixona, mas não fica chorando por nenhum menino e aprende lições valiosas em cada episódio do programa.

VAI LOGO ASSISTIR ESSAS MARAVILHAS!

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Steven e Star Butterfly.

*animadora: uma pessoa que trabalha com desenho animado.

*orkut: antiga rede social que fez muito sucesso entre os brasileiros.

*spoiler: é quando algum site ou alguém revela fatos a respeito do conteúdo de determinado livro, filme, série ou jogo.

*piloto: é o nome dado ao primeiro episódio de uma série televisiva.

*crush: alguém por quem temos uma queda ou paixonite.

*chipar: quando você torce que uma pessoa forme par com outra, ou seja, que eles formem um casal.

Joey & Barney: o mulherengo que NÃO precisamos em nossas vidas

Como toda fã de Friends, recentemente voltei a assistir o seriado, pois é e sempre será uma das melhores séries de comédia que já existiu. Ao mesmo tempo, também decidi rever How I Met Your Mother porque é outra sitcom maravilhosa e tem minha amada Robyn Scherbatsky (Cobie Smulders).

No entanto, agora, já com 25 anos de idade e bastante engajada no feminismo, não consigo deixar de notar e me incomodar com dois personagens dessas comédias: Joey (Matt LeBlanc) e Barney (Neil Patrick Harris).

Para quem entende das séries, provavelmente já sabe o porquê deu ter escolhido justamente esses dois personagens, mais conhecidos como os mulherengos e pegadores do grupo. Assim, farei uma breve análise e introdução dos dois e, depois, explicarei o porquê esses personagens precisam de uma bela repaginada.

1) Joey Tribbiani – FRIENDS

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“Ichiban, batom para homem.”

O Joey é um aspirante a ator, não muito inteligente, descendente de italiano, tem sete irmãs e leva muito jeito com as mulheres. Com o passar das temporadas, ele finalmente consegue um papel importante na sua carreira, como o famoso Dr. Drake Ramoray, no entanto, ao contrário dos outros, não muda muito o seu jeito de ser.

Sim, ele é hilário. Sim, tem cenas que matam a gente de tanto rir. Sim, é fofo quando ele se apaixona pela Rachel (Jennifer Aniston) e, sendo bem sincera, torci mais por esse casal do que por Rachel e Ross (David Schwimmer). Sim, sim, sim. Sabemos de tudo! Agora, vamos aos fatos:

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“Como você vai?”

Com a famosa frase “Como você vai?”, nosso querido galanteador conquista milhares de mulheres, mesmo não sendo esse colírio todo (ao menos não pra mim). E qual o problema disso?

O problema é que de todas as mulheres, apenas 2 ou 3 tem nome e mexem com os sentimentos do personagem. O resto não tem nome, sobrenome, não falam e ainda viram deboche das inúmeras piadas machistas do programa.

Além disso, lembro de um episódio que o Joey vai num apartamento que ele já tinha ido antes e fica revoltado porque acha que a mulher não lembra de ter dormido com ele. Ou seja, esquecer o nome delas, mentir, não ligar no dia seguinte, tudo bem, MAS, esquecer o famoso Joey, NÃO PODE, pois ai você mexe com o ego do bonitão. Outro episódio que me recordo, é quando a Rachel passa a morar com o Joey e eles combinam que ela iria ajudá-lo a despachar as mulheres que dormiam com ele.

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“Não estou arrependido!” Sabemos que você não está arrependido.

Novamente, eu gosto da série e do personagem, porém, devemos problematizar essas atitudes machistas e misóginas. Depois que eu falar sobre o Barney, vou refletir melhor sobre o assunto. Sigam-me os bons!

2) Barney Stinson – HOW I MET YOUR MOTHER

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O Barney tem uma ótima vida financeira, detesta relacionamento sério, foi criado, junto de seu irmão, somente por sua mãe e é o cara mais pedante e carente possível, que passa a maioria dos episódios tentando levar alguma mulher desconhecida pra sua casa e, adivinha… ele consegue!

Apesar de adorar a série, eu realmente não gosto do Barney. Acho ele chato e desnecessário, mas entendo o motivo do personagem existir e é ótimo pra discussão.

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“Desafio aceito!” Também aceitei o desafio, querido.

O personagem pega milhares de mulheres, todas sem nome, se envolve amorosamente 2 ou 3 vezes, o relacionamento mais importante é com a Robyn e, inclusive, tem um livro de cantadas, ao qual ele se vangloria e acha que deve ensinar outros homens a serem iguais a eles.

Agora que fiz uma pequena introdução dos personagens, vamos problematizar direito.

Qual o problema deles serem mulherengos e não gostarem de relacionamento sério?

O problema é simples: nossa sociedade machista. Mas como assim? O que isso tem a ver com machismo?

Tudo, eu lhes digo. Pois enquanto você, homem, é ensinado que deve sair e se relacionar com o máximo de mulheres possíveis, até encontrar a tal pra casar, caso encontre, nós, mulheres, somos ensinadas a buscar um príncipe encantado (ao qual nunca existirá) e claro, se dar ao respeito e ter poucos parceiros na vida.

Ou seja, é muito fácil pra um Joey ou um Barney paquerar uma mulher, levar ela pra cama e no dia seguinte esquecer o nome dela, pois ele já está pensando na outra que ele vai conquistar. Mas, não é fácil pra uma mulher, dentro da sociedade MACHISTA, se libertar dos ensinamentos dados a ela e ir pra cama com um cara, sem envolver sentimentos. Pior ainda é que, quando envolvemos sentimentos e ficamos interessada no outro, somos grudentas e carentes. Quando dormimos e não nos importamos com o nome dele, somos, no mínimo, vadias ou mulheres que não são pra casar.

Eu sei que muitas mulheres incríveis estão quebrando isso na vida delas e ajudando outras amigas a quebrarem também, no entanto, a verdade é que a maioria das mulheres ainda vive dentro dessa bolha e é muito difícil rompê-la, é mais difícil ainda quando vemos séries, filmes ou novelas, com os tais galãs, que perpetuam esses ensinamentos de tratar mulher como objetos sexuais e depósito de esperma.

Claro que rimos e nos divertimos com Joey e Barney, mas, se trouxermos essas histórias pra vida real, com certeza eu ou você, conhecemos alguma mulher que foi tratada desse jeito e levou bastante tempo pra superar isso, até porque, a sociedade ensina as mulheres a sempre verem defeito nela mesma, enquanto o homem vê defeito no outro.

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“Morto para mim!” Isso aí, Lily… temos que ACABAR com essa cultura machista!

Digo isso, pois, nos últimos dias, tive uma conversa com alguns amigos e eles admitiram que já xingaram muitas mulheres que o rejeitaram, enquanto eu, quando fui rejeitada, critiquei a mim mesma, pois sempre achei que o defeito estava em mim. Isso ainda é um processo, mas hoje em dia já quebrei mil tabus que não voltam mais, só que ainda sei que muitas meninas vão passar pelo o que passei e serão poucas as pessoas que vão conversar com elas e explicar que NÃO, o problema não está nelas. E pior ainda é quem justifica, dizendo que é instinto de homem. Não é instinto, mas, SIM, cultura.

Homens não pegam mulheres só por instinto, pois nós também temos instintos e todos sabemos o quanto sexo é bom. No entanto, eles são ensinados e provocados a todo o instante a irem atrás de mulheres diferentes e gozarem o máximo que puderem, sem se preocupar com o nome delas, em ligar no dia seguinte, muito menos em ter um relacionamento sério, pois, “macho que é macho”, faz isso tudo e um pouco mais.

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“Foda-se essa porra sexista.”

Sexo por sexo seria ótimo se todos tivéssemos a mesma criação, porém, enquanto nossa cultura ensinar que mulheres devem ser “belas e recatadas e que saibam o promoção do dia dos mercados” e homens “devem se sentir o máximo e acharem que seus órgãos genitais são mágicos”, Joeys e Barneys vão sempre ser homens idiotas e covardes, mas, que a sociedade sempre criticará as mulheres fáceis que quiseram deitar com eles, ao invés de criticá-los, por terem tratado elas como a presa do dia.

Me questiono ainda mais, como Joey, que tem sete irmãs, é capaz de fazer isso, sem se sentir mal. Aparentemente, se não for família, ai pode tratar mulher como objeto, né? Muito menos entendo justificarem as atitudes do Barney, dizendo que ele foi abandonado pelo pai, sem mencionar que ele tem uma mãe fantástica, que deu tudo do bom e do melhor pra ele. Claro que tem outras justificativas, como ele ter gostado de uma garota que destruiu seu coração, mas, coração partido todo mundo tem e nem por isso é razão pra tratarmos os outros de uma forma desprezível e descartável.

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Assim, fica a reflexão, do por quê não é legal ser um Joey ou Barney, ainda mais na era Tinder, em que o sexo ficou muito mais acessível. Precisamos falar de amor e sexo, mas deixando claro e evidente que amor e sexo só será algo lindo e maravilhoso de se viver, quando mulheres e homens tiverem direitos iguais, inclusive e, especialmente, na vida amorosa, evitando, assim, que mulheres sofram ou se punam por motivos e pessoas desnecessárias e que entrem em relacionamentos abusivos e destrutivos.

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Adiós, muchachos!

Para as pessoas que querem mudar isso, independente se você sai com homem ou mulher, se é hetero, bi ou gay, não importa, apenas sejam sinceros e tratem o outro como uma pessoa com sentimentos. Caso você queira só sexo, dê a chance do outro escolher, se ela/ele quer e aceita só isso, também. Talvez algo não te afete tanto, mas pro outro pode ser uma grande facada. Sendo sincero (a), você já permite que o outro escolha o melhor caminho nessa situação.

Vai ter FEMINISMO, SIM! Juntas enfrentamos o machismo de todo o dia.

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Juntinhas!!!

 

Estrelas Além do Tempo

É provável que você já tenha ouvido falar no filme Estrelas Além do Tempo, que está concorrendo na categoria de Melhor Filme no Oscar 2017, mas, já parou pra pensar sobre o por quê só ouvimos falar na história de Katherine, Dorothy e Mary em pleno 2017?

Para refletir o assunto, resolvi fazer uma pequena análise do filme, pois devemos falar dessa obra-prima, além de enxergar o que está por trás desse “silêncio” todo.

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Filme escrito por Allison Schroeder e Theodore Melfi – também diretor do filme – e baseado no livro de Margot Lee Shetterley.

Sinopse: Estrelas Além do Tempo conta a história de uma equipe de matemáticas afroamericanas que tiveram um papel vital na NASA durante os primeiros anos do programa espacial dos EUA.

O filme se passa na década 60, no auge da corrida espacial travada entre Estados Unidos e Rússia durante a Guerra Fria, e mostra uma equipe de cientistas da NASA, formada exclusivamente por mulheres negras, que lideraram uma das maiores operações tecnológicas registradas na história americana e se tornaram verdadeiras heroínas da nação.

Ou seja, a história se passa há mais de 40 anos atrás e, somente no final de 2016, que fomos apresentados a essas incríveis mulheres, que, mesmo sendo rechaçadas e desrespeitadas em seu ambiente de trabalho, deram um show de inteligência, humanidade e talento, deixando os homens brancos muito atrás.

Sendo assim, nada mais justo do que falar sobre as protagonistas dessa fantástica história.

1) Katherine Johnson

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Katherine Johnson e Taraji P. Henson

Katherine (Taraji P. Henson) é a gênia da matemática, não sendo à toa que ela foi convocada para trabalhar num setor onde só homens brancos trabalhavam e teve de enfrentar todo o desprezo, machismo e racismo dos colegas de trabalho, para finalmente provar sua capacidade intelectual.

É incrível a força dessa mulher e como ela consegue silenciar todos a sua volta, através do seu talento e coragem. Além disso, é de chocar as atitudes dos homens e, também, das mulheres brancas, que insistiam em impor a sua falsa superioridade.

É doloroso assistir as cenas em que a personagem é obrigada a mudar de prédio para ir no banheiro feminino de “pessoas de cor” ou tomar café em uma cafeteira exclusiva, também para “pessoas de cor”.

No entanto, Katherine dá um show de habilidade e deixa todos seus colegas com inveja, quando, graças a ela, a disputa espacial vira a favor de seu país. Assim como eu digo que a escrita é minha grande aliada, é possível perceber que os números são os aliados de Katherine, pois, como ela mesma diz: “Números não mentem!”

 2) Dorothy Vaughan

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Dorothy Vaughan e Octavia Spencer

Dorothy é a líder das mulheres negras matemáticas e, mesmo tendo que lutar a todo instante para assumir o cargo de supervisora, ao qual relutam muito para nomeá-la, consegue mostrar seu dom para liderar um time com tamanha maestria.

Além disso, é emocionante a forma como ela não desiste de sua ascensão no trabalho e é desgastante assistir as sequências em que Dorothy é desmotivada e deixada de lado pela secretária Vivian Michael (Kristen Dunst), enquanto tudo o que ela quer é assumir o cargo de supervisora, ao qual já era seu por direito.

Todavia, quando a gente vê nossa heroína incentivando sua equipe e decodificando as novas máquinas da NASA, dá vontade de gritar e pular, de tanta alegria e admiração por ela. Assim, Dorothy se tornou a primeira supervisora mulher e negra da história da NASA.

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Vivian e Dorothy.

3) Mary Jackson (Janelle Monáe)

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Janelle Monáe e Mary Jackson

Mary se consagrou como a primeira engenheira negra da NASA e teve um papel muito importante, não só na história da corrida espacial, como na história da vida acadêmica dos EUA, pois ela conquistou o direito de se tornar estudante de engenharia e foi a primeira mulher negra a conquistar o posto.

Apesar de aparecer menos que as outras personagens, sua narrativa é maravilhosa e seu jeito decidido a torna muito especial. O filme começa com as três mulheres consertando o carro enguiçado e sendo abordadas por um policial branco e, ao explicarem a situação, nos divertirmos com a cena em que Mary dirige o carro e “persegue” o policial, já que, até então, o “vilão” e “bandido” era ele com todo o seu machismo e racismo.

Ademais, uma das melhoras falas do roteiro, é quando Mary é questionada caso fosse um homem branco, se ela gostaria de se tornar engenheiro e ela responde “Se eu eu fosse um homem branco eu não precisaria me tornar, eu já seria um engenheiro.”

E o quê é possível aprender com essa obra cinematográfica e trazer para os dias atuais?

Infelizmente, não é difícil entender o porquê só agora essa história foi divulgada com tamanha proporção. Vivemos num mundo que, ainda, é extremamente machista e racista, especialmente na área científica e acadêmica, não sendo à toa que, na época de escola, quase não ouvimos ou nunca ouvimos falar de mulheres na área de engenharia, ciência, pesquisa, etc.

Isso é lamentável e é necessária uma mudança urgente e fica evidente o quão importante é a luta da igualdade de gênero e a luta contra a segregação racial. Como não vivo a questão racial na pele, estou longe de falar pelas mulheres negras, mas,  aprendo como ouvinte e apoio o feminismo de todas as mulheres e torço para que mais Katherines, Dorothys e Marys apareçam na vida real e na ficção.

Amei o filme e mais ainda em saber que essa história foi baseada em fatos reais e enfatiso o quão importante é representatividade e diversidade no meio cinematográfico. Como foi mostrado no site geledes.org.br, no texto Heroínas de ‘Estrelas além do tempo’ inspiram garotas em trabalho de escola nos EUA, com histórias assim, meninas podem se inspirar e aspirar por um futuro tão brilhante quanto.

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Ambrielle-Baker Rogers, Morgan Coleman e Miah Bell-Olson

Sendo assim, aconselho essa produção porque ela está incrível, muito bem escrita e dirigida, com atrizes maravilhosas no elenco, além de dar uma fantástica aula de história, ao qual nunca teríamos na sala de aula normal.

BÔNUS DO DIA

Já que estamos perto do Oscar 2017, não posso deixar de falar que Estrelas Além do Tempo está concorrendo nas categorias de Melhor Filme, Roteiro Adaptado e Atriz Coadjuvante e, é o único filme a concorrer Melhor Roteiro Adaptado escrito por uma mulher, Allison Schroeder, junto de Theodore Melfi.

Infelizmente, não foi nesse ano em que vimos mais mulheres concorrendo nas categorias de Roteiro e Direção, mas, fico na torcida por Allison Schroeder.

BIBLIOGRAFIA

IMDB. Estrelas Além do Tempo. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4846340/?ref_=nv_sr_1&gt;. Acesso em: 09 de ef. 2017.

GELEDES. Heroínas de Estrelas Além do Tempo inspiram garotas em trabalho de escola nos EUA. 2016. Disponível em: <http://www.geledes.org.br/heroinas-de-estrelas-alem-do-tempo-inspiram-garotas-em-trabalho-de-escola-nos-eua/#gs.OHUiTXc&gt;. Acesso em: 09 de fev. 2017.

Moonlight: Sob a Luz do Luar

Ainda na maratona do Oscar 2017, decidi que estava mais do que na hora de falar sobre o filme Moonlight: Sob a Luz do Luar, pois ele está concorrendo na categoria de Melhor Filme e, ao meu ver, este realmente foi o MELHOR FILME de 2016.

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Filme escrito e dirigido por Barry Jenkins.

Sinopse: Moonlight narra a vida de um jovem negro desde a infância até a idade adulta, em que luta para encontrar seu lugar no mundo enquanto cresce em um bairro violento de Miami.

O filme é divido em três partes: Little, Chiron, Black. Inclusive, é possível notar esta divisão no poster do filme, aonde vemos os três rostos de Chiron, nas distintas etapas de vida – infância, adolescência e vida adulta. Sendo assim, falarei de cada fase, separadamente, sem dar spoilers*.

1) Parte 1: Little

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Alex R. Hibbert como Little.

Na primeira parte do filme somos apresentados a Chiron, mais conhecido como Little (Alex R. Hibbert), um menino de mais ou menos 9 anos de idade, bastante tímido e fechado. O ponto principal dessa fase é mostrar os dois temas que serão trabalhados no longa-metragem: machismo e homofobia.

Little tem uma relação difícil com sua mãe, Paula (Naomie Harris), pois esta é viciada em drogas e, ao mesmo tempo em que quer cuidar do filho, acaba não sabendo exercer o papel de mãe e sempre perde sua batalha para as drogas. Eu falo melhor dessa personagem no texto Oscar 2017: Melhor Atriz Coadjuvante.

Além disso, Little sofre bullying de seus “colegas” porque eles o consideram afeminado, sendo Kevin (Jaden Piner) o seu único amigo. Em uma de suas fugas, parar tentar escapar da violência dos meninos do bairro, Little se esconde em uma casa abandonada e conhece Juan (Mahershala Ali).

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Little e Juan.

Juan exerce o papel de amigo e mentor, sendo ele e sua namorada, Teresa (Janelle Monáe), os únicos a conversarem com Little e explicarem sobre homosexualidade. Aliás, essa parte do filme é bastante forte, até porque, inclusive a mãe do protagonista é homofóbica e isso se torna um peso muito grande na jornada do nosso herói.

ALERTA MINI SPOILER – que não afetará muito aos que ainda não viram o filme- : uma das cenas mais marcantes e arrepiantes da parte 1 é quando Little pergunta para Juan “Eu sou gay?” e este responde “Não sei, mas você descobrirá um dia.”

2) Parte 2: Chiron

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Ashton Sanders como Chiron.

No segundo capítulo vemos a adolescência de Chiron, fase em que este começa a responder aos estímulos do machismo e, também, se permite explorar sua sexualidade.

Chiron é um menino muito doce e carinhoso com sua mãe, que ainda é viciada em drogas. Além disso, ele continua não tendo muitos amigos e interage pouco com as pessoas de sua escola, porém, Kevin (Jharrel Jerome), seu amigo de infância, continua sendo o único menino que conversa com Chiron.

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Kevin e Chiron.

O roteiro nos mostra todo o machismo que está impregnado em nossa sociedade, desde a época de escola. Infelizmente, o bullying piora e Chiron tem de lidar com o preconceito dos rapazes de seu colégio, além de lidar com a própria dificuldade em se achar no mundo.

As primeiras duas divisões deste projeto me lembraram o documentátrio The Mask You Live In, que mostra como os meninos/homens lidam com o machismo, ao qual o Projeto Nellie Bly fala no texto A máscara que os meninos usam.

3) Parte 3: Black

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Trevante Rhodes como Black.

No último capítulo vemos toda a trasformação do pequeno Chiron, agora conhecido como Black, um homem musculoso e alto, mas, que mantém o jeito tímido e doce de ser.

É incrível ver como os preconceitos da sociedade mudam uma pessoa por completo e a narrativa de Moonlight faz isso de uma forma brilhante. Eu me emocionei em todas as etapas da trama e senti as dores do protagonista, que é sempre rechaçado e humilhado pelos outros, por fugir das normas da masculinidade.

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Black.

Chiron volta a sua cidade natal e reencontra Kevin, pessoa ao qual tem uma grande conexão, além de lidar com sua mãe, agora disposta a se livrar das drogas e tentando se reconectar com o filho.

Este filme é um alerta para todos nós, que lidamos com as dificuldades da vida e com os preconceitos do mundo, mas, como somos nós mesmos que perpetuamos esses preconceitos e esteriótipos. Enquanto o menino afeminado for um problema ou o menino tímido que não reage numa luta for humilhado e instigado a se tornar violento e opressor, estaremos dando um tiro no pé e prejudicando nosso próprio caminho como seres humanos.

É preciso, a todo o instante, falar e enfrentar o machismo e a homofobia que nos cerca, para que Chirons tenham o direito de crescer, sem medo de se amarem e se apresentarem ao mundo.

Sendo assim, para quem ainda não assistiu Moonlight, por favor, ASSISTA. Esse filme é uma obra-prima e relata assuntos tão importantes, emocionando e nos fazendo questionar até onde podemos e devemos mudar o jeito que lidamos com crianças que fogem dos padrões absurdos que, infelizmente, rodeiam nossa cultura. É uma história de autodescoberta, conexão e pertencimento ao mundo, sendo impossível não se identificar e ter empatia por Chiron.

Trailer legendado do filme.

BÔNUS DO DIA

Continuando o bolão Oscar 2017, eis meu palpite sobre a categoria Melhor Filme.

  1. Quem eu acho que vai ganhar: La La Land.
  2. Quem eu gostaria que ganhasse: Moonlight: Sob a Luz do Luar ou Estrelas Além do Tempo.

E você, qual filme acha que vai ganhar?

*spoileré quando algum site ou alguém revela fatos a respeito do conteúdo de determinado livro, filme, série ou jogo. O termo vem do inglês, mais precisamente está relacionado ao verbo “To Spoil”, que significa estragar.

BIBLIOGRAFIA:

IMDB. Moonlight: Sob a Luz do Luar. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4975722/>. Acesso em: 07 de fev. 2017.

WIKIPEDIA.Moonlight. 2016. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Moonlight_(2016_film)&gt;. Acesso em: 07 de fev. 2017.

Oscar 2017: Melhor Atriz

A grande premiação do Oscar 2017 será no dia 26 de fevereiro e como neste ano ocorreram mudanças positivas, ainda que poucas, sobre as quais eu falo no texto Oscar 2017: os recordes como um passo para a Diversidade, eu decidi fazer uma análise do trabalho das Maravilhosas Mulheres que estão concorrendo ao prêmio.

Nesse primeiro texto falarei das performances das atrizes indicadas na categoria de Melhor Atriz.

1) Isabelle Huppert por Elle

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Escrito por David Birke e dirigido por Paul Verhoeven.

Sinopse*: Como Michèle, Isabelle Huppert interpreta uma CEO bem sucedida que se recusa a ir à polícia quando é estuprada em sua casa e decide encontrar o crimonoso por conta própria.

Esse filme me deixou um pouco dividida, pois, ao mesmo tempo em que achei a personagem principal incrível, me questionei bastante a respeito da trama. É difícil entender a relação que a protagonista tem com todos ao seu redor, mas, conseguimos entender seu jeito frio de ser.

Quando criança, Michèle sofreu um grande trauma, graças ao seu pai – quem ela repetidamente chama de monstro – e ficou conhecida como a “criança ensanguentada”.

A partir disso, entendemos o porquê da personagem não expressar qualquer tipo de emoção e, particularmente, achei que a atriz Isabelle Huppert fez isso majestosamente. É como se ela fosse um “robô” – ou alguém extremamente frígido- na maior parte do tempo, porém, nas poucas vezes em que expressa sentimentos, o público sente sua dor, especialmente na cena em que ela é violentada.

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“Não dá para inventar isso.”

Apesar de questionar um pouco o roteiro, pois muitas das cenas e diálogos não me agradaram, eu gostei de ela estar decidida a se vingar do homem que invadiu sua casa e abusou dela. Aliás, eu adorei o fato de que esta heroína não precisa e não aceita a ajuda de ninguém, até mesmo em casos extremos. Não que esta fosse a melhor opção, no entanto, é raro vermos um personagem feminino agir dessa maneira e isso chamou minha atenção. Também achei maravilhoso que ela é presidente de uma empresa de jogos de videogame, um mundo que, normalmente, é dominado pelo homens.

Assim, acredito que Isabelle fez uma excelente performance e é, sem dúvida, o melhor do filme. Além disso, acompanhamos sua história sem que os homens roubem a cena, algo que costuma acontecer quando o roteiro é escrito por um homem, mas, felizmente, não foi o caso. Acredito que ela é uma das mais cotadas a ganhar o prêmio, visto que ela já conquistou o Globo de Ouro 2017 pelo mesmo papel e seria uma ótima escolha da Academia.

2) Ruth Negga por Loving

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Filme escrito e dirigigo por Jeff Nichols.

Sinopse: Ruth Negga é Mildred, uma mulher afrodescendente, cujo amor por Richard, seu marido branco, acaba mudando leis que proibem casamentos interraciais nos Estados Unidos.

E O Oscar Vai Para…

Sim, admito que estou na torcida por Ruth Negga. A história do filme é baseada em fatos reais e, Mildred é uma protagonista extraordinária. Numa época em que o racismo era extremo e violento nos EUA, é lindo ver um casal como Mildred e Richard (Joel Edgerton) que usa o amor de um pelo outro como arma contra o preconceito cego da sociedade.

A personagem de Ruth é tímida, carismática e, apesar de ser frágil, se mostra mais poderosa e corajosa do que qualquer um que já conhecemos. É doloroso e sofrido assistir ao filme, no entanto, também é emocionante e cativante, pois o longa nos faz refletir até onde os preconceitos do nosso dia a dia pode nos levar e como estes são completamente massacrantes e desumanos.

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Mildred (Ruth Negga) e Richard (Joel Edgerton).

Me emocionei do começo ao fim com Mildred e achei a química dos atores maravilhosa. Adoro filmes que contam histórias verídicas, porque, normalmente, eles nos dão um show de ensinamentos e humanidade. Me arrepiei com todas as cenas da protagonista e, como esta, conseguiu ser firme com seus desejos e vontades, sem ceder ao ódio e preconceito dos outros.

Assim, ao meu ver, Ruth foi uma das maiores surpresas de 2016 e, com certeza, é minha favorita nessa disputa. Além de que, está mais do que na hora de uma atriz negra ganhar o Oscar de Melhor Atriz, já que nos últimos anos, somente mulheres brancas venceram. Tomara que 2017 faça jus a isso!

3) Emma Stone por La La Land

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Escrito e dirigido por Damien Chazelle.

Sinopse: Emma Stone interpreta Mia, uma aspirante a atriz que tenta equilibrar seu amor por um pianista de jazz com suas tentativas de encontrar seu próprio caminho para o sucesso.

Para quem acompanha a carreira da atriz deve ter se surpreendido bastante com a mudança e o desenvolvimento de seus personagens, esta que alavancou sua carreira como Olive em “A Mentira” (2010) e, agora, nos emociona do começo ao fim em La La Land.

Admito que o filme não me conquistou inicialmente e tampouco entendi o “medo” dos produtores em acharem que este filme não faria sucesso de bilheteria. No entanto, quando me deparei com a narrativa de uma sonhadora, assim como eu, buscando uma chance de mostrar seu talento, mudei de ideia e me apaixonei pela protagonista.

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Não é fácil!

Mia mora em Los Angeles e busca uma chance na carreira de atriz, mas, vive uma decepção atrás da outra. Senti todas as suas dores como se fossem minhas, tanto para conseguir uma chance na profissão, quanto para manter o amor de sua vida. Adorei o fato de que ela e suas amigas são próximas e se ajudam muito, pois, normalmente, Hollywood adora colocar mulheres como rivais, porém, fiquei triste que estas amizades pouco aparecem. Ainda achei o amor do casal sincero e real, inclusive com o desfecho que teve.

Mesmo sendo um musical que mantém o estilo clássico desse gênero, o roteiro consegue inovar e trazer uma protagonista encantadora e associável com qualquer pessoa que tem um grande sonho.

Assim, apesar de adorar os trabalhos da Emma e ter me encantado com o filme, questiono um pouco essa nomeação, mas, não ficarei decepcionada caso ela ganhe. Estou sempre na torcida, ainda mais por personagens tão parecidos comigo.

4) Natalie Portman por Jackie

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Filme escrito por Noah Oppenheim e dirigido por Pablo Larraín.

Sinopse: Como Jackie Kennedy, Natalie Portman retrata a primeira dama aflita e bastante reclusa com assuntos pessoais, que procura garantir o legado de seu falecido marido – e o seu próprio – após o assassinato deste.

Ao assistir 30 segundos de uma entrevista com a verdadeira Jackie Kennedy fiquei pasma com tamanha semelhança à Jackie da Natalie Portman. É impressionante como os trejeitos e o modo delicado de falar estão parecidos.

Sendo bem sincera, não fui fã do filme, pois a protagonista é silenciada o tempo todo e por mais que ela tente fazer uma homenagem ao marido assassinado, parece que todos querem se livrar dela, inclusive o diretor do filme. Esperei uma história mais cativante e emocionante, porém, fiquei a ver navios*.

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Jacqueline Kennedy e Natalie Portman.

Entretanto, Natalie está maravilhosa no papel, inclusive, até mesmo o jeito de rir está parecido com o de Jackie Kennedy. Apesar de achar que o roteirista e diretor pecaram feio na trama, em dar pouca margem ao desenvolvimento da história e da personagem, a atriz entrou por completo na vida de sua personagem e deu um show de interpretação.

Assim, acredito que Portman teve a melhor performance no filme, não sendo à toa sua nomeação. Não ficarei surpresa caso ela ganhe, porém, acredito que ela não esteja entre as favoritas deste ano.

5) Meryl Streep por Florence: Quem é essa mulher?

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Roteiro de Nicholas Martin e direção de Stephen Frears.

Sinopse: Meryl Streep interpreta Florence Foster Jenkins, uma herdeira rica cujo entusiasmo por cantar é tão nítido que – apesar de sua falta de talento – ela decide dar um concerto no Carnegie Hall.

Gente, vamos ser sinceros?

Todas as premiações cinematográficas deveriam ter a categoria Prêmio Meryl Streep. Convenhamos que essa mulher é maravilhosa e sempre surpreende, então, seria mais fácil ter um prêmio exclusivo pra ela, pois faria todo o sentido.

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Meryl Streep poderia interpretar o Batman e ser a melhor escolha. Ela é perfeição!
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Meryl concorda.

Quando ouvi falar do longa não dei muito atenção pra sinopse, mas, claro, como tinha Meryl, animei de assistir. A partir disso, mudei completamente minha visão sobre o projeto, pois me diverti muito com a trama e, principalmente, com Meryl, que dá um show de “horrores” ao cantar mal e desafinar, assim como a verdadeira Florence.

O filme é baseado numa fantástica história real, em que nos deparamos com a força de vontade de Florence, uma mulher apaixonada pela música. Mesmo sem ser apoiada pelas pessoas, com exceção do seu segundo marido, St Clair Bayfield (Hugh Grant), a protagonista está decidida a cantar profissionalmente e o faz, conquistando muitos fãs em New York.

É impossível ver o filme sem rir e chorar com Meryl no papel de Florence. A protagonista não canta bem, mas ela sonha tanto com isso, que você torce junto dela, para que ela realize seu maior sonho. Ademais, este longa só comprova que Meryl é um furacão! Ela pode interpretar uma máquinha de café quebrada e concorrer ao Oscar, porque ela provavelmente estará maravilhosa e não foi diferente com Florence.

Assim, acredito que a atriz não levará o prêmio, até porque, senhoras e senhores, ela não precisa, mas, a indicação fez muito sentido, visto que este personagem foge de tudo o que ela já interpretou e Meryl transborda talento (ou “falta” de talento) com a personagem.

BÔNUS DO DIA

Como eu não poderia deixar de entrar no “bolão 2017”, eis minhas previsões do OSCAR.

  1. Quem eu acho que irá ganhar: Isabelle Huppert ou Emma Stone.
  2. Quem eu gostaria que ganhasse: Ruth Negga.

E vocês, quais suas apostas no bolão do Oscar 2017 e para quem estão torcendo?

*Sinopse: no caso, todas as sinopses descritas seguem a linha narrativa da personagem principal.

*Fiquei a ver navios: é uma expressão popular da língua portuguesa que significa ser enganado, ludibriado, ver suas expectativas serem frustradas e ficar desiludido.

BIBLIOGRAFIA:

IMDB. Elle. 2016.Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt3716530/&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

IMDB. Florence: Quem é essa mulher? 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4136084/?ref_=nv_sr_1&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

IMDB. Jackie. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt1619029/?ref_=fn_al_tt_1&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

IMDB. La La Land. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt3783958/?ref_=nv_sr_1&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

IMDB. Loving. 2016.Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4669986/?ref_=fn_al_tt_1&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

THE OSCARS. Best Actress Nominations 2017 Oscars. 2017. Disponível em: <http://oscar.go.com/news/nominations/best-actress-nominations-2017-oscars&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

Oscar 2017: os recordes como um passo para a Diversidade

Quem acompanha, anualmente, a premiação do Oscar deve-se lembrar de que, no ano passado, ocorreu uma grande revolta por parte de famosos e do público devido às indicações.

No ano de 2016, somente atores, atrizes e diretores brancos foram indicados nestas categorias, o que foi suficiente para mostrar a falta de diversidade fora e dentro das telas. Com isso, muitas pessoas do mercado audiovisual americano, assim como os fãs, utilizaram a hashtag #OscarSoWhite, como forma de protesto, além de que alguns famosos se recusaram a comparecer na premiação.

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Esses foram os artistas indicados nas categorias de Melhor Ator e Atriz e Melhor Ator e Atriz Coadjuvante em 2016.

Apesar das divergentes opiniões sobre o assunto, eu acredito que esse movimento foi de extrema importância para questionar a supremacia branca no maior prêmio cinematográfico de Hollywood.

Por meio dessa polêmica, a presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas*Cheryl Boone Isaacs, primeira mulher negra a assumir o cargo, disse, ainda no ano de 2016, que “o conselho iria se comprometer a duplicar o número de mulheres e membros diversos da Academia até 2020”. Desde então, eles começaram a convidar novos membros, como por exemplo, a diretora brasileira Anna Muylaert.

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Cheryl Boone Isaacs, primeira mulher negra presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Com isso em mente, aproveitando que a lista dos indicados foi divulgada nessa semana, no dia 24/01, farei uma breve análise sobre os recordes deste ano, mas também mostrarei que ainda falta muito para alcançarmos a igualdade e diversidade necessária neste meio.

1) Pontos Positivos:

Em primeiro lugar, vamos falar da Diva Viola Davis, que teve sua terceira nomeação, como Melhor Atriz Coadjuvante, pelo filme Cercas (2016). A atriz já havia concorrido por Dúvida (2008) e Histórias Cruzadas (2011) e, assim, se tornou a primeira atriz negra a receber três indicações ao Oscar.

Além disso, é a primeira vez na história em que três atrizes negras concorrem na mesma categoria (Melhor Atriz Coadjuvante) no Oscar do mesmo ano. As indicadas são: Viola Davis (Cercas), Naomie Harris (Moonlight: Sobre a Luz do Luar) e Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo).

Em segundo, vem a indicação da maravilhosa Meryl Streep, que quebrou o seu próprio recorde, recebendo sua vigésima nomeação. Ela concorre como Melhor Atriz pelo filme Florence Foster Jenkins (2016) e, de quebra, fez um discurso lindo ao receber o prêmio Cecil B. DeMille* no Globo de Ouro 2017.

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Você é maravilhosa, Meryl!
Em terceiro lugar e, uma das mais lindas nomeações, foi a da montadora americana, Joi McMillon, na categoria de Melhor Edição, pelo filme Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016), conquistando o posto de primeira mulher negra a concorrer como Melhor Editora. No site do mulhernocinema.com é possível saber um pouco mais sobre a carreira de Joi, no texto “Joi McMillon é a primeira mulher negra indicada ao Oscar de edição” e, como esta, mesmo com todas as dificuldades, conquistou seu espaço na sétima arte.

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Joi McMillon e Nat Sanders, também Editor do Filme.
Em quarto, temos a indicação de Ai-Ling Lee e Mildred Iatrou Morgan, por Melhor Edição de Som, sendo o primeiro time indicado nesta categoria, composto só por mulheres. Elas concorrem pelo musical La La Land (2016).

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Cartaz do filme.
Ademais, ainda temos o recorde do ator Denzel Washington, que foi nomeado pela sétima vez, pelo filme Cercas (2016), também quebrando o seu próprio recorde de nomeações para um ator negro. Assim, contando todas os indicados na categoria de ator e atriz, protagonista e coadjuvante, essa é a primeira vez na história em que seis atores negros concorrem nestas categorias, no mesmo ano. Junto de Denzel, temos as atrizes, já citadas, Viola, Octavia e Naomie, além de Ruth Negga por Melhor Atriz (Loving) e Mahershala Ali por Melhor Ator Coadjuvante (Moonlight: Sobre a Luz do Luar).

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Ostavia Spencer, Ava Duvernay, Viola Davis, Naomie Harris, Ruth Neggas (Imagem retirada do Google Imagens).

2) Pontos Negativos:

Após mencionar esses recordes maravilhosos, está na hora de falarmos dos equívocos. Mesmo com esse pequeno passo a diversidade, não podemos deixar de notar que NENHUMA mulher foi nomeada como Melhor Diretora, sendo que já estamos na 89ª edição do Oscar e, no total, apenas quatro mulheres foram nomeadas nesta categoria ao longo de oitenta e nove anos, sendo Kathryn Bigelow a única vencedora, pelo filme Guerra ao Terror (2008).

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Kathryn Bigelow no Oscar 2010.
Além disso, entre os nomeados de melhor roteiro original e adaptado, apenas Allison Schroeder encabeça o time das mulheres, com o longa-metragem Estrelas Além do Tempo (2016). Se continuarmos, as únicas áreas em que mulheres costumam ser nomeadas são: Melhor Produção, Direção de Arte, Figurino e Maquiagem. No entanto, nas categorias  dos prêmios mais badalados, quase não existem mulheres concorrendo e, infelizmente, isso só corrobora o fato de que são poucas as que conseguem visibilidade e oportunidade nesse mercado de trabalho.

Como questiona Mary McNamara no texto “Oscar não tão branco, mas ainda muito masculino” no site do Los Angeles Times: Is it time for #OscarsSoMale? (Estaria na hora de um #OscarMuitoMasculino?).

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Alisson Schroeder, co-roteirista de Estrelas Além do Tempo, única mulher nomeada na categoria de Melhor Roteiro Adaptado.
Por fim, não posso deixar de mencionar a pior indicação deste ano. Casey Affleck, irmão de Ben Affleck, foi nomeado pelo filme Manchester a Beira Mar (2016), inclusive ganhou o Globo de Ouro 2017 por este trabalho, mesmo sendo acusado de assédio, por mais de uma mulher que trabalhou com ele no set de filmagem.

Por quê precisamos falar sobre isso?

Infelizmente, muitas pessoas reproduzem a ideia de que não devemos associar a carreira do ator com sua vida pessoal, mas, particularmente, eu acho isso um erro. No momento em que homens como Casey Affleck, Jonnhy Depp e Bernardo Bertolluci, por exemplo, são acusados de assédio, violência doméstica e estupro, respectivamente, e não são punidos, pelo contrário, são premiados e glorificados pelo talento e geniliadade, dá a entender que homens como eles estão acima da lei e podem fazer o que bem quiserem, com quem quiserem.

A atriz Constance Wu, que interpreta Jessica Huang na série Fresh Off the Boat, foi uma das famosas que mencionou o caso em público, dizendo “Eu fui aconselhada a não falar sobre isso em público para preservar minha carreira. Sendo assim, dane-se minha carreira, pois eu sou mulher e humana em primeiro lugar.”(Tradução Livre).

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Sim Constance, você está certíssima em falar do assunto em público.
Ela continua no Twitter “Homens que assediam sexualmente as mulheres para o OSCAR! Porque boas performances valem mais do que humanidade, do que a integridade humana!” e “Meninos! Resolvam seus problemas fora dos tribunais! É só ser um bom ator, isso é tudo que importa! Porque arte não é sobre humanidade, certo?”

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Tweets da atriz Constance Wu.
Essa fala é importante, ainda mais vindo de alguém com visibilidade, pois nos faz questionar o porquê nossa sociedade protege esses artistas, quando, na verdade, ela devia denunciar e puni-los por seus crimes. Inclusive, como o BuzzFeed americano mostrou no post “As pessoas estão agradecendo Constance Wu por falar em público contra a nomeação ao Oscar de Casey Affleck”muitas pessoas parabenizaram a atriz e a apoiaram na causa, mostrando que o público não vai mais aceitar que esses casos passem impunes.

Para uma melhor reflexão sobre o assunto, eu recomendo o texto da Rebeca Puig “POR QUE É TÃO FÁCIL PERDOAR O GÊNIO MASCULINO MESMO QUANDO ELE É UM CRIMINOSO CONDENADO?”, do site collantsemdecote.com.br, que fala muito bem sobre a razão pela qual não devemos velar os crimes destes homens: Eu sei que esse é um assunto polêmico, mas se a gente não discute esse tipo de assunto então continuamos para sempre nessa repetição de padrão. Chega de passar a mão na cabeça, chega de panos quentes e chega de tapinhas nas costas. Chega de escolher o lado do agressor.”

Sendo assim, apesar das conquistas no Oscar 2017, ainda são necessárias muitas mudanças para que a diversidade seja algo comum na maior indústria cinematográfica que existe. Enquanto isso, torcemos por Violas, Meryls, Kathryns e McMillons e aguardamos mais e mais representatividade, dentro e fora das telas.

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Cartaz do filme Estrelas Além do Tempo, obra que prova o quão importante é a diversidade e representatividade, já que aprendemos quem são “As mulheres que ninguém conhece, por trás da missão que todos conhecem”.
*Academia de Artes e Ciências Cinematográficas: nome oficial do Oscar, que é o mais importante e prestigiado prêmio do cinema mundial.

*Cecil B. DeMille: é um prêmio dado anualmente pela Hollywood Foreign Press Association, na cerimônia do Globo de Ouro, para todos aqueles com contribuições relevantes para o mundo do entretenimento.

BIBLIOGRAFIA:

CHO, Kassy. People Are Thanking Constance Wu For Speaking Out Against Casey Affleck’s Oscar Nomination. 2017. Disponível em: <https://www.buzzfeed.com/kassycho/people-are-thanking-constance-wu-for-speaking-out-against-ca?utm_term=.rkpRzPkDG#.yxB1DP0XE&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

DEARO, Guilherme. 10 recordes quebrados nas nomeações do Oscar 2017.2017.Disponível em: <http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/10-recordes-quebrados-nas-nomeacoes-do-oscar-2017/&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

GENESTRETI, Guilerme. Academia do Oscar convida Anna Muylaert e outros brasileiros. 2016. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/06/1787051-academia-do-oscar-convida-anna-muylaert-e-outros-brasileiros.shtml&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

GLOBO,O. Oscar muda drasticamente suas regras para promover a diversidade. 2016.  Disponível em: <http://oglobo.globo.com/cultura/filmes/oscar-muda-drasticamente-suas-regras-para-promover-diversidade-18525821&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

MCNAMARA, Mary. Oscars not so white, but still very male. 2017. Disponível em: <http://www.latimes.com/entertainment/la-et-oscar-nominations-2017-live-oscars-not-so-white-but-still-very-1485275087-htmlstory.html&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

PÉCORA, Luísa. Joi McMillon é a primeira mulher negra indicada ao Oscar de edição. 2017. Disponível em: <http://mulhernocinema.com/noticias/joi-mcmillon-e-a-primeira-mulher-negra-indicada-ao-oscar-de-edicao/&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

PÉCORA, Luísa. Veja todas as mulheres indicadas ao Oscar 2017. 2017. Disponível em: <http://mulhernocinema.com/noticias/veja-todas-as-mulheres-indicadas-ao-oscar-2017/&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

PUIG, Rebeca. POR QUE É TÃO FÁCIL PERDOAR O GÊNIO MASCULINO MESMO QUANDO ELE É UM CRIMINOSO CONDENADO?. 2016. Disponível em:<http://collantsemdecote.com.br/por-que-e-tao-facil-perdoar-o-genio-masculino-mesmo-quando-ele-e-um-pedofilo-condenado/&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

Dois Irmãos e a violência como sinal de masculinidade

Nesse ano de 2017 foi lançada a minissérie Dois Irmãos, no canal Rede Globo. A produção é baseada na obra de Milton Hatoum, foi escrita por Maria Camargo e tem direção artística de Luiz Fernando Carvalho.

A produção técnica do programa, assim como a maioria das produções do canal, é incrível e digna de Hollywood. Da fotografia ao som, não há o que questionar. No entanto, o conteúdo, mais especificamente, o roteiro, não segue o mesmo caminho e perpetua esteriótipos que estão mais do que na hora de serem questionados e quebrados na programação brasileira.

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Sinopse: A história gira em torno de dois irmãos gêmeos idênticos, Omar e Yaqub, que têm personalidades conflitantes desde pequenos, e suas relações com a mãe (Zana), o pai (Halim) e a irmã (Rânia). Moram na casa da família a empregada Domingas e seu filho, Nael. O menino é quem narra, após trinta anos, os dramas que testemunhou calado. Do seu canto, ele vê entes da família de origem libanesa terem desejos incestuosos e se entregarem à vingança, à paixão desmesurada, em Manaus.

No primeiro capítulo, somos apresentados a Manaus, mais parecida com uma vila, em plena década de 20. Na trama, o personagem Halim (Bruno Anacleto) é apaixonado por Zana (Gabriela Mustafá) e, um dia, decide entrar no restaurante do pai desta e recitar um poema. Assim, com esse simples gesto, a menina se encanta e está decidida e a se casar com o moço.

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Halim (Bruno Anacleto) e Zana (Gabriela Mustafá)

Recentemente, vi uma crítica que dizia achar incrível que Zana avisa ao pai que irá se casar, como quem diz que vai na padaria. Porém, ao meu ver, eu questiono muito essa forma de romance, em que nada acontece e é só o rapaz declamar um poema para que a menina, considerada a mais linda da cidade, caia de amores. Eu amo poemas e poesias, mas convenhamos que ninguém se apaixona por alguém em três segundos, muito menos por causa de uma declamação , a não ser em filmes à la Disney.

A partir disso, os anos se passam e o casal está pronto para ter filhos. Na verdade, a mulher que exige filhos, já que o marido, não gostaria de ser pai. Assim, eles têm os gêmeos Omar e Yaqub, e se inicia toda a tragédia.

De acordo com o narrador, o filho “caçula”, Omar, nasceu muito fraco e quase morreu e, por isso, a mãe o cuidou com mais zelo e carinho, do que seu irmão. Por meio dessa preferência da mãe, surgiu uma relação de ciúme doentio dentro da família, do pai com os filhos e de Omar (o filho queridinho) com Yaqub (o menino calado).

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Os intérpretes de Omar e Yaqub, Lorenzo e Enrico Rocha, Matheus Abreu e Cauã Reymond.

Por meio disso, a história incita o ódio entre os irmãos o tempo todo, justificando a briga e violência destes, por causa de ciúmes e culpando todas as mulheres envolvidas. Ainda no capítulo 1, Omar, agora com uns 10 anos de idade, e Yaqub, se apaixonam por Lívia e esta, parece interessada nos dois. Não conhecemos nada da menina, ela simplesmente aparece para “provocá-los” e causar discórdia.

Na cena em que eles vão a exibição de um filme, na casa dos vizinhos, Yaqub beija Lívia e Omar, possuído pelo ciúme e ódio, quebra uma garrafa de vidro e corta o rosto do irmão. Zana, a mãe sofredora, não sabe lidar com a situação sem magoar um dos filhos e Halim, o pai bipolar, decide enviar o filho machucado para o Líbano, seu país de origem, por alguns anos.

Nesse trailer da série é possível ver a cena do corte.

O tempo passsa e a relação de Zana e Omar, agora confusa, com beijos no pescoço e pegadas por trás, fica mais forte e ambígua, enquanto Yaqub, volta, anos depois, mais quieto do que nunca e sem se sentir um membro da família. Ou seja, Yaqub, quem levou a cortada, que foi mandado embora e, exatamente ninguém, sentou para conversar com Omar e dizer que o que ele fez foi errado.

Por meio de narrativas assim, continuamos a ensinar aos meninos que quanto mais violento e dominador eles forem, mais eles provarão sua masculinidade. A mídia, seja televisão, cinema, internet, quadrinhos, etc, tem um papel essencial na construção de um indivíduo e quando mostramos cenas nesse estilo , crianças e adultos permanecem com a ideia estereotipada de masculinidade como forma de oprimir e dominar.

Além disso, a não ser pela personagem Zana, que é a mãe dos gêmeos, todas as mulheres mal falam e tampouco tem personalidade e histórias interessantes. A maioria aparece para saciar as vontades dos homens ou causar “discórdia” entre eles, o que me fez lembrar o texto que li no site groknation.com, “Porquê mulheres são vistas como puritanas ou putas?”.

Na imagem, a personagem Lívia, mais conhecida como a “causa” da discórdia entre os irmãos.

Segundo uma das colaboradoras do groknation*, Sa’iyda Shabazz, “As duas primeiras imagens de mulheres foram ou a Virgem Maria ou Maria Madalena, uma prostituta que buscava a redenção de Jesus. Quando somente há duas únicas visões de mulheres, desde os primórdios, como é que se supõe que iremos passar adiante disso? […] Nós ainda preferimos manter as mulheres ao padrão da mãe virgem, porque é mais seguro, do que ver as mulheres como pessoas totalmente formadas que podem desfrutar de algo como o sexo, sem motivos de procriação.” (Tradução livre)

Outro detalhe interessante é vermos as cenas de Zana e Rânia, sua filha, numa eterna disputa de poder e beleza, além de que, conforme a própria narração diz sobre a mãe: “ao envelhecer, Zana perde sua beleza para a filha”. Enquanto jovens, somos lindas, quando envelhecemos, somos esquecidas e rechaçadas e, claro, a disputa entre mulheres não foge nem dentro da família. Nao sei aonde iremos parar com esses “ensinamentos”.

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Zana, interpretada por Gabriela Mustafá, Juliana Paes e Eliane Giardini.

E o quê falar da personagem Domingas (Zahy Guajajara)?

Quando criança, ela fica órfã e é entregue à Zana, como um presente, para servir como empregada doméstica, mas, na verdade, ela se torna uma escrava. O próprio narrador, que é seu filho, comenta “Domingas é meio ãma, meio escrava”. Meio não, ela é escravizada, humilhada e abusada o tempo todo. Inclusive, a personagem é estuprada pelo gêmeo Omar e NINGUÉM comenta o assunto e a jovem ainda é humilhada, quando anda com seu filho pela cidade, chamada por nomes horríveis, até mesmo pela “patroa”, que diz não querer “um filho de ninguém” em sua casa.

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Domingas (Zahy Guajajara).

Será que ninguém percebe o quão errado é isso? No momento em que uma das personagens é humilhada, estuprada, abusada, e não tem sequer voz e história por trás, fica a entender de que ela pertence à família e eles podem fazer o que quiserem com ela, especialmente os homens. Esse tipo de história concretiza a ideia de que nós, mulheres, somos meros objetos de prazer masculino. E não, nós NÃO somos! Sem contar que, também remete à ideia de que índios são inferiores, sendo justificável os brancos, no caso, libaneses, escravizá-los.

Para piorar, as outras mulheres, maioria negras ou estrangeiras, aparecem quando Omar quer transar ou quando quer provocar sua família, em particular sua mãe, que insiste em humilhar as moças, as chamando de vadias e destruidoras de lares, passando a mão na cabeça do filho, que estupra, abusa e soca quem ele quiser, sem nunca ser punido.

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O filho quem leva a “destruidora de lares” para casa e ela quem é humilhada e expulsa do lugar.

Por fim, entendemos que a redenção de Omar acontece, quando seu filho, Nael, vindo de um estupro, estende suas mãos ao “pai”, querendo ouvi-lo dizer perdão. Infelizmente, Omar, assim como a maioria dos homens, que usam e abusam de sua “masculinidade”, nunca assume e, talvez, nem entenda seus erros, enquanto, Domingas são esquecidas e jogadas ao mar. É simplesmente cansativo vermos minisséries como esta, em que os homens seguem esse padrão de violentar quem eles bem quiserem para provar seu lugar como macho alfa e nunca serem reprimidos ou punidos por seus crimes.

Até quando insistiremos em histórias assim?

Ano passado, tivemos o prazer de assistir Justiça que, mesmo tendo histórias tristes e pesadas, deu um show de humanidade. Então por que não vemos mais programas como este, ao invés de Dois Irmãos, que somente investe em misoginia, preconceito, ódio e mais ódio? O que estamos querendo passar aos nossos meninos/homens e o que estamos dizendo sobre nossas meninas/mulheres?

Para refletir sobre o assunto, indico o documentário the Mask You Live In , abordado pela Louise Queiroga, no texto “A máscara que os meninos usam”, em que a autora diz O filme aborda como a masculinidade é socialmente construída e o quanto isso fere a forma de como os homens poderiam se expressar”. Ademais, o doc ainda mostra como a mídia influência no desenvolvimento de caráter de uma pessoa.

Sendo assim, uma produção que tinha tudo para ser extraordinária, acaba ferindo as mulheres e perpertua a educação machista de nossa sociedade. Uma das coisas que salva o programa, é a maravilhosa interpretação de Juliana Paes e Eliane Giardini, mas, até mesmo a primeira, quando elogiada, tem seu corpo e nudez glorificado e o talento velado.

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As primeiras notícias do Google, ao pesquisar sobre a atriz na minissérie, são sobre as cenas em que ela aparece nua.

*groknation.com: é o site da atriz e neurocientista Mayim Bialik, mais conhecida pelo papel de Amy Farrah Fowler, na sitcom americana The Big Bang Theory.

BIBLIOGRAFIA:

GROKNATION. FEMINISM 101: WHY ARE WOMEN ONLY SEEN AS “PRUDES” OR “SLUTS”?. 2017. Diponível em: <http://groknation.com/women/feminism-101-why-are-women-only-seen-as-prudes-or-sluts/&gt;. Acesso em: 22 de jan. 2017.

GSHOW.‘Dois Irmãos’: conheça a história da nova minissérie da Globo. 2017. Disponível em: http://gshow.globo.com/tv/noticia/2016/11/dois-irmaos-conheca-historia-da-nova-minisserie.html&gt;. Acesso em: 22 de jan. 2017.

WIKIPEDIA. Dois Irmãos. 2017. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Dois_Irmãos_(minissérie)&gt;. Acesso em: 22 de jan. 2017.

Women’s March: a marcha das mulheres e o que está por trás do evento.

O dia 16 de janeiro de 2017 foi considerado o dia mais triste do ano, chamado de “Blue Monday”, segundo o estudo de Cliff Arnall, psicólogo da Universidade de Cardiff, no País de Gales. No entanto, ao meu ver, o dia mais triste do ano é hoje.

Hoje, infelizmente, nós perdemos e muito. No dia 20 de janeiro de 2017, Donal Trump assume a presidência dos Estados Unidos e é doído escrever sobre isso. Hoje, nos despedimos da maravilhosa família Obama e entramos numa era assustadora, com Trump, Temer, Brexit*, tristeza e tristeza.

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“A Esperança é necessária.” Já estamos com saudades, Michelle!

Como não sou jornalista e não entendo tanto de política, eu vou mudar o foco do texto e falar sobre a luta feminista e, mais especificamente, o Women’s March (Marcha das Mulheres), que irá ocorrer amanhã, dia 21 de janeiro de 2017.

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“Marcha das Mulheres em Washington, 21 de janeiro de 2017, às 10hrs”

No dia após a posse do novo presidente, mulheres irão marchar, para que suas vozes não mais sejam silenciadas. A ideia surgiu depois que os resultados das eleições presidenciais saíram, nos EUA, tendo como ponto de partida, a cidade de Washington e, agora, são mais de 600 cidades. No site do womensmarch, é possível ler sobre a missão e visão do projeto:

“Estamos juntos em solidariedade com nossos parceiros e crianças para a proteção de nossos direitos, nossa segurança, nossa saúde e nossas famílias – reconhecendo que nossas comunidades vibrantes e diversas são a força do nosso país.”(Tradução livre)

E por quê essa caminhada é tão importante para a sociedade?

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“Quando os poderosos usam sua posição para praticar bullying nos outros, todos nós perdemos.”

Aproveitando a fala da querida Meryl Streep, no Globo de Ouro 2017, vale a reflexão de que está mais do que na hora de discutirmos o quão assustador e retrógrado será, para todos nós, um homem como o Trump assumir a presidência de uma das maiores potências econômicas atuais, destilando ódio e preconceito em todas as suas falas.

Eu não vou fazer esse texto criticando ele, porque senão eu escreveria um livro de 500 páginas só pro primeiro capítulo, mas, sim, usarei as palavras das líderes da Marcha, para mostrar o quão importante esse evento será.

“A Marcha das Mulheres em Washington enviará uma mensagem ousada ao nosso novo governo em seu primeiro dia no comando e para o mundo, de que os direitos das mulheres são direitos humanos. Estamos juntos, reconhecendo que defender os mais marginalizados entre nós é defender a todos nós.”(Tradução Livre)

Como o grupo deixa bem claro no site, essa luta não é só contra o machismo e misoginia, é contra todo e qualquer tipo de preconceito. É a favor de todas as minorias, que, por sinal, são os grupos de maior ataque do atual presidente.

Segue o link da página do Facebook, Women’s March on Washington, com um vídeo (em inglês) explicando sobre o evento.

https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fwomensmarchonwash%2Fvideos%2F1401849963161612%2F&show_text=1&width=560

Como a Paula Cosme Pinto diz muito bem, no texto A Marcha das Mulheres também é sobre os homens” no site Expresso: Se a forma misógina, desrespeitosa e totalmente discriminatória como se refere ao sexo feminino (mais de metade da população mundial) não era suficiente para irmos todos para a rua, então que pensemos também nos comentários racistas, xenófobos, homofóbicos e totalmente desproporcionados no que toca a diabolizar minorias ou populações mais excluídas. Na forma como constantemente desrespeitou e pôs em causa as regras mais básicas do direitos civis e humanos, no seu país e nos demais.”

Também no site Nexo, podemos ler que: “Em entrevista ao jornal “The New York Times”, Breanne Butler, uma das organizadoras da marcha, disse que a manifestação é uma afirmação política, uma demonstração de “boas vindas” por parte de grupos marginalizados e atacados por Trump durante a campanha presidencial, que agora tentam mostrar estar atentos a suas ações. Por isso, direitos de imigrantes e de minorias em geral também estão em pauta, além das questões de gênero.”

Ou seja, essa marcha põe em pauta todas as questões que homens brancos, como Donald Trump, insistem em pisotear e debochar, cegos com todo o seu privilégio.

Os 5 princípios do Women’s March, retirado do site original, com tradução livre, são:

  1. A não-violência é um modo de vida para pessoas corajosas.
  2. A amada Comunidade é o quadro para o futuro.
  3. Ataque as forças do mal, não as pessoas que fazem o mal.
  4. Aceitar o sofrimento, sem retaliação, pelo bem da causa, para alcançarmos nosso objetivo.
  5. Evitar a violência interna do espírito, assim como a violência física externa.

Ainda de acordo com o site, para as brasileiras e brasileiros interessados na causa, haverá uma marcha na cidade do Rio de Janeiro, em Ipanema – Praça Nossa Senhora da Paz, dia 21 de janeiro às 13hr. Segue o evento no facebook. Para os que não poderão ir, espalhe a notícia ou use a hashtag #WhyIMarch e mostre sua força e resistência, mesmo que através da internet. Estamos juntos nessa!

Sendo assim, em tempos em que levamos golpes cruéis, como no Brasil ou pela ascensão dos republicanos no EUA, não por Trump ser o mais votado, visto que Hillary Clinton teve 2,9 milhões de votos à mais, mas pelo sistema antiquado que silencia a democracia, devemos mais do que nunca, nos juntar nessa causa e usarmos nossa força maior: a fala.

Não ao ódio, ao preconceito, ao racismo. Chega de homofobia, machismo e xenofobia. Chega, Chega, CHEGA!

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“Mulheres do mundo unidas.”

BÔNUS DO DIA

Para quem tem interesse em ler e entender um pouco mais sobre a luta feminista, segue o link do texto em que falo sobre o documentário “She is Beautiful When She is Angry”.

*Brexit: é a abreviação das palavras em inglês Britain (Grã-Bretanha) e exit (saída). Designa a saída do Reino Unido da União Europeia.

BIBLIOGRAFIA:

DN.Resultado final: Hillary teve mais quase 2,9 milhões de votos que Trump. 2016. Disponível em: <http://www.dn.pt/mundo/interior/resultado-final-hillary-teve-mais-quase-29-milhoes-de-votos-que-trump-5567750.html&gt;. Acesso em: 20 de jan. 2017.

DE LIMA, Juliana Domingues. As mulheres que marcharam em Washington em 1913. E as que prometem marchar em 2017. 2017. Disponível em: <https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/01/17/As-mulheres-que-marcharam-em-Washington-em-1913.-E-as-que-prometem-marchar-em-2017?utm_campaign=a_nexo_2017117_-_duplicado&utm_medium=email&utm_source=RD+Station&gt;. Acesso em: 19 de jan. 2017.

PINTO, Cosme Paula. A Marcha das Mulheres também é sobre os homens. 2017. Disponível em: <http://expresso.sapo.pt/blogues/bloguet_lifestyle/Avidadesaltosaltos/2017-01-20-A-Marcha-das-Mulheres-tambem-e-sobre-os-homens&gt;. Acesso em: 20 de jan. 2017.

UOL NOTÍCIAS. Hoje é ‘Blue Monday’,o dia mais triste do ano, mostra estudo. 2017. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/ansa/2017/01/16/hoje-e-blue-mondayo-dia-mais-triste-do-ano-mostra-estudo.htm&gt;. Acesso em: 20 de jan. 2017.

WOMEN’S MARCH. 2017. Disponível em: <https://www.womensmarch.com/mission/&gt;. Acesso em: 20 de jan. 2017.