Me livrei das amarras conservadoras (e quiçá fascistas) que ainda prendem membros da minha família

A História é cíclica e já é possível perceber semelhanças entre o que está acontecendo no Brasil, diante da liderança de Você-Sabe-Quem nas pesquisas eleitorais, e o movimento integralista nos anos 1930. A Ação Integralista Brasileira tinha por inspiração o fascismo, disseminado por Mussolini na Itália, e por Hitler na Alemanha (nazismo).

“Os integralistas (…) seguiam o lema ‘Deus, pátria e família’ e saudavam o chefe com o brado ‘Anauê!’. Os integralistas sonhavam com uma ditadura nacionalista que eliminasse os comunistas. Na época, a Igreja católica era politicamente conservadora. Muitos padres brasileiros aderiram ao integralismo crendo que só o fascismo preservaria a moral cristã no Brasil”. (SCHMIDT, 2005, p. 144)

O discurso fascista mostrado no trecho acima, retirado do livro “Nova História Crítica”, que foi o que usei na 8ª série, lembra bastante o atual bordão daquele-que-não-deve-ser-nomeado: “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”. Aliás, ainda durante o início do governo de Getúlio Vargas, em 1934, o presidente já demonstrava simpatia ao movimento integralista. O problema maior surgiu em 1937, quando o governo forjou uma tramoia comunista e a usou como pretexto para dar um golpe na democracia.

“Apoiado pelas Forças Armadas, Getúlio cancelou as eleições e fechou o Congresso”. (SCHMIDT, 2005, p. 146)

Daí veio uma nova Constituição e começou a ditadura do Estado Novo, que perdurou até 1945.

Mas por que estou falando sobre esse período em particular, se em geral as pessoas comentam mais a respeito da Ditadura Militar de 1964 a 1985 para criticar o inominável? Porque me preocupa o tempo que leva para determinados pensamentos serem erradicados na sociedade.

Digamos que um homem que apoiava o integralismo tenha tido uma filha, que por sua vez tornou-se mãe. E o filho dela também procriou. Como quebrar essa linha de pensamento que contamina as relações humanas com discriminação, seja por meio do racismo, homofobia, ou machismo.

Com tantas pessoas ainda hoje apoiando esse tipo de discurso, quando a sociedade será formada por indivíduos que entendam os erros do passado para que eles não sejam repetidos? Até quando o nome de Deus será usado para legitimar discurso de ódio? E pior: demonstrar o ódio às minorias, como vimos nesta semana um vídeo de homens gritando que Você-Sabe-Quem mataria os gays. Afinal, não foi o próprio inominável que disse preferir um filho morto do que um filho homossexual? Difícil pensar que não há relação entre a fala e a manifestação de ódio, não é mesmo?

Mas eu tento não julgar essas pessoas por elas terem crescido no meio de homens opressores que estavam ali moldando a visão de mundo delas desde crianças. Se antes a função social da mulher era ser esposa e mãe, por exemplo, após a luta de muitas, hoje podemos estudar, trabalhar, sermos independentes. E ainda temos que persistir nessa luta diária pela equidade.  O que me motiva é justamente a minha própria existência. Quando penso que me livrei das amarras conservadoras (e quiçá fascistas) que ainda prendem membros da minha família, me vejo abraçada pela esperança de uma sociedade menos facista e mais liberal.

Jane, A Virgem: o dramalhão mais divertido da atualidade

Sabe aquela série que você assiste o primeiro episódio e acha meio “bleh”? Então, eu assisti  Jane, The Virgin e não me apaixonei, no entanto, por uma sorte muito grande, recentemente eu insisti nessa série e finalmente DEU MATCH!

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Cartaz da série.

SINOPSE: Jane é uma jovem religiosa que trabalha como garçonete em um hotel em Miami e tem sua vida virada de cabeça para baixo quando sua médica acidentalmente faz uma inseminação artificial nela. Agora, Jane precisa tomar a maior decisão de sua vida.

O piloto da série não me convence tanto porque fazer inseminação artificial na paciente errada é um erro médico gravíssimo e uma clínica série nunca faria isso. Porém, depois de conhecer melhor a médica que comete o erro e entender que esse acidente foi só o impulso da série, eu ignorei esse detalhe e fui me encantar com tamanha criatividade e diversidade numa série americana.

Antes de qualquer coisa, é preciso deixar claro que essa série é uma adaptação da telenovela venezuelana Juana, la virgen (2002). Eu não acompanhei a novela, mas a série é bastante fiel aos clichês de novelas, o que dá um charme ao programa.

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“Mas eu nunca fiz sexo!”

1) Representatividade Latina

Pra quem está acompanhando o que tem acontecido em Hollywood sabe que muitas celebridades estão falando abertamente sobre os abusos, machismo e a falta de punição aos opressores. Além disso, existem outras reivindicações, como uma maior diversidade na frente e por trás das câmeras.

Ou seja, ninguém aguenta mais ver macho hetero branco sendo protagonista porque o mundo vai além de macho branco. Sendo assim, uma maior diversidade seria dar protagonismo as mulheres, aos negros, personagens LGBTQ e de outras nacionalidades, por exemplo.

Com isso, acredito que a série Jane, A Virgem teve êxito nesse quesito, pois a protagonista é uma jovem mulher, interpretada pela atriz Gina Rodriguez, que vive com sua mãe e sua avó, é descendente de venezuelanos e todas falam espanhol. Aliás, a avó só fala a língua espanhola e nada de inglês.

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Aleluia mesmo!

2) Além dos esteriótipos

Para quem está acostumado com novelas sabe que esse tipo de narrativa usa e abusa de esteriótipos e isso é cansativo. Apesar de Jane, The Virgin ser carregado de esteriótipos, a trama usa isso como artifício de humor e, em alguns casos, para nos fazer refletir.

Por exemplo, a Alba (Ivonne Coll), avó de Jane, entrou ilegalmente nos EUA e ela teme que o governo descubra e a deporte. No entanto, o público se encanta com a “abuela” e a gente começa a entender o lado humano e toda vez que ela corre o risco de ser deportada, a gente sofre junto com ela e torce para que isso não aconteça.

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Sim, sim, é amor por você Alba.

Além disso, Alba é uma mulher absurdamente religiosa e foi justamente ela quem convenceu Jane a se casar virgem. Porém, ao mesmo tempo em que é bastante conservadora, ela quebra tabus quando se trata de amor e família, pois sua filha e mãe de Jane, Xiomara (Andrea Navedo), engravidou aos dezesseis anos de idade e criou a filha sozinha com a ajuda da mãe.  Eu não resisto quando tem um núcleo de família em que mãe, filha e neta são super próximas e o porto seguro uma da outra.

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Suas lindas!

3) Mulheres independentes

Falando na Xiomara, a história dela é muito interessante também. Ela engravidou muito nova, contou ao rapaz e ele pediu que ela fizesse um aborto, só que ela seguiu o caminho oposto e criou sua filha sem ajuda nenhuma do pai.

Ademais, ela é aquele mulherão que conquista os homens e ela aproveita isso bastante. Ao longo dos anos, Xiomara se relacionou com vários homens e teve poucos relacionamentos sérios, por escolha própria. Numa sociedade tão conservadora quanto a nossa, essa personagem seria bem crucificada, mas o que a gente vê é uma mãe religiosa que apesar de criticar a filha, nunca a abandonou.

E claro, não posso me esquecer que o sonho de Xiomara é ser uma cantora famosa, mas como ela teve filha muito cedo acabou deixando este sonho de lado. No entanto, agora que sua filha já está crescida, ela continua atrás do seu sonho e a gente sofre com as rejeições que ela tem por ser uma mulher mais velha e torce para que ela tenha seu momento de brilhar.

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Você mesma, Xiomara!

Continuando a listinha, a própria protagonista é um ótimo exemplo de mulher independente. Ela acabou de se formar, não aceita os vacilos dos homens ao seu redor, mesmo quando está mega apaixonada, investe no seu sonho de ser escritora, optou por continuar virgem até o casamento – eu acho isso ótimo porque assim como a mulher tem o direito de transar quando achar que deva, ela também pode fazer essa escolha de se resguardar, cabe a cada mulher (homem também) decidir a hora certa de perder a virgindade – e segue adiante enfrentando tudo o que vem pela frente.

Ainda, aproveito para fazer propaganda da atriz que interpreta Jane, a Gina Rodriguez. Ela luta bastante pela boa representatividade da cultura latina no audiovisual norte-americano, que insistiu por anos em usar esteriótipos ofensivos e repetitivos e agora está dando voz a várias culturas que merecem esse espaço.

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“Esse prêmio vai além de mim. Ele representa uma cultura que quer se ver como heróis.”

Para não falar de todas as personagens mulheres que existem na série, vou terminar a listinha com a Petra Solano (Yael Grobglas).

A Petra é a vilã e rival de Jane, sim ela é um estereótipo que eu particularmente detesto, pois faz de tudo para manter seu homem e ter dinheiro. Entretanto, há algo que eu gosto bastante nessa personagem que é o passado dela e os relacionamentos abusivos que ela vive e como é IMPORTANTE debater isso.

Não irei adentrar na história dela porque seria um baita spoiler, mas direi o seguinte: ela se envolve com homens muito agressivos e vive relacionamentos absurdamente abusivos e, mesmo sendo a vilã da história, a gente sente a dor dela na pele quando ela passa por algum tipo de agressão física ou verbal. A verdade é que homem NENHUM tem o direito de encostar o dedo em alguma mulher de forma violenta ou sem a autorização dela e, independente de ser amiga ou não da mulher em questão, sempre a defenderei de homens machistas que merecem estar na cadeia.

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Feminismo sempre!

4) Representatividade LGBTQ

Apesar de não ter muitos personagens LGBTQ, ao menos não na primeira temporada, o casal Rose (Bridget Regan) e Luisa (Yara Martinez) foge de muitos esteriótipos que estamos acostumados a ver sobre lésbicas.

A história delas é tão louca quanto a do casal protagonista, mas não existe homofobia ou queerbaiting*. Rose é casado com o pai de Luisa, porém elas se envolveram antes de saber desse detalhe e acabaram se apaixonando de verdade.

É difícil falar desse casal sem dar spoiler, no entanto, o que eu acho legal é ver duas mulheres lindas que realmente se apaixonaram uma pela outra e tentam viver essa paixão de alguma forma. Como nenhum casal é normal nessa série, acho mega válida a história delas e AMO todas as cenas em que elas aparecem juntas!

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Rose e Luisa.

5) Os homens da série

É complicado falar de macho sem se decepcionar, ainda mais com tudo o que tem acontecido em Hollywood, todavia, eu gostaria de dar destaque a alguns personagens masculinos.

Vamos começar pelo Michael Cordero Jr. (Brett Dier).

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Michael e Jane.

Ele é um policial, todo certinho, completamente apaixonado pela namorada, que é a Jane e, o que eu acho mais incrível, é que eventualmente ele aceita o fato de que Jane decidi continuar com a gravidez – mesmo tendo sido um erro médico e não sendo filho dele – e ele não age de forma agressiva com ela, como muitos homens agiriam no lugar dele.

Sim, esse personagem comete erros e faz umas machices que cansam, mas ele nunca usa a força física para se impor ou tentar diminuir Jane ou as mulheres a sua volta e, por isso, eu tenho que parabenizá-lo. No mundo em que vivemos, o que eu mais vejo são personagens masculinos, policiais ou não, absurdamente agressivos e grosseiros e ver um que foge desse padrão me deixa contente.

Como ainda estou na primeira temporada, não sei se há alguma mudança brusca no comportamento dele, mas até agora eu gosto bastante da forma como ele age e acho fofo o quanto ele é apaixonado pela Jane.

Agora, vamos ao Rafael Solano.

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Rafael Solano

O maior playboy, filhinho de papai, mas que durante sua jornada na trama tem uma evolução de caráter muito grande. Digamos que ele era o típico Joey e Barney (só que bonito) e isso desanima bastante, porém ele tem câncer e descobre que somente poderá ter filhos com a amostra de esperma que foi acidentalmente inseminado na Jane, ao invés de sua namorada.

A temporada vai seguindo e ele passa a enxergar Jane de um jeito diferente, se apaixonando e se transformando num cara determinado a esperar pelo casamento para finalmente transar com ela, ser pai e constituir uma família.

Acontece muita coisa doida na vida dele, então é possível entender alguns surtos que ele tem, mas eu gosto do jeito que ele vai amadurecendo e melhorando na narrativa.

Por último, o personagem masculino que mais me diverte, Rogelio de La Vega (Jaime Camil).

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Sou eu mesmo.

Rogelio é um ator famoso de telenovelas que só fez sucesso depois dos trinta e nove anos, absurdamente dramático e pai biológico de Jane. Na época, ele não ficou sabendo que Xiomara continuou com a gravidez e só soube da existência de sua filha quando ela já tinha vinte e três anos de idade. Assim, ele decide recuperar o tempo perdido e dá uma de “paizão”.

Apesar do desastre que ele é, fazendo tudo de uma forma épica e exagerada, eu acho muito fofo o jeito que ele se encanta pela filha e como se esforça pra recuperar o tempo perdido. Além disso, ele acaba se apaixonando de novo pela Xiomara e eu AMO o casal Xiomara e Rogelio. É o núcleo mais divertido da série e pra quem gosta de “draminha”, vulgo mimimi, vai se divertir horrores com eles dois.

E claro, por fim, quem interpreta a mãe do Rogelio é a atriz Rita Moreno, a “abuela” de One Day at a Time, deusa, maravilhosa, mais amada do Netflix, que eu falo no meu post anterior.

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Rogelio e Xiomara.

Sendo assim, assistam a série e não julguem sem pelo menos assistir a primeira temporada, pois Jane, The Virgin é uma série de comédia incrível!

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Elenco principal da série.

*queerbaiting – uma estratégia midiática utilizada na indústria do entretenimento para atrair o público que foge do padrão da cis-heteronormatividade. Ele se concretiza quando há alguma espécie de tensão sexual ou romântica entre personagens do mesmo gênero, tendo o intuito de tornar a produção representativa, mas sem desagradar a parcela conservadora da audiência.

Amor & Sexo & FEMINISMO

Você conhece o programa Amor & Sexo, exibido no canal Rede Globo e apresentado pela Fernanda Lima?

Para quem não conhece o show, ele foi lançado em 2009 e aborda sexualidade de uma maneira direta, porém sutil. Tanto a apresentadora, quanto os convidados famosos e a plateia falam sobre a liberdade individual, diversidade e respeito nos relacionamentos, estimulando o diálogo entre amigos e famílias.

Cada temporada possui dez episódios e, cada episódio, possui um tema específico. Nesta quinta-feira, 26, o programa estreou sua décima temporada e o assunto da vez foi o FEMINISMO.

“A gente acredita na igualdade de direitos entre homens e mulheres. Para quem não sabe, isso é feminismo” diz a apresentadora.

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A apresentadora e redatora final, Fernanda Lima.

Particularmente, sempre achei as pautas do Amor & Sexo maravilhosas e, elas me ajudaram muito, para entender melhor sobre sexo e relacionamento, visto que o primeiro ainda é um grande tabu na nossa sociedade e ambos vêm carregados de regras machistas.

Com isso em mente, o episódio de ontem fez HISTÓRIA e nós precisamos falar sobre isso. Quando um canal aberto como a Globo, que normalmente investe em conteúdos com padrões conservadores e misóginos, exibe um espetáculo de empoderamento feminino, todos nós, seres humanos, ganhamos e MUITO.

O programa começou com uma apresentação musical, como de costume, com a música “Piranha*” e, seguiu, com Fernanda Lima, as bailarinas e as convidadas, “queimando” sutiãs e questionando o machismo que cada uma vivencia no dia a dia.

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Ao tirar o sutiã e queimá-lo, cada mulher falava uma frase empoderada, como: “Se eu quiser, eu dou na primeira vez.”

Nesse momento, algumas convidadas usaram palavras como piranha, vadia, vagabunda, que, sempre vêm carregadas de ódio e repressão e as deram novos significados, como:

Piranha: “É o direito de fazer o que quiser com o nosso corpo”, dito pela pesquisadora na área de Filosofia Política e feminista Djamila Ribeiro.

Além disso, a apresentadora abriu espaço para outras vozes feministas, além dela, como mulher cis, branca e hétero, para falarem das suas necessidades. Como já foi dito no site do Projeto Nellie Bly, no texto “A luta feminista: dos anos sessenta aos dias atuais”, é muito importante entendermos que dentro do feminismo existem várias questões, mas, se as mulheres não se unirem e deixarem de abraçar as questões das outras, todas nós perdemos.

Sendo assim, o programa convidou as cantores Gaby Amarantos e Karol Conka, que falaram do feminismo das mulheres negras e, também, abriu espaço, mesmo que pouco, para mulheres da comunidade LGBTQ. Infelizmente, estas últimas não tiveram muita chance de falar, no entanto, a cantora da banda do programa é a drag queen Pabllo Vittar e isso já é incrível e merece ser aplaudido, além de que, a primeira bailarina a queimar o sutiã, falou: “Pelo prazer de ser uma mulher homossexual”.

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A apresentadora e redatora final, Fê Lima, ainda deu espaço para Thais Ataíde falar da Marcha das Vadias*, que começou no Canadá em 2011, quando um policial foi dar dicas de seguranças e errou feio, dizendo que mulheres deveriam evitar se vestir como vadias para não serem estupradas. A partir disso, mulheres do Canadá e, agora, de todo o mundo, participam dessa Marcha, vestidas de “vadias”, para mostrar que independente da roupa que usamos, homem NENHUM tem o direito de encostar no nosso corpo, sem a nossa permissão.

E o que falar da habitante da Galáxia Clitoriana, que, inclusive, fez questão de mudar seu gênero e se autonomeou A Clitória?

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Grace Gianoukas como Clitônia.

A atriz e humorista, Grace Gianoukas, fez uma participação vestida de Clitóris (órgão do prazer feminino) para falar do orgasmo feminino e quebrar mais este tabu, visto que a maioria das mulheres nunca teve um orgasmo na vida. Com a fala “Yes, nós temos ereção!”, a personagem deixou claro que PRECISAMOS FALAR DE ORGASMO E CLITÓRIS, SIM, até porque, senhoras e senhores, somente nós, mulheres, conseguimos ter orgasmos múltiplos e isso é maravilhoso!

Ademais, em uma das cenas mais lindas, Elza Soares foi homenageada no programa de estreia e LACROU*, entrando no palco sentada num trono em forma de salto alto, aonde cantou e, depois, falou da sua história de vida e como batalhou para conquistar seu espaço. Hoje, Rainha Elza, é uma das maiores artistas do Brasil, não sendo à toa que a cantora e compositora venceu o Grammy Latino 2016 pelo disco “A Mulher do Fim do Mundo“.

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Elza Soares em Amor & Sexo.

Por fim, depois de muitos assuntos maravilhosos, debatidos de forma descontraída e divertida, Fernanda Lima fala sobre o Ligue 180 – número para denúncia da violência contra a mulher – e fecha o show, mostrando que mesmo com todas as conquistas para a igualdade de gênero, as estatísticas no Brasil confirmam que ainda são necessárias MUITAS MUDANÇAS, pois “A cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil”.

Trecho em que a apresentadora fala sobre as estatísticas.

BÔNUS DO DIA

Para quem tem interesse em assistir o episódio comentado, segue o link no YouTube, com o programa completo.

Link com o episódio de estreia da décima temporada de Amor & Sexo.

*Piranha: música interpretada por Alípio Martins.

*Marcha das Vadias: é um movimento que surgiu a partir de um protesto realizado no dia 3 de abril de 2011 em Toronto (Canadá) e, desde então, se internacionalizou, sendo realizado em diversas partes do mundo. A Marcha protesta contra a crença de que as mulheres que são vítimas de estupro teriam provocado a violência por seu comportamento. As mulheres durante a marcha usam não só roupas cotidianas, mas também roupas consideradas provocantes, como blusas transparentes, lingerie, saias, salto alto ou apenas o sutiã.

*Lacrou: é uma gíria que corresponde a um elogio para quem foi muito bem em alguma coisa, que deixou os outros sem fala ou sem reação.

BIBLIOGRAFIA:

GSHOW.’Amor & Sexo’ fala sobre feminismo em programa de estreia. Confira!. 2017. Disponível em: <http://gshow.globo.com/tv/noticia/amor-sexo-fala-sobre-feminismo-em-programa-de-estreia-confira.ghtml&gt;. Acesso em: 27 de jan. 2017.

GSHOW. ‘Elza Soares é homenageada na estreia de ‘Amor & Sexo’: ‘Ia até o inferno por amor, hoje não vou mais’. 2017. Disponível em: <http://gshow.globo.com/tv/noticia/elza-soares-e-homenageada-na-estreia-de-amor-sexo-ia-ate-o-inferno-por-amor-hoje-nao-vou-mais.ghtml&gt;. Acesso em: 27 de jan. 2017.

SPM. Central de Atendimento à Mulher. 2017. Disponível em: <http://www.spm.gov.br/ligue-180&gt;. Acesso em: 27 de jan. 2017.

WIKIPEDIA. Marcha das Vadias. 2017.Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Marcha_das_Vadias&gt;. Acesso em: 27 de jan. 2017.

Oscar 2017: os recordes como um passo para a Diversidade

Quem acompanha, anualmente, a premiação do Oscar deve-se lembrar de que, no ano passado, ocorreu uma grande revolta por parte de famosos e do público devido às indicações.

No ano de 2016, somente atores, atrizes e diretores brancos foram indicados nestas categorias, o que foi suficiente para mostrar a falta de diversidade fora e dentro das telas. Com isso, muitas pessoas do mercado audiovisual americano, assim como os fãs, utilizaram a hashtag #OscarSoWhite, como forma de protesto, além de que alguns famosos se recusaram a comparecer na premiação.

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Esses foram os artistas indicados nas categorias de Melhor Ator e Atriz e Melhor Ator e Atriz Coadjuvante em 2016.

Apesar das divergentes opiniões sobre o assunto, eu acredito que esse movimento foi de extrema importância para questionar a supremacia branca no maior prêmio cinematográfico de Hollywood.

Por meio dessa polêmica, a presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas*Cheryl Boone Isaacs, primeira mulher negra a assumir o cargo, disse, ainda no ano de 2016, que “o conselho iria se comprometer a duplicar o número de mulheres e membros diversos da Academia até 2020”. Desde então, eles começaram a convidar novos membros, como por exemplo, a diretora brasileira Anna Muylaert.

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Cheryl Boone Isaacs, primeira mulher negra presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Com isso em mente, aproveitando que a lista dos indicados foi divulgada nessa semana, no dia 24/01, farei uma breve análise sobre os recordes deste ano, mas também mostrarei que ainda falta muito para alcançarmos a igualdade e diversidade necessária neste meio.

1) Pontos Positivos:

Em primeiro lugar, vamos falar da Diva Viola Davis, que teve sua terceira nomeação, como Melhor Atriz Coadjuvante, pelo filme Cercas (2016). A atriz já havia concorrido por Dúvida (2008) e Histórias Cruzadas (2011) e, assim, se tornou a primeira atriz negra a receber três indicações ao Oscar.

Além disso, é a primeira vez na história em que três atrizes negras concorrem na mesma categoria (Melhor Atriz Coadjuvante) no Oscar do mesmo ano. As indicadas são: Viola Davis (Cercas), Naomie Harris (Moonlight: Sobre a Luz do Luar) e Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo).

Em segundo, vem a indicação da maravilhosa Meryl Streep, que quebrou o seu próprio recorde, recebendo sua vigésima nomeação. Ela concorre como Melhor Atriz pelo filme Florence Foster Jenkins (2016) e, de quebra, fez um discurso lindo ao receber o prêmio Cecil B. DeMille* no Globo de Ouro 2017.

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Você é maravilhosa, Meryl!
Em terceiro lugar e, uma das mais lindas nomeações, foi a da montadora americana, Joi McMillon, na categoria de Melhor Edição, pelo filme Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016), conquistando o posto de primeira mulher negra a concorrer como Melhor Editora. No site do mulhernocinema.com é possível saber um pouco mais sobre a carreira de Joi, no texto “Joi McMillon é a primeira mulher negra indicada ao Oscar de edição” e, como esta, mesmo com todas as dificuldades, conquistou seu espaço na sétima arte.

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Joi McMillon e Nat Sanders, também Editor do Filme.
Em quarto, temos a indicação de Ai-Ling Lee e Mildred Iatrou Morgan, por Melhor Edição de Som, sendo o primeiro time indicado nesta categoria, composto só por mulheres. Elas concorrem pelo musical La La Land (2016).

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Cartaz do filme.
Ademais, ainda temos o recorde do ator Denzel Washington, que foi nomeado pela sétima vez, pelo filme Cercas (2016), também quebrando o seu próprio recorde de nomeações para um ator negro. Assim, contando todas os indicados na categoria de ator e atriz, protagonista e coadjuvante, essa é a primeira vez na história em que seis atores negros concorrem nestas categorias, no mesmo ano. Junto de Denzel, temos as atrizes, já citadas, Viola, Octavia e Naomie, além de Ruth Negga por Melhor Atriz (Loving) e Mahershala Ali por Melhor Ator Coadjuvante (Moonlight: Sobre a Luz do Luar).

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Ostavia Spencer, Ava Duvernay, Viola Davis, Naomie Harris, Ruth Neggas (Imagem retirada do Google Imagens).

2) Pontos Negativos:

Após mencionar esses recordes maravilhosos, está na hora de falarmos dos equívocos. Mesmo com esse pequeno passo a diversidade, não podemos deixar de notar que NENHUMA mulher foi nomeada como Melhor Diretora, sendo que já estamos na 89ª edição do Oscar e, no total, apenas quatro mulheres foram nomeadas nesta categoria ao longo de oitenta e nove anos, sendo Kathryn Bigelow a única vencedora, pelo filme Guerra ao Terror (2008).

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Kathryn Bigelow no Oscar 2010.
Além disso, entre os nomeados de melhor roteiro original e adaptado, apenas Allison Schroeder encabeça o time das mulheres, com o longa-metragem Estrelas Além do Tempo (2016). Se continuarmos, as únicas áreas em que mulheres costumam ser nomeadas são: Melhor Produção, Direção de Arte, Figurino e Maquiagem. No entanto, nas categorias  dos prêmios mais badalados, quase não existem mulheres concorrendo e, infelizmente, isso só corrobora o fato de que são poucas as que conseguem visibilidade e oportunidade nesse mercado de trabalho.

Como questiona Mary McNamara no texto “Oscar não tão branco, mas ainda muito masculino” no site do Los Angeles Times: Is it time for #OscarsSoMale? (Estaria na hora de um #OscarMuitoMasculino?).

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Alisson Schroeder, co-roteirista de Estrelas Além do Tempo, única mulher nomeada na categoria de Melhor Roteiro Adaptado.
Por fim, não posso deixar de mencionar a pior indicação deste ano. Casey Affleck, irmão de Ben Affleck, foi nomeado pelo filme Manchester a Beira Mar (2016), inclusive ganhou o Globo de Ouro 2017 por este trabalho, mesmo sendo acusado de assédio, por mais de uma mulher que trabalhou com ele no set de filmagem.

Por quê precisamos falar sobre isso?

Infelizmente, muitas pessoas reproduzem a ideia de que não devemos associar a carreira do ator com sua vida pessoal, mas, particularmente, eu acho isso um erro. No momento em que homens como Casey Affleck, Jonnhy Depp e Bernardo Bertolluci, por exemplo, são acusados de assédio, violência doméstica e estupro, respectivamente, e não são punidos, pelo contrário, são premiados e glorificados pelo talento e geniliadade, dá a entender que homens como eles estão acima da lei e podem fazer o que bem quiserem, com quem quiserem.

A atriz Constance Wu, que interpreta Jessica Huang na série Fresh Off the Boat, foi uma das famosas que mencionou o caso em público, dizendo “Eu fui aconselhada a não falar sobre isso em público para preservar minha carreira. Sendo assim, dane-se minha carreira, pois eu sou mulher e humana em primeiro lugar.”(Tradução Livre).

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Sim Constance, você está certíssima em falar do assunto em público.
Ela continua no Twitter “Homens que assediam sexualmente as mulheres para o OSCAR! Porque boas performances valem mais do que humanidade, do que a integridade humana!” e “Meninos! Resolvam seus problemas fora dos tribunais! É só ser um bom ator, isso é tudo que importa! Porque arte não é sobre humanidade, certo?”

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Tweets da atriz Constance Wu.
Essa fala é importante, ainda mais vindo de alguém com visibilidade, pois nos faz questionar o porquê nossa sociedade protege esses artistas, quando, na verdade, ela devia denunciar e puni-los por seus crimes. Inclusive, como o BuzzFeed americano mostrou no post “As pessoas estão agradecendo Constance Wu por falar em público contra a nomeação ao Oscar de Casey Affleck”muitas pessoas parabenizaram a atriz e a apoiaram na causa, mostrando que o público não vai mais aceitar que esses casos passem impunes.

Para uma melhor reflexão sobre o assunto, eu recomendo o texto da Rebeca Puig “POR QUE É TÃO FÁCIL PERDOAR O GÊNIO MASCULINO MESMO QUANDO ELE É UM CRIMINOSO CONDENADO?”, do site collantsemdecote.com.br, que fala muito bem sobre a razão pela qual não devemos velar os crimes destes homens: Eu sei que esse é um assunto polêmico, mas se a gente não discute esse tipo de assunto então continuamos para sempre nessa repetição de padrão. Chega de passar a mão na cabeça, chega de panos quentes e chega de tapinhas nas costas. Chega de escolher o lado do agressor.”

Sendo assim, apesar das conquistas no Oscar 2017, ainda são necessárias muitas mudanças para que a diversidade seja algo comum na maior indústria cinematográfica que existe. Enquanto isso, torcemos por Violas, Meryls, Kathryns e McMillons e aguardamos mais e mais representatividade, dentro e fora das telas.

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Cartaz do filme Estrelas Além do Tempo, obra que prova o quão importante é a diversidade e representatividade, já que aprendemos quem são “As mulheres que ninguém conhece, por trás da missão que todos conhecem”.
*Academia de Artes e Ciências Cinematográficas: nome oficial do Oscar, que é o mais importante e prestigiado prêmio do cinema mundial.

*Cecil B. DeMille: é um prêmio dado anualmente pela Hollywood Foreign Press Association, na cerimônia do Globo de Ouro, para todos aqueles com contribuições relevantes para o mundo do entretenimento.

BIBLIOGRAFIA:

CHO, Kassy. People Are Thanking Constance Wu For Speaking Out Against Casey Affleck’s Oscar Nomination. 2017. Disponível em: <https://www.buzzfeed.com/kassycho/people-are-thanking-constance-wu-for-speaking-out-against-ca?utm_term=.rkpRzPkDG#.yxB1DP0XE&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

DEARO, Guilherme. 10 recordes quebrados nas nomeações do Oscar 2017.2017.Disponível em: <http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/10-recordes-quebrados-nas-nomeacoes-do-oscar-2017/&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

GENESTRETI, Guilerme. Academia do Oscar convida Anna Muylaert e outros brasileiros. 2016. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/06/1787051-academia-do-oscar-convida-anna-muylaert-e-outros-brasileiros.shtml&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

GLOBO,O. Oscar muda drasticamente suas regras para promover a diversidade. 2016.  Disponível em: <http://oglobo.globo.com/cultura/filmes/oscar-muda-drasticamente-suas-regras-para-promover-diversidade-18525821&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

MCNAMARA, Mary. Oscars not so white, but still very male. 2017. Disponível em: <http://www.latimes.com/entertainment/la-et-oscar-nominations-2017-live-oscars-not-so-white-but-still-very-1485275087-htmlstory.html&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

PÉCORA, Luísa. Joi McMillon é a primeira mulher negra indicada ao Oscar de edição. 2017. Disponível em: <http://mulhernocinema.com/noticias/joi-mcmillon-e-a-primeira-mulher-negra-indicada-ao-oscar-de-edicao/&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

PÉCORA, Luísa. Veja todas as mulheres indicadas ao Oscar 2017. 2017. Disponível em: <http://mulhernocinema.com/noticias/veja-todas-as-mulheres-indicadas-ao-oscar-2017/&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

PUIG, Rebeca. POR QUE É TÃO FÁCIL PERDOAR O GÊNIO MASCULINO MESMO QUANDO ELE É UM CRIMINOSO CONDENADO?. 2016. Disponível em:<http://collantsemdecote.com.br/por-que-e-tao-facil-perdoar-o-genio-masculino-mesmo-quando-ele-e-um-pedofilo-condenado/&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

Uma História de Amor e Fúria: A animação brasileira que você precisa assistir.

Antes de mais nada, acredito que você, assim como a maioria dos brasileiros, mal conheça animações nacionais. Infelizmente, como já é muito difícil produzir a sétima arte no Brasil, com o desenho animado não seria diferente, então é normal não conhecer essas produções, pois elas não existem em grande quantidade como a norte-americana e tampouco são divulgadas como deveriam.

No entanto, nossa produção não é nula, muito pelo contrário, o conteúdo de filmes de animação no Brasil tem qualidade, não sendo à toa que no ano de 2016, O Menino e O Mundo concorreu ao Oscar de melhor animação, merecidamente.

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Poster do filme O Menino e o Mundo, filme de Alê Abreu.

Com isso, a intenção deste texto é justamente falar de uma das animações brasileiras que você, ela e todo mundo, precisam assistir.

 

Trailer do filme.

Filme escrito e dirigido por Luis Bolognesi, também conhecido pelos roteiros de Bicho de sete cabeças (2000), As Melhores Coisas do Mundo (2010) e Elis (2016).

O longa-metragem Uma história de amor e Fúria (2013) conta a história de um guerreiro imortal, que está vivo há mais de 600 anos, sempre em busca do seu eterno amor, Janaína. Mas como o próprio título já diz, essa trama, além de amor, contém fúria, passando por momentos marcantes da evolução de nosso país, desde a época em que “Brasil era o nome de uma árvore”, até o ano de 2096.

Apesar de ser uma ficção, a narrativa nos encanta com essa relação do casal, que perpetua por séculos, além de nos mostrar toda a força e resistência do povo brasileiro, contra as injustiças que, infelizmente, continuam até hoje.

A animação começa em 2096, com uma cena rápida e, volta para o ano de 1566, na Guanabara, quando o o guerreiro Tupinambá Abeguar, descobre seu destino. Segundo o xamã da tribo, Abeguar foi escolhido pelo deus Munhã para liderar seu grupo e lutar contra o malvado Anhangá. Quando seu povo é dizimado pelos portugueses, o herói se transforma em um pássaro e voa por mais de duzentos anos para encontrar Janaína, que foi morta no massacre aos índios.

As quatro encarnações de Janaína e seu guerreiro imortal.

 

Assim, vamos para o ano de 1825, onde nosso protagonista é Manuel Balaio que vive com Janaína e suas duas filhas, no Maranhão. Quando uma de suas filhas é abusada pelo comandante policial, Balaio lidera os moradores oprimidos e eles libertam a cidade de Caxias. No entanto, o governo envia Duque de Caxias e suas tropas vencem o povo. Balaio se transforma novamente em um pássaro, indo encontrar sua amada, no ano de 1968, no Rio de Janeiro.

Mesmo sendo uma animação, lembrando que este tipo de produção nem sempre é voltado para crianças, vemos cenas fortes de tortura e violência, mostrando a dura época da ditadura. Após essa fase, o roteiro nos leva de volta à cena inicial, no ano de 2096, onde a disputa agora, é pela água, que vale mais do que qualquer outra coisa.

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Cena do filme.
É incrível como a partir de uma história de amor, o público é levado pro passado e futuro, nos lembrando de todas as feridas, que ainda não foram cicatrizadas, e nos fazendo refletir, sobre aonde podemos chegar e o que perderemos com tudo isso.

O motivo de resistência por parte do nosso guerreiro é seu amor por Janaína e, como nossa querida Janaína, foi uma guerreira em todas as suas vidas, nosso personagem principal segue os passos desta e não desiste nunca do amor e de um mundo melhor.

Aliás, Janaína é dublada pela Camila Pitanga e, só isso, já é maravilhoso. Ela é poderosa em todas as suas encarnações, sendo dolorosas, todas as vezes que perdemos nossa personagem, instantes em que sentimos na pele, o sofrimento do pássaro e viajante do tempo, dublado pelo Selton Melo.

Eu me arrepio com a eterna luta desse casal, de libertar seu povo e ficar junto. E mesmo com todas as derrotas, com todo o sofrimento, basta o sorriso um do outro, que eles lembram que estão do lado certo na luta. Mesmo eu não acreditando em destino, eu me emociono demais com as cenas dos dois, em que o mundo para pra ouvir esses corações apaixonados.

Para o texto não ficar muito melancólico e romântico, esse filme, além de ter esse lindo romance, vale pela história do nosso Brasil. Claro que somente quatro épocas são retratadas, sendo que uma se passa num futuro que ainda faltam 80 anos pra chegar, mas todas as dores permanecem até os dias atuais, nos fazendo questionar o por quê de tanta guerra e injustiça.

Normalmente eu não sou fã de longas com narrador, mas, como o narrador, no caso, é o próprio protagonista, nos contando sua história de vida e nos mostrando seu ponto de vista, é impossível não se envolver nas falas deste. Por sinal, as falas são muito marcantes e fortes, nos comovendo e nos fazendo pensar sobre nosso passado, os erros já cometidos e que ainda não foram consertados. Como o narrador diz: “Viver sem conhecer o passado é andar no escuro.”

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“Meus heróis nunca viraram estátuas. Morreram lutando contra os caras que viraram.”
Assim, eu aconselho essa produção cinematográfica pelos personagens, pela história de amor, resistência e fúria, além de ser uma animação maravilhosa, que nos lembra que é possível produzirmos esse tipo de filme no nosso país.

Eu, que escolhi a carreira de cinema, levo pancadas quase todos os dias por essa escolha difícil, mas são filmes como este, que me lembram de continuar minha jornada.

BIBLIOGRAFIA:

IMDB. Uma história de amor e fúria. 2013. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt2231208/&gt;. Acesso em: 16 de jan. 2017.

UMA HISTÓRIA DE AMOR E FÚRIA. 2013. Disponível em: <http://www.umahistoriadeamorefuria.com.br&gt;. Acesso em: 16 de jan. 2017.

11 Filmes de animação, com protagonismo feminino, que você precisa assistir.

1) A viagem de Chihiro (2001)

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Filme japonês produzido pela Studio Ghibli e dirigido e escrito pelo prestigiado Hayao Miyasaki.

Sinopse: A caminho de seu novo lar, o pai de Chihiro decide pegar um atalho e se perde. Sua família chega numa cidade sem nenhum habitante e seus pais decidem comer a comida de uma das casas, mas Chihiro desconfia de algo. Os pais são transformados em porcos gigantes e, para salvá-los, Chihiro terá que enfrentar os desafios de um mundo fantasma, povoado por seres exóticos.

Esse desenho animado foge do que estamos acostumados a consumir no Brasil, no entanto, ele tem uma narrativa incrível, que, através da fantasia, mostra a transformação de uma menina, Chihiro, da infância para a adolescência.

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Chihiro é bastante corajosa e, não é à toa, que entra num ônibus cheio de fantasmas.

Os seres do outro mundo são todos enigmáticos, alguns amigáveis, outros, assustadores, nos lembrando que crescer é isso, enfrentar todos os tipos de desafios, tendo pessoas do nosso lado ou não. A pequena Chihiro cria um laço de amizade muito forte com Haku, um menino que perdeu sua identidade para a pavorosa Vovó Yubaba e está preso na cidade dos fantasmas.

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Chihiro e Haku.

O filme é repleto de mistério e magia, com direito a fantasmas gulosos, bebês gigantes e dragões. A protagonista é encantadora e bastante determinada, pois tudo o que ela quer, é salvar seus pais e seu mais novo amigo, Haku, que também a ajuda nessa jornada.

Eu aconselho esse filme porque tem uma visão de mundo completamente diferente dos costumes brasileiros, mas podemos nos identificar pelas emoções dos personagens. Além de que, a trama é bastante única e nos apresenta um universo esquisito, porém intrigante e cativante.

2) Cada um na sua casa (2015)

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Um filme da DreamWorks Animation, dirigido por Tim Johnson e roteirizado por Tom J. Astle e Matt Ember.

Sinopse: A Terra é invadida por uma raça alienígena em busca de um novo lar. Porém, uma esperta garota chamada Tip, consegue fugir e acaba virando cúmplice de um alienígena exilado, chamado Oh. Os dois fugitivos embarcam em uma grande aventura.

Esse filme é uma graça e tem dois personagens incríveis, Tip e Oh, que vivem uma jornada juntos e, apesar das diferenças, são o suporte um do outro, para que Tip reencontre sua mãe e Oh descubra onde é o seu lugar.

Esse longa é incrível, principalmente pela representatividade, visto que Tip é uma menina negra e é raro termos protagonistas negras em desenhos animados com tamanha repercussão.

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Sim Tip, você é maravilhosa!

Além disso, a amizade dos dois personagens é muito forte e associável, nos lembrando que nossas diferenças também são capazes de nos unir. Acho maravilhosa a forma como um ajuda o outro e como eles vão aprendendo o significado de família e amizade, ao longo da trama. Tanto Oh, quanto Tip, aprendem os costumes um dos outros, inclusive Oh nunca tinha dançado uma música antes de conhecer sua nova amiga.

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“Minhas mãos estão pro alto, como se eu não me importasse!”

Esse filme vale por tudo, pela narrativa, pela protagonista e, também, pela trilha sonora, que está incrível e tem Jennifer Lopez cantando a música original do filme, Feel the light. E claro, não podemos nos esquecer que quem dubla a personagem na versão americana, não é ninguém mais, ninguém menos, que Rihanna, e suas músicas também estão na trilha sonora.

QUEREMOS JÁ!

Clipe da canção Feel the light, interpretada pela J-Lo.

3) Divertida Mente (2015)

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Uma produção Disney Pixar, dirigido por Pete Docter e Ronnie Del Carmen.

Sinopse: Crescer pode ser uma jornada turbulenta e com Riley não é diferente. Conforme ela e suas emoções, Alegria , Medo, Raiva, Nojinho e Tristeza, se esforçam para adaptar-se à uma nova vida, uma enorme agitação toma conta do centro de controle em sua mente. Embora Alegria, a principal e mais importante emoção de Riley, tente se manter positiva, as emoções entram em conflitos, sobre qual a melhor maneira de viver em uma nova cidade, casa e escola.

Como falar desse amorzinho em forma de animação?

Nada como uma história que nos mostre como é crescer, lidando com todas as mudanças de nossas vidas e como nossa cabecinha pode pirar, quando temos dificuldade em nos encaixarmos numa nova realidade.

Nossos sentimentos são muito bem representados, claro que eles escolheram somente cinco das emoções que temos, mas são as mais importante e, de uma forma extremamente divertida, aprendemos como Alegria e Tristeza andam juntas e ambas são necessárias para nosso desenvolvimento como seres humanos.

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Alegria, Tristeza, Raiva, Nojinho e Medo.

Acho incrível a história da Riley, que agora enfrenta uma escola nova e tem pesadelos como “o dente caindo e ela aparecendo sem calça no colégio”. Quantas vezes já não tivemos esse sonho, né? Eu tive milhares de vezes e olha que estudei no mesmo lugar, por anos.

Adoro a personagem Nojinho, porque ela nos lembra como ser descolada na escola, o Medo, que nos ensina os perigos e, na maioria das vezes, as paranóias que temos no dia a dia, sem contar o Raiva, que vive explodindo, porque né, a vida não é fácil.

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Não é fácil!

Mas claro, as melhores personagens são Alegria e Tristeza, a primeira nos lembrando que ser positivo é importante e faz bem pra gente e, a segunda, nos lembrando que nem sempre conseguimos ficar alegres e que tudo bem, pois todos passamos por momentos difíceis e são justamente nessas horas que, família e amigos são essenciais em nossas vidas.

O longa-metragem vale não só pela linda história, mas porque tem cenas hilárias como o namorado(a) dos nossos sonhos, aquela pessoa que todas as meninas e meninos, sonham na adolescência, que virá nos resgatar de nossa realidade e viveremos felizes para sempre. Mas isso é só sonho, até porque, legal mesmo é se apaixonar por pessoas reais e que nos fazem bem.

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“Eu morreria pela Riley!” Esses crushs imaginários, hein?

No demais, acho que o ponto mais marcante desse filme é mostrar a personagem Tristeza, um dos sentimentos que mais teremos ao longo da vida, como algo importante e que faz parte de ser humano. Não podemos afastar a tristeza e sim entendermos que ela é necessária e que pode ser uma aliada no nosso crescimento e, que, junto das outras emoções, ela que nos torna especial e humanos.

E o prêmio de melhor personagem vai para…

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Tristeza! A drama queen mais linda de todas.

4) Frozen (2013)

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Filme da Disney dirigido por Chris Buck e Jennifer Lee, que também é a roteirista do longa.

Sinopse: Acompanhada por um vendedor de gelo, a jovem e destemida princesa, Anna, parte em uma jornada por perigosas montanhas de gelo na esperança de encontrar sua irmã, a rainha Elsa, e acabar com a terrível maldição de inverno eterno, que está provocando o congelamento do reino.

Para TUDO, porque está na hora do momento “Let it go”.

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Sim, é filme de princesas, mas, não estamos falando daquelas princesas que tem finais felizes para sempre, com príncipes encantados. Muito pelo contrário, o filme até brinca com essa ideia surreal, de ensinarmos meninas a esperar por um princípe que não existe, mostrando Elza confusa com sua irmã mais nova, que decide se casar com um moço que ela conheceu há um dia.

Existem outros projeto da Disney que também brincam com essa ideia fantasiosa, que o próprio estúdio Walt Disney insiste em contar, como o filme Encantada, que também é maravilhoso e só não entrou na lista porque é um filme live-action*.

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Fica pra próxima, Giselle.

Primeiro que é incrível a Elza achar surreal o casamento de sua irmã e ser contra, porque realmente não dá para casar com alguém que conhecemos em um dia.

Segundo que, a própria rainha Elza, de tanto que ela foi reprimida e forçada a esconder seus poderes de gelo, acabou sendo um exemplo de força feminina, quando ela decide que não mais esconderá quem ela é e que será feliz assim.

Mas claro, nem tudo são flores, ao longo da jornada ela vai aprender como controlar seus poderes e entenderá como pode ajudar seu povo, com essa magia única e encantadora.

Além disso, temos o querido Olaf, um boneco de never que adora abraços quentinhos e sonha com o verão. Ele é uma figurinha!

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Você mesmo, Olaf!

Por fim, o momento mais especial, é a narrativa mostrar o que é o amor verdadeiro. Amor verdadeiro pode ou não ter laços consanguíneos, e não necessariamente será um par romântico, ele pode ser amor de mãe, pai, ou, como o filme retrata, amor de irmã.

Tem coisa mais linda do que a ligação entre Elza e Anna?

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Elza e Anna quando pequenas.

Então vá assistir esse longa porque é outro roteiro que nos faz refletir sobre os padrões da sociedade e, mesmo as princesas sendo lindas e perfeitas, algo que ainda precisa ser quebrado, ele é incrível e um passo para a transformação e o feminismo já na infância.

Agora, vocês me dêem lincença, que eu vou ali fazer a Elza, porque nesse verão, só seus poderes congelantes nos salvará.

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Vai um gelinho aí?

5) Lilo e Stitch (2002)

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Outra produção Walt Disney, com direção e roteiro de Dean DeBlois e Chris Sanders.

Sinopse: Um alienígena fugitivo aterrisa no Havaí, onde mora a jovem órfã Lilo Pelekai, que está ameaçada de ser removida da guarda de sua irmã mais velha, Nani. Numa visita a um abrigo de animais para adotar um cachorro, Lilo acaba levando a Experiência 626 e o batiza de Stitch. Agora, Lilo tenta educar seu rebelde “animal”, enquanto Stitch evita ser levado de volta à seu planeta.

Agora o assunto ficou sério. O que é Lilo & Stitch?

Sinceramente, ao meu ver, esse é um dos melhores filmes que a Disney já lançou.

Primeiro que a Lilo é a personagem mais fofolinda que existe e, assim como muitas crianças, ela tem dificuldades em se enturmar no grupo de amizades. Com isso, em uma das cenas, Lilo vê uma estrela cadente e pede um “anjinho”, mas acaba ganhando o Stitch, que, no final, é mais que anjo, ele se torna um grande amigo.

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“As pessoas me tratam diferente.” Ah, querida Lilo.

Depois, a própria história do Stitch é incrível, um alien criado para destruir tudo o que vê pela frente, mas que cria laços fortes com sua nova família, no planeta Terra, e descobre que não está mais sozinho no mundo.

Além disso, também temos os hilários Agente Pleakley e o cientista Jumba Jookiba, que nos divertem tentando caçar o Stitch, porém se aliam ao próprio alienígena para resgatar sua amiga e irmã, Lilo.

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Agente Pleakley, Jumba, Stitch e Lilo.

Também temos o agente Cobra Bubbles, que vive de cara amarrada, mas tem o maior coração e salvou o planeta Terra de ser extinto por uma raça alienígena, tudo isso graças aos mosquistos.

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Mas também, né? O trabalho dele não é fácil!

Ademais, a relação mais linda e encantadora do longa, é a de Lilo com sua irmã mais velha, Nani, que agora, assume o papel de “irmãe”. Elas perderam seus pais num acidente de carro e, agora, são a única família que tem e é simplesmente apaixonante a forma como elas se amam e, mesmo tendo problemas como todas as irmãs, lutam até o fim para ficarem juntas.

Eu amo essa produção cinematográfica, pela representatividade, pela forma como mostra amor, amizade e família e, também, por mostrar diversidade, provando que nossas diferenças nos tornam únicos e especiais. Além de que, as frases e lições do roteiro são lindíssimas e inesquecíveis.

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“Ohana quer dizer família. Família quer dizer nunca abandonar ou esquecer.”

Assim, eu recomendo essa história pela carga emocional, pelas aventuras incríveis, por nos identificarmos com as dores dos personagens e, claro, porque a trilha sonora toca Elvis Presley. Até o Stitch se rende aos encantos do rei.

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Stitch Presley.

6) Moana (2017)

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Dos criadores de Frozen e Zootopia, essa é a mais recente produção da Disney, dirigida por Ron Clements e John Musker.

Sinopse: Moana Waialiki é uma viajante entusiasta do mar e a única filha de um chefe, em uma longa linha de navegadores. Quando os pescadores da ilha não conseguem pegar nenhum peixe e as colheitas falham, ela descobre que o semideus, Maui, causou esta praga ao roubar o coração da deusa Te Fiti. Para salvar seu povo, Moana parte em uma jornada pelo pacífico, com o intuito de convencer Maui a devolver o coração e quebrar a maldição.

Mal lançou o filme e, eu, uma garota de vinte e cinco anos, já fui ao cinema assistir. E vou lhe dizer, valeu muito à pena!

Moana não é uma princesa, mas sim uma líder e uma sonhadora aventureira. Ela é extremamente determinada e destemida, aceitando o desafio de ir atrás do semi-deus, Maui, e salvar seu povo, visto que agora ela assumiu a liderança do grupo.

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Moana.

A trilha sonora está incrível, mas incrível MESMO, e a gente segue a jornada dessa heroína, vendo seus antepassados, seus medos e sua coragem, para conquistar seu lugar no mundo.

Além disso, é muito legal a relação de Moana com Maui, um cara mimado, que, na verdade, só queria ser aceito e adorado por todos. Ela dá um banho de maturidade e ensinamentos ao semi-deus, mas, juntos, formam uma dupla e tanto.

Aliás, Moana deixa bem claro que está ali pra aprender e ser independente e não espera que nada, nem ninguém, faça seus deveres por ela.

E o que falar do Tomatoa, Mon Amour? Tem carangueijo mais charmoso que esse, todo brilhoso? Apesar dele ser “malvado”, não dá pra resistir à sua sequência musical e se encantar com tanto glamour.

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Tomatoa.

No entanto, a amizade e o amor mais lindo é de Moana com sua avó, Tala, considerada a “maluquinha” da aldeia. Elas tem uma relação muito fofa e uma é o grande apoio da outra. Achei linda todas as cenas em que ambas estavam contracenando e, admito, chorei um pouquinho.

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Todo grupo tem uma maluquinha incrível, né?

Sério, se você não viu, compre seu ingresso agora e veja ou, assim que lançar pra DVD ou Blue-ray, assista. É um dos filmes com protagonista feminina mais incríveis que a Disney lançou nos últimos anos e, uma curiosidade, o filme foi baseado em histórias da mitologia polinésia. O que você está esperando?

VAI ASSISTIR AGORA!

7) Mulan (1998)

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Produção Disney, dirigido por Tony Bancroft e Barry Cook.

Sinopse: Baseada numa das lendas mais populares da China, esta aventura conta a história de uma jovem destemida, Mulan, que decide se disfarçar de homem, treinar para se tornar um bom soldado e, assim, ocupar o lugar de seu pai no exército chinês. Acompanhada por seu divertido dragão de guarda, Mushu, Mulan treina para ser um soldado habilidoso e valente e acaba aprendendo muitas lições sobre coragem, honra e amor.

Vamos ser sinceras, Mulan é diva da parada toda!

Sem dúvida alguma, este é um dos meus filmes preferidos de animação e, com certeza, minha protagonista favorita. Amo o jeito desastrado da Mulan, sua “rebeldia” em prol do amor pela família e sua coragem, em enfrentar inimigos e o machismo do seu próprio país.

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MARAVILHOSA!

Esse é o tipo de filme que arrepia à alma e nos faz ter o maior orgulho de sermos mulheres. É incrível como Mulan quebra todas as regras, justamente por amor à seu pai.

Nessa aventura, ela recebe a pior e melhor ajuda de todas, do seu guardião, Muchu, e seu grilinho da sorte, Gri-li. Enquanto este realmente parece trazer sorte, o outro é completamente atrapalhado e estressadinho, mas um fofo, que nos faz querer um guardião igual à ele.

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Muchu e Gri-li.

Além disso, também aprendemos bastante sobre a cultura chinesa e o patriotismo do país, e nos maravilhamos com os personagens e suas histórias, todas únicas e especiais. Sem contar nas músicas do filme, que são excelentes.

Outra coisa surpreendente é que, literalmente, a heroína de toda a história, é a Mulan. Por mais que tenham vários outros homens do exército, como o capitão Shang, ela quem descobre todos os truques do inimigo e vira uma das maiores heroínas da China. Só tenho amor e orgulho por essa personagem.

Assista porque você NÃO vai se arrepender!

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Mulan e Shang.

8) Persepolis (2007)

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Animação francesa, baseada no romance autobiográfico homônimo de Marjane Satrapi, dirigida e escrita por Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud.

Sinopse: Uma jovem iraniana que sonha em ser profeta, acompanha de perto a queda do Xá e de seu regime brutal. No entanto, ela acaba se revoltando contra as imposições fundamentalistas dos rebeldes, especialmente contra as mulheres.

Essa animação é em preto e branco e tem um tom bem mais sério do que as outras mencionadas. Ela segue a infância, adolescência e juventude de Marjane (Marji), uma iraniana que quebra tudo o que nós, do lado de cá, imaginamos sobre os costumes de seu país.

Baseado em sua vida pessoal, vemos como a protagonista, desde criança, lidava com a guerra e a repressão de seu Estado, com todos os que eram contra as leis, principalmente à opressão das mulheres.

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Marjane, novinha, era fã de rock, no entanto, esse tipo de música era proibida em seu país.

Ao longo da história, Marjane vai morar duas vezes no exterior, primeiro em Viena, ainda jovem, depois na França, nunca mais voltando à seu país de origem. Nessas viagens, também acompanhamos o seu dia a dia, suas amizades e relações amorosas, bastante desastrosas, como a de qualquer outra menina na faixa dos 15-20 anos.

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E as baladas secretas em seu país, hã? Maravilhosas!

É incrível como vemos a força das mulheres iranianas, cansadas de tantas regras e imposições, desde crianças. Além disso, também sentimos a dor da personagem principal, que se vê forçada por seus pais, que querem o seu bem, a morar em outro país, para que possa ter a liberdade que sempre desejou. Até mesmo sua avó, divorciada há anos, numa época em que o divórcio era mal visto, torcia pela ida de sua neta e que esta tivesse uma vida bem melhor que a dela.

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“Você vai conhecer muitos idiotas em sua vida.” Falou e disse, Vovó!

No demais, eu aconselho esse filme, pois aprendemos um pouco mais sobre a história, extremamente única, de Marji, nos mostrando, pela sua visão de mundo, como foi sua vida ao longo das décadas de 80 e 90, no meio da repressão, guerra, amor e família.

9) Pocahontas (1995)

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Mais um filme da Disney, com direção de Mike Gabriel e Eric Goldberg.

Sinopse: Este é o conto sobre o romance entre uma jovem indiana americana, chamada Pocahontas, e o capitão, John Smith, que viajou para o Novo Mundo, junto de outros colonos, para começar uma vida nova. Seu poderoso pai, Chefe Powhatan, desaprova este relacionamento e quer que ela se case com um guerreiro nativo. Enquanto isso, os companheiros de Smith esperam roubar o ouro dos nativos. Será que o amor de Pocahontas e Smith salvará o dia?

Apesar deu achar a personagem bastante sexualizada e isso ser um problema, ainda mais por se tratar de um desenho animado, aonde a sexualização das personagens deveria passar longe, eu adoro essa trama e me encanto com as atitudes dessa protagonista. Uma aventureira, bastante independente, que questiona às regras de seu mundo quando conhece pessoas de outro mundo.

Pocahontas respeita muito seu pai e sua aldeia, mas não se contenta com as imposições destes. No entanto, ela os defende, com toda a garra, dos ingleses, que querem levar as riquezas de seu lar.

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Pocahontas.

Além disso, as conversas que ela tem com sua avó, Willow, que fala com sua neta através de uma árvore encantada, são muito inspiradoras e nos engrandecem como pessoas. A forma como sua avó a ajuda a lidar com seus sentimentos por John e seu respeito à seu povo, é incrível, mostrando que amor nos faz questionar nossa realidade, mas não nos impede de juntar o velhos ensinamentos, com novos aprendizados.

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Vovó Willow.

Como é baseado em fatos reais, esse filme também nos faz refletir sobre a covarde colonização dos europeus às terras dos índios. Quem dera se na vida real, eles respeitassem o espaço dos nativos e fossem embora.

Mesmo sendo uma ficção animada, temos muito o que aprender com a história dessa heroína, que é capaz de tudo por amor, família e lealdade, nos ensinando a principal base da convivência entre humanos: o respeito.

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Sem contar, no seu amor e carinho pela natureza e os animais.

Aconselho essa trama por todos os ensinamentos, que nos fazem crescer como pessoa e como civilização, o respeito ao próximo e a natureza, além de ter músicas lindas, como “Cores do vento”.

Cena da música “Cores do Vento”.

10) Valente (2012)

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Uma animação Disney Pixar, dirigida por Brenda Chapman, Mark Andrews e Steve Purcell. A história foi criada pela Brenda Chapman, que também participou do desenvolvimento do roteiro.

Sinopse: Merida, uma talentosa arqueira e a teimosa filha do Rei Fergus e da Rainha Elinor, está decidida a trilhar o seu próprio caminho. Com isso, ela desafia uma antiga tradição sagrada para os agitados e divertidos Lordes do reino. As ações de Merida desencadeam, sem querer, o caos no reino. Agora, ela precisa usar todas as suas habilidades para desfazer uma terrível maldição antes que seja tarde demais.

Merida é a rebelde ruiva que você mais respeita! Sim, sim!

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“Eu sou demais! Sim, a melhor passando.”

Essa protagonista é incrível, porque ela, assim como as outras citadas, simplesmente não aceita às regras do reino em que vive. Como seus pais decidem que esta deve se casar, seguindo a tradição, a convite de sua mãe, a Rainha Elinor, os filhos primogênitos de três reis, aceitam o desafio e tentam conquistar a mão de Merida.

No entanto, irritada e decepcionada com essa tradição, nossa personagem decide lutar pela sua própria mão e mostra muito mais habilidade, com seu arco e flecha, do que os outros concorrentes.

Óbvio que sua mãe fica extremamente desapontada com esta atitude e, nossa heroína, foge do castelo, tentando buscar uma resposta que mude seu destino. Assim, ela encontra o lar de uma bruxa que faz um feitiço, ao qual transformará a rainha Elinor em um urso.

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Rainha Elinor antes do feitiço.
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Depois do feitiço.

A partir disso, o longa mostra a transformação, tanto de Merida, quanto de sua mãe, que juntas, tentarão desfazer a magia e se reconectar, uma com a outra. É simplesmente lindo e comovente as cenas em que, mãe e filha, buscam uma saída para seus problemas e sua falta de comunicação, nos lembrando que ser mãe, também é dar liberdade e, ser filha, é aprender e ensinar ao mesmo tempo.

Eu aconselho essa produção por tantos motivos, mas, principalmente, por se passar num reino distante e, mesmo assim, ser possível de se associar com a vida de qualquer menina que está cansada das regras de sua sociedade. Além disso, os trigêmeos, irmãos de Merida, são engraçadíssimos, assim como seu pai, o Rei Fergus, nos entretendo nessa emocioante narrativa, de uma líder aventureira que irá provar o seu lugar no mundo.

11) Zootopia (2016)

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Dos mesmos criadores de Frozen e também um projeto da Walt Disney, foi drigido por Byron Howard, Jared Bush e Rich Moore.

Sinopse: Quando Judy Hopps chega em Zootopia, ela descobre que ser a primeira coelha da equipe da polícia, formada por animais grandes e fortes, não é nada fácil. Determinada a provar seu valor, ela embarca em uma aventura atrapalhada e bem humorada, ao lado do malandro raposo, Nick Wilde, para desvendar um grande mistério.

Não sei como falar dessa lindeza de filme, sem puxar o maior saco. Licença!

Primeiro que o filme fala e mostra diversidade e eu acho isso fantástico. Segundo que, nossa protagonista, a querida Judy Hopps, ou, Cenourinha, quebra todos os tabus possíveis, sendo a menor e única mulher da delegacia de polícia ao qual conquista uma vaga.

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Sim, Cenourinha…você é incrível! Bate aqui *pá!

Apesar de todos os deboches dos valentões da àrea, a policial não se dá por vencida e vai até o fim com suas suposições sobre o misterioso desaparecimento do Sr. Otterton. A partir disso, ela acaba se aliando ao malandro Nick Wilde, que se torna seu grande amigo e companheiro na luta contra o crime.

A história é linda, divertida e dá um show de representatividade, enfatisando que todos merecemos ser respeitados, independente dos nossos sonhos, gostos e aparência. A determinação de nossa personagem principal nos motiva, o tempo todo, a lutar por um mundo melhor, porque ele é possível SIM.

Amo, amo, amo! Não consigo conter minha simpatia pelo roteiro e pela Cenourinha, que é uma linda, guerreira e super independente, que prova que sonhos são possíveis de se tornar realidade, mesmo quando o resto do mundo insiste em lhe dizer que não são.

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Judy Hopps é a melhor e ela sabe disso.

Sem contar na hilária cena do que, aqui no Brasil, chamamos de Detran, onde todos os funcionários são bichos-preguiça. E aí, alguma semelhança com a realidade?

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Foi só uma piadinha…

Aliás, não foi à toa que o filme ganhou o Globo de Ouro de melhor animação, nesse ano de 2017. Assistam ao longa-metragem, porque ele vai te emocionar e lhe proporcionar entretenimento e aprendizado, da forma mais fofa e incrível possível.

*live-action: é um termo utilizado no cinema, teatro e televisão para definir os trabalhos que são realizados por atores reais, ao contrário das animações.

Madame Bovary: Livro vs Filme & a depressão de uma extraordinária mulher.

No final do ano passado, eu terminei de ler o livro Madame Bovary, escrito por Gustave Flaubert. A versão que li foi da coleção Clube do Livro, pela editora Novas Fronteira Participações S.A., com tradução de Sérgio Duarte e prefácio de Otto Maria Carpeaux.

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Capa do Livro Madame Bovary, sexto volume da coleção Clube do Livro.

Assim que acabei o livro, fui em busca de alguma produção cinematográfica da história e, dei preferência pelo longa de 2015, pois foi escrito e dirigido por uma mulher, Sophie Barthes, também conhecida pelo filme Almas à venda (2009). Com isso em mente, eu quis fazer uma comparação entre o livro e o filme, além de tentar entender a visão da diretora sobre a vida dessa incrível personagem.

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Poster do filme.

Para quem não conhece a trama, Madame Bovary conta a trajetória de Emma Bovary, uma jovem sonhadora, que acredita estar próxima da felicidade, quando aceita se casar com Charles Bovary. No entanto, Emma acaba entediada em seu casamento com um médico do interior e reprimida numa cidade pequena. Para fugir da monotonia e da depressão, Emma persegue seus sonhos de paixão e excitação, independente do que isso possa custar.

No livro, a história começa com a apresentação de Charles, quando jovem, até sua graduação em medicina e seu primeiro casamento. Ele perde sua mulher muito cedo e, em uma consulta médica ao pai de Emma, M. Rouault, acaba se apaixonando por ela. Logo na primeiro parte, os dois se casam, Charles extremamente apaixonado e Emma com expectativas de que sua vida vai mudar para melhor.

No longa-metragem, o roteiro já começa com o casamento de Emma e Charles e sua ida para a cidade de Yonville. Apesar de ter gostado muito do filme e ter achado que a direção está maravilhosa, fiquei decepcionada com algumas mudanças na narrativa, como por exemplo, antes de morar na cidade de Yonville, o casal vive em Tostes, mas Emma entra em depressão e, para ajudá-la, Charles decide se mudar para uma cidade “maior” (entre aspas, pois ambas as cidades eram pequenas).

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Emma Bovary (Mia Wasikowska), Charles Bovary (Henry Lloyd-Hughes) e Rodolphe (Logan Marshall-Green).

Além disso, nessa etapa, Emma está grávida de sua única filha, Bertha Bovary, sendo que, no filme, é como se ela não tivesse tido filhos. No entanto, talvez, pelo ponto de vista da diretora e roteirista, ela deve ter omitido a criança da história, visto que ambos os pais não ligavam e não cuidavam muito dela, inclusive ela mal aparece na escrita literária.

A partir disso, acredito que ambos os trabalhos, livro e filme, entram em sitonia, justamente na fase em que, Emma, lutando contra o tédio e a falta de interesse em sua vida, se envolve em dois casos extra-conjugais.

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León Dupuis (Ezra Miller) e Emma (Mia Wasikowska).

Como não quero dar spoilers, preferi me ausentar dos detalhes dessa narrativa e focar no assunto mais interessante do drama, a depressão da protagonista.

Uma das maiores críticas do autor, Flaubert, aos romancistas de sua época, era a fantasia de suas histórias, iludando o público com tramas que não retratavam a realidade como ela é. Ou seja, ele era contra os romances que tinham finais “felizes para sempre”.

Assim, ele decidiu escrever Madame Bovary, relatando a vida de uma forma nua e crua, em que nos jogamos em fantasias amorosas ou em outras situações, como tentativas de enriquecer a vida, quando na verdade, estamos todos em busca da tal felicidade e ela não é fácil de ser conquistada.

Com isso, o escritor criou Emma Bovary e, em todas as partes do conto, deixa claro as dificuldades dessa em ser feliz e sua eterna luta contra a depressão e melancolia.

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Sim, Emma… sabemos que não é fácil.

Apesar de ter uma vida razoavelmente boa, ao menos para a época em que vivia, Emma era constantemente ignorada pelo marido e pelos seus amantes que, no final, se mostraram todos uns “monstros”. Ela tenta buscar respostas com paixões, religião, roupas, festas, mas, acaba totalmente endividada, num século em que mulheres eram donas de casa e suas expectativas, culturalmente ensinadas, eram se casar e ter filho.

Emma não é um exemplo de mãe, inclusive, eu acho incrível que um livro de 1857 prove que não existe o tal “instinto materno”. Em nenhum momento a personagem fica animada com a maternidade. Talvez, antes de ter a filha, ela se anime com a ideia, mas quando Bertha nasce, Bovary descobre que nunca quis ser mãe, nos lembrando que isso sempre foi e, ainda é, uma imposição da sociedade e uma felicidade que não é para todas.

Na visão da sétima arte, Sophie Barthes mostra de uma forma majestosa a vida simples e sem muitas novidades de Emma. Ademais, também entendemos o desânimo de nossa heroína, pois ela se casou com um homem sem muitas ambições e, que, por mais que fosse apaixonado por ela, ele não entendia suas tristezas e acabava sendo um péssimo companheiro para alguém com depressão.

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Mia Wasikowska como Emma Bovary.

Minha maior decepção com o filme, foi o fato de não enfatisar o problema de saúde mental que a personagem principal tinha. Naquela época, acredito eu, não era comum a palavra depressão, mas, lendo a história, sabemos que Emma tinha momentos de crise, aos quais nem sempre conseguia se livrar. Ela culpa a todo o instante o marido, por seus problemas, mas ela mesma sabe que não é só isso.

Atualmente, a depressão é um grande problema na vida de muitas pessoas e, quanto mais falarmos sobre o assunto e quebrarmos esse tabu, mais conseguiremos ajudar “Emmas” do século XXI.

Aliás, Emma era uma mulher além de seu tempo, iludida com todos os romances que havia lido e com grandes expectativas, que não foram alcançadas, sobre a vida. Outra coisa que acho majestoso na história, é que não a criticamos por trair o marido. Naquela época, seria de se esperar uma trama que a condenasse pela traição, porém, muito pelo contrário, torcemos junto com ela, para que encontre alguém que a faça feliz.

No entanto, felicidade é uma luta constante e individual. Nos relacionamentos devemos somar e não preencher vazios. Essa foi a maior luta de Madame Bovary, enfrentar seus demônios, todos os dias, enquanto tinha que sorrir para as pessoas a sua volta e fingir que estava tudo bem.

É importante lembrar que, quando foi divulgada, a escrita foi altamente criticada e rechaçada, pois envolvia o tema adultério, criticava a alta sociedade da França e a religião. Hoje, é considerado um dos pioneiros da literatura realista.

Sendo assim, eu me encantei com o livro porque eu adoro personagens realísticos, que vemos e sentimos suas dores de perto, ainda mais uma protagonista feminina, num período em que mulheres não tinham muito espaço. Bovary é uma potência de personalidade e história.

O filme, apesar das pequenas omissões, também é maravilhoso. As atuações estão ótimas, a direção incrível, assim como a arte e o figurino. O roteiro foi bem desenvolvido e, do começo ao fim, já sabemos o trágico fim de nossa querida Emma, mas assistimos com a fantasia de que, talvez, ela conseguirá ser feliz.

No demais, Madame é mais uma protagonista mulher, que nos encanta, fazendo uma pessoa em pleno 2017, escrever uma resenha sobre uma história de 1857.

Trailer de Madame Bovary, por Sophie Barthes.

BIBLIOGRAFIA

IMDB. Madame Bovary. 2015. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt2334733/?ref_=nm_flmg_act_9&gt;. Acesso em: 06 de jan. 2017