American Horror Story: Cult e o futuro que mais tememos

American Horror Story é uma série de terror norte-americana, criada por Ryan Murphy (também criador de Glee), que a cada temporada exibe universos diferentes com os mesmos atores.

Ela está na oitava temporada, mas esse post será dedicado inteiramente a sétima temporada, American Horror Story: Cult.  (p.s. o post contém alguns spoilers, mas nada que afete a trama principal)

american_horror_story_ver77_xlg
Cartaz da sétima temporada.

A narrativa dessa temporada começa literalmente um dia após Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, ganhar as eleições de 2016. Antes que pense que é baseado em fatos reais, não é, mas poderia ser e esse foi o motivo de eu fazer essa análise.

Nós seguimos a história de um casal lésbico, Ally Mayfair-Richards (Sarah Paulson) e Ivy Mayfair-Richards (Alison Pill), após a ascensão de Trump e o declínio mental de todos os personagens em volta das duas.

Assim que o candidato, que odeia a comunidade LGBTQ, ganha, a vida de Ally e Ivy muda pra pior. Além de o casal não poder mais mostrar afeto na rua, pois são ameaçadas por homofóbicos, a saúde mental de Ally piora devido ao medo de ser quem é e, assim, todas as fobias que ela já teve na vida voltam a atormentá-la.

2016 election american horror story cult GIF
Ally em choque quando Trump ganha as eleições.

Ao mesmo tempo em que acompanhamos o casal, vemos a trajetória de Kai Anderson (Evan Peters), um jovem eleitor de Trump, que se sente humilhado, pois ninguém dá atenção para as coisas que ele diz, o que o motiva a se candidatar a vereador de sua cidade.

Para Kai, é necessário que os políticos assustem as pessoas da violência da cidade e, assim, darem ao estado o direito de fazer o que for necessário para proteger os moradores de lá.

Visto que Kai mal recebe apoio dos cidadãos, ele decide agir com as próprias mãos e começa a recrutar seguidores para concretizar seu plano de salvar a nação do mal.

E como ele faz isso?

american-horror-story-b.png
Kai Anderson (Evan Peters)

Kai vai atrás de pessoas que estão passando por alguma crise, seja financeira ou existencial, pessoas que se sentem abandonadas pela sociedade e usa a insegurança dessas pessoas a seu favor. Mas, como?

american-horror-story-cult1
O casal Harrison e Meadow Wilton

Um dos primeiros a serem recrutados por Kai é o casal Harrison (Billy Eichner) e Meadow Wilton (Leslie Grossman). Harrison e Meadow são amigos há anos e tinham um pacto: caso nenhum dos dois se casasse até os 35 anos, eles iriam se casar.

No entanto, Harrison é gay e não consegue ter relação com Meadow. Já ela, é apaixonada pelo amigo e mesmo sabendo da sexualidade dele, topou se casar. Ainda, os dois enfrentam uma difícil crise financeira, em que a única saída é hipotecar a casa e pagar suas dívidas.

Eis que chega o salvador! Kai Anderson investiga a vida de Harrison e se aproxima dele, dizendo que tem a solução dos seus problemas e que ele só tem que acreditar em Kai.

Kai consegue um novo apartamento para o casal e em troca eles o obedecem sem questionar qualquer ato de Kai.

7d6ddbd4-cdb2-4329-a086-f5509d59f6fb-screenshot-561.png
Beverly Hope (Adina Porter)

A próxima a ser recrutada é Beverly Hope, uma repórter negra, que trabalha duro para conseguir destaque, mas perde todas as oportunidades para uma repórter branca e mais nova, que está se relacionando com o patrão.

Para convencê-la a se juntar ao grupo, Kai mata a outra repórter e diz que a partir de agora Beverly tem que confiar nele, pois ele quer o melhor para ela.

emma roberts horror GIF by AHS
A outra repórter (Emma Roberts) sendo assassinada.

A partir do início desse culto, Kai se aproveita do medo de seus seguidores e os manipula a enfrentar todo o mal que os cerca.

E o que é esse mal?

Esse mal é toda e qualquer pessoa que pensa diferente dele. Até mesmos seus fiéis discípulos, quando ousam questionar alguma de suas ideias, sofrem com a repressão.

Agora eu te pergunto: por que os roteiristas da série fizeram uma história assim justamente após a eleição de Donald Trump?

donald trump rnc GIF by Election 2016
“Nós vamos construir uma grande muralha!”

Donald Trump conquistou seus fiéis instigando o medo e o ódio. Ou seja, grande parte de sua campanha foi baseada em acusações aos mexicanos, gays, negros e mulheres de serem o problema da sociedade americana e que se ele fosse eleito, iria corrigir tudo isso.

Sem adentrar muito na política, o que a ficção de American Horror Story tem de semelhante com a vida real?

Quando as pessoas estão perdidas e desacreditadas do futuro, é fácil para um salvador chegar e dizer que vai solucionar tudo rapidamente. Isso é exatamente o que todos queremos ouvir! Quem me dera alguém resolvendo todos os meus problemas num piscar de olhos e foi exatamente isso que aconteceu nos EUA e está acontecendo com a sociedade brasileira atual.

O Brasil está economicamente mal e todos estão sofrendo com isso, logo, quando chega um candidato como o Jair Bolsonaro dizendo que vai resolver todos os problemas, é fácil acreditar porque é isso o que queremos, uma solução rápida.

No entanto, o que a série mostra, é que soluções rápidas trazem perdas irreversíveis. O personagem Kai queria tanto salvar a população do mal, que se propôs a matar e assustar pessoas, culpando mexicanos, por exemplo, para dizer que era só acabar com os mexicanos que os americanos estariam salvos da violência.

E a verdade é: Kai era o problema. Ele queria tanto ser adorado e amado por todos, que topou fazer de tudo, inclusive matar, para conquistar a confiança de seus seguidores e mostrar uma falsa civilização em que nada de ruim aconteceria.

Problemas vão acontecer sempre, quer a gente queira ou não, porém, não dá pra aceitar soluções fáceis caso essas soluções prejudiquem outras pessoas porque isso é o início de uma guerra.

Acabar com uma minoria pode até aliviar pro lado de alguns, mas com o passar do tempo, essa minoria vai ter seu medo e ódio instigado e provavelmente vai querer vingança também. É justamente isso que a série alerta!

Sem querer dá um spoiler do final, mas a ideia é que todos os humilhados caso não tenham chances na sociedade atual, um dia vão buscar suas oportunidades com as próprias mãos, assim como o Kai fez e ninguém vai ganhar com isso.

A série mostra que é fácil “lavar as mãos” e deixar um salvador tomar as decisões por todos, mesmo que essa decisão afete a vida de milhões, e caso algo dê muito errado, todos apontam o “salvador” como o culpado e acreditam que não tem culpa de nada, quando na verdade ao dar voz a ele, todos se tornaram cúmplices e culpados também.

Assim, minha dica é: assista a série e reflita sobre nossa sociedade atual e veja o quão próximo dessa realidade estaremos caso a gente não faça nada para evitar isso.

É claro que a ficção leva tudo ao extremo, ainda mais porque a série é de terror, mas traga a ficção para a realidade – a morte de Marielle Franco, a morte de Mestre Moa, a morte de pessoas da comunidade LGBTQ – e tire suas próprias conclusões. Você prefere se omitir e lavar as mãos ou prefere evitar um futuro trágico como esse?

scared american horror story GIF by AHS
“Ally: Eu não sou a inimiga!”

BIBLIOGRAFIA:

G1.”O que se sabe sobre as mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes”. 2018. Disponível em:<http://gshow.globo.com/tv/noticia/amor-sexo-fala-sobre-feminismo-em-programa-de-estreia-confira.ghtml&gt;. Acesso em: 21 de out. 2018.

G1. “Investigação policial conclui que morte de Moa do Katendê foi motivada por briga política; inquérito foi enviado ao MP”2018. Disponível em: <https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2018/10/17/investigacao-policial-conclui-que-morte-de-moa-do-katende-foi-motivada-por-briga-politica-inquerito-foi-enviado-ao-mp.ghtml>. Acesso em: 21 de out. 2018.

WIKIPEDIA. “American Horror Story: Cult“. 2018. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/American_Horror_Story:_Cult&gt;.Acesso em: 21 de out. 2018.

 

 

“Mãe!” Significados e referências bíblicas 

“Mãe!” (2017), da direção de Darren Aronofsky, é uma obra para incomodar e promover discussões. Não é um filme para relaxar e assistir despretensiosamente. Admito que até a ficha cair demorou um pouco, pelo menos para mim. O início é arrastado, mas quando você percebe o que está acontecendo, cada minuto compensa. 

Este texto contém spoilers. Caso você não tenha ainda assistido ao filme, recomendo que pare a leitura aqui. 

As referências bíblicas foram surgindo aos poucos e o momento mais claro pra mim de que se tratava de uma alegoria ocorreu na cena em que o poeta (Javier Bardem) marca a testa de um dos seus leitores com tinta. Aquela imagem está tão ligada à Quarta-feira de Cinzas que não consegui imaginar mais em qualquer outra coisa além do Cristianismo. Com isso, quando o bebê nasceu, já tinha entendido que seria Jesus e não me surpreendi quando ele morreu nas mãos dos seguidores do pai dele. 

– A quebra da pedra e a morte do irmão 

Um acontecimento antes mesmo de a personagem da Jennifer Lawrence engravidar passou a fazer sentido depois que pesquei as referências bíblicas. 

O casal de hóspedes (Ed Harris e Michelle Pfeiffer), que invade o escritório do poeta – o cômodo proibido da casa -, representam Adão e Eva. Ela leva o homem até o local onde o Criador não permita a entrada de ninguém sem a sua presença. Lá, encostam e quebram o objeto mais precioso e querido do dono da casa, tal como Eva faz com que Adão coma a maçã da árvore proibida. O seguimento da história segue a mesma alegoria com a morte de um dos irmãos, tal como Caim e Abel. 

– O novo poema 

Depois das histórias do Antigo Testamento, chega uma nova era da vida do Criador. A partir do momento que a mulher engravida, ele escreve mais, o que pode ser interpretado como o Novo Testamento. A vinda de Jesus foi um divisor de águas e modificou a forma de muitas pessoas olharem o mundo. A ideia de sermos irmãos e compartilharmos as coisas fazem parte disso. Até mesmo quando o bebê morre, há a cena em que os seguidores do poeta comem seu corpo, assim como nós, católicos, comemos o corpo e bebemos o sangue de Cristo. 

No entendo, outro pensamento que também tive é que o novo poema do escritor pode ser a própria história a que estamos assistindo. Pode ser uma metalinguagem empregada ali. Afinal de contas, alguém pensou nessa história e criou aqueles personagens. O texto escrito pelo Criador pode ali no filme ser a própria história deles, o que de certa forma, se encaixa com a teoria de uma alegoria ao Novo Testamento. 

– A representação do mundo

As palavras dele se espalham e a população de seguidores surge em sua casa. Uma das cenas parecia claramente a imagem de um noticiário de protesto, ao mostrar conflito entre batalhão do choque e manifestantes. Houve música, explosões de guerra, mortes, fanatismo. Tudo o que existe e nos incomoda. Tudo o que queremos mudar, mas que foge do nosso alcance. Também queremos que parem. Entendi a dor da personagem gritando e clamando e ninguém a ouvindo. 

Nessa parte friso a crítica que o filme fez ao machismo. Chega a doer quando a mãe está sendo agredida devido a sua reação após a morte de seu filho. Os xingamentos são aqueles clássicos dirigidos às mulheres: vadia, puta, cachorra, etc. Vi um machismo também na forma como ela se portava diante do marido por meio da divisão de papéis entre eles. Ele escreve e ela arruma a casa. Depois, claro, entendemos que ela É a casa, o lar. Mas até chegar a esse ponto, ela foi retratada como a musa do poeta. 

– Ninguém ouve 

Isso tudo fez com que eu pensasse no quanto a humanidade está destruindo o mundo e parece que ninguém está ouvindo os chamados da natureza. A casa que estava sob reforma foi ficando cada vez mais danificada. As pessoas estavam derrubando e acabando com todo o trabalho da personagem. E não importava o quanto ela gritasse e pedisse, as pessoas continuavam abusando e utilizando suas coisas e roubando seus pertences. Ela tentou mostrar, mas quem poderia escutá-la? Quem está escutando? São furacões, terremotos e vulcões acontecendo e pessoas morrendo. Não seriam gritos pedindo o fim da destruição? 

– O trabalho como um parto 

Quando fazemos um trabalho que exige muito de nós, dizemos que foi “um parto”. Então acredito que essa também seja uma interpretação válida para explicar que a partir do momento que a inspiração do poeta engravidou, ele começou a escrever. Quando o trabalho foi concluído, ela deu à luz. Um trabalho importante é como um filho, é como algo que faz parte da gente, porque, afinal, é algo que veio de nós, saiu de nossas entranhas. Ao terminarmos, entregamos para o mundo aquilo que somos. E as pessoas fazem daquilo o que bem entenderem. (Desde fanfics até adaptações para o cinema, no caso de livros, por exemplo). As pessoas podem até mesmo destroçar a sua criação. Isso pode ser simbolizado na morte do bebê. (E que cena forte foi aquela!) 

“Mãe!” é provocativo e é um ótimo filme para ser visto e debatido. Você saí do cinema com vontade de conversar. Você olha pro lado e já quer falar com sua companhia: “Você entendeu o mesmo que eu?”. 

E vocês, o que entenderam depois de assistir a “Mãe!”? Deixe sua opinião nos comentários! 

Dois Irmãos e a violência como sinal de masculinidade

Nesse ano de 2017 foi lançada a minissérie Dois Irmãos, no canal Rede Globo. A produção é baseada na obra de Milton Hatoum, foi escrita por Maria Camargo e tem direção artística de Luiz Fernando Carvalho.

A produção técnica do programa, assim como a maioria das produções do canal, é incrível e digna de Hollywood. Da fotografia ao som, não há o que questionar. No entanto, o conteúdo, mais especificamente, o roteiro, não segue o mesmo caminho e perpetua esteriótipos que estão mais do que na hora de serem questionados e quebrados na programação brasileira.

mv5bzdkwy2q2yzatowy5zc00nji1lwjiyjgtymm4n2ezmwi0mwnll2ltywdlxkeyxkfqcgdeqxvymty2mzyynza-_v1_

Sinopse: A história gira em torno de dois irmãos gêmeos idênticos, Omar e Yaqub, que têm personalidades conflitantes desde pequenos, e suas relações com a mãe (Zana), o pai (Halim) e a irmã (Rânia). Moram na casa da família a empregada Domingas e seu filho, Nael. O menino é quem narra, após trinta anos, os dramas que testemunhou calado. Do seu canto, ele vê entes da família de origem libanesa terem desejos incestuosos e se entregarem à vingança, à paixão desmesurada, em Manaus.

No primeiro capítulo, somos apresentados a Manaus, mais parecida com uma vila, em plena década de 20. Na trama, o personagem Halim (Bruno Anacleto) é apaixonado por Zana (Gabriela Mustafá) e, um dia, decide entrar no restaurante do pai desta e recitar um poema. Assim, com esse simples gesto, a menina se encanta e está decidida e a se casar com o moço.

halim-recita-gazal-para-zana-no-biblos-fase-1-editada
Halim (Bruno Anacleto) e Zana (Gabriela Mustafá)

Recentemente, vi uma crítica que dizia achar incrível que Zana avisa ao pai que irá se casar, como quem diz que vai na padaria. Porém, ao meu ver, eu questiono muito essa forma de romance, em que nada acontece e é só o rapaz declamar um poema para que a menina, considerada a mais linda da cidade, caia de amores. Eu amo poemas e poesias, mas convenhamos que ninguém se apaixona por alguém em três segundos, muito menos por causa de uma declamação , a não ser em filmes à la Disney.

A partir disso, os anos se passam e o casal está pronto para ter filhos. Na verdade, a mulher que exige filhos, já que o marido, não gostaria de ser pai. Assim, eles têm os gêmeos Omar e Yaqub, e se inicia toda a tragédia.

De acordo com o narrador, o filho “caçula”, Omar, nasceu muito fraco e quase morreu e, por isso, a mãe o cuidou com mais zelo e carinho, do que seu irmão. Por meio dessa preferência da mãe, surgiu uma relação de ciúme doentio dentro da família, do pai com os filhos e de Omar (o filho queridinho) com Yaqub (o menino calado).

yaqub
Os intérpretes de Omar e Yaqub, Lorenzo e Enrico Rocha, Matheus Abreu e Cauã Reymond.

Por meio disso, a história incita o ódio entre os irmãos o tempo todo, justificando a briga e violência destes, por causa de ciúmes e culpando todas as mulheres envolvidas. Ainda no capítulo 1, Omar, agora com uns 10 anos de idade, e Yaqub, se apaixonam por Lívia e esta, parece interessada nos dois. Não conhecemos nada da menina, ela simplesmente aparece para “provocá-los” e causar discórdia.

Na cena em que eles vão a exibição de um filme, na casa dos vizinhos, Yaqub beija Lívia e Omar, possuído pelo ciúme e ódio, quebra uma garrafa de vidro e corta o rosto do irmão. Zana, a mãe sofredora, não sabe lidar com a situação sem magoar um dos filhos e Halim, o pai bipolar, decide enviar o filho machucado para o Líbano, seu país de origem, por alguns anos.

Nesse trailer da série é possível ver a cena do corte.

O tempo passsa e a relação de Zana e Omar, agora confusa, com beijos no pescoço e pegadas por trás, fica mais forte e ambígua, enquanto Yaqub, volta, anos depois, mais quieto do que nunca e sem se sentir um membro da família. Ou seja, Yaqub, quem levou a cortada, que foi mandado embora e, exatamente ninguém, sentou para conversar com Omar e dizer que o que ele fez foi errado.

Por meio de narrativas assim, continuamos a ensinar aos meninos que quanto mais violento e dominador eles forem, mais eles provarão sua masculinidade. A mídia, seja televisão, cinema, internet, quadrinhos, etc, tem um papel essencial na construção de um indivíduo e quando mostramos cenas nesse estilo , crianças e adultos permanecem com a ideia estereotipada de masculinidade como forma de oprimir e dominar.

Além disso, a não ser pela personagem Zana, que é a mãe dos gêmeos, todas as mulheres mal falam e tampouco tem personalidade e histórias interessantes. A maioria aparece para saciar as vontades dos homens ou causar “discórdia” entre eles, o que me fez lembrar o texto que li no site groknation.com, “Porquê mulheres são vistas como puritanas ou putas?”.

Na imagem, a personagem Lívia, mais conhecida como a “causa” da discórdia entre os irmãos.

Segundo uma das colaboradoras do groknation*, Sa’iyda Shabazz, “As duas primeiras imagens de mulheres foram ou a Virgem Maria ou Maria Madalena, uma prostituta que buscava a redenção de Jesus. Quando somente há duas únicas visões de mulheres, desde os primórdios, como é que se supõe que iremos passar adiante disso? […] Nós ainda preferimos manter as mulheres ao padrão da mãe virgem, porque é mais seguro, do que ver as mulheres como pessoas totalmente formadas que podem desfrutar de algo como o sexo, sem motivos de procriação.” (Tradução livre)

Outro detalhe interessante é vermos as cenas de Zana e Rânia, sua filha, numa eterna disputa de poder e beleza, além de que, conforme a própria narração diz sobre a mãe: “ao envelhecer, Zana perde sua beleza para a filha”. Enquanto jovens, somos lindas, quando envelhecemos, somos esquecidas e rechaçadas e, claro, a disputa entre mulheres não foge nem dentro da família. Nao sei aonde iremos parar com esses “ensinamentos”.

zanamontagem
Zana, interpretada por Gabriela Mustafá, Juliana Paes e Eliane Giardini.

E o quê falar da personagem Domingas (Zahy Guajajara)?

Quando criança, ela fica órfã e é entregue à Zana, como um presente, para servir como empregada doméstica, mas, na verdade, ela se torna uma escrava. O próprio narrador, que é seu filho, comenta “Domingas é meio ãma, meio escrava”. Meio não, ela é escravizada, humilhada e abusada o tempo todo. Inclusive, a personagem é estuprada pelo gêmeo Omar e NINGUÉM comenta o assunto e a jovem ainda é humilhada, quando anda com seu filho pela cidade, chamada por nomes horríveis, até mesmo pela “patroa”, que diz não querer “um filho de ninguém” em sua casa.

dois_irmaos_zahy_guajajara_cena_fixed_big
Domingas (Zahy Guajajara).

Será que ninguém percebe o quão errado é isso? No momento em que uma das personagens é humilhada, estuprada, abusada, e não tem sequer voz e história por trás, fica a entender de que ela pertence à família e eles podem fazer o que quiserem com ela, especialmente os homens. Esse tipo de história concretiza a ideia de que nós, mulheres, somos meros objetos de prazer masculino. E não, nós NÃO somos! Sem contar que, também remete à ideia de que índios são inferiores, sendo justificável os brancos, no caso, libaneses, escravizá-los.

Para piorar, as outras mulheres, maioria negras ou estrangeiras, aparecem quando Omar quer transar ou quando quer provocar sua família, em particular sua mãe, que insiste em humilhar as moças, as chamando de vadias e destruidoras de lares, passando a mão na cabeça do filho, que estupra, abusa e soca quem ele quiser, sem nunca ser punido.

dois-irma%cc%83os-omar-invade-festa
O filho quem leva a “destruidora de lares” para casa e ela quem é humilhada e expulsa do lugar.

Por fim, entendemos que a redenção de Omar acontece, quando seu filho, Nael, vindo de um estupro, estende suas mãos ao “pai”, querendo ouvi-lo dizer perdão. Infelizmente, Omar, assim como a maioria dos homens, que usam e abusam de sua “masculinidade”, nunca assume e, talvez, nem entenda seus erros, enquanto, Domingas são esquecidas e jogadas ao mar. É simplesmente cansativo vermos minisséries como esta, em que os homens seguem esse padrão de violentar quem eles bem quiserem para provar seu lugar como macho alfa e nunca serem reprimidos ou punidos por seus crimes.

Até quando insistiremos em histórias assim?

Ano passado, tivemos o prazer de assistir Justiça que, mesmo tendo histórias tristes e pesadas, deu um show de humanidade. Então por que não vemos mais programas como este, ao invés de Dois Irmãos, que somente investe em misoginia, preconceito, ódio e mais ódio? O que estamos querendo passar aos nossos meninos/homens e o que estamos dizendo sobre nossas meninas/mulheres?

Para refletir sobre o assunto, indico o documentário the Mask You Live In , abordado pela Louise Queiroga, no texto “A máscara que os meninos usam”, em que a autora diz O filme aborda como a masculinidade é socialmente construída e o quanto isso fere a forma de como os homens poderiam se expressar”. Ademais, o doc ainda mostra como a mídia influência no desenvolvimento de caráter de uma pessoa.

Sendo assim, uma produção que tinha tudo para ser extraordinária, acaba ferindo as mulheres e perpertua a educação machista de nossa sociedade. Uma das coisas que salva o programa, é a maravilhosa interpretação de Juliana Paes e Eliane Giardini, mas, até mesmo a primeira, quando elogiada, tem seu corpo e nudez glorificado e o talento velado.

captura-de-tela-2017-01-23-as-16-52-36
As primeiras notícias do Google, ao pesquisar sobre a atriz na minissérie, são sobre as cenas em que ela aparece nua.

*groknation.com: é o site da atriz e neurocientista Mayim Bialik, mais conhecida pelo papel de Amy Farrah Fowler, na sitcom americana The Big Bang Theory.

BIBLIOGRAFIA:

GROKNATION. FEMINISM 101: WHY ARE WOMEN ONLY SEEN AS “PRUDES” OR “SLUTS”?. 2017. Diponível em: <http://groknation.com/women/feminism-101-why-are-women-only-seen-as-prudes-or-sluts/&gt;. Acesso em: 22 de jan. 2017.

GSHOW.‘Dois Irmãos’: conheça a história da nova minissérie da Globo. 2017. Disponível em: http://gshow.globo.com/tv/noticia/2016/11/dois-irmaos-conheca-historia-da-nova-minisserie.html&gt;. Acesso em: 22 de jan. 2017.

WIKIPEDIA. Dois Irmãos. 2017. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Dois_Irmãos_(minissérie)&gt;. Acesso em: 22 de jan. 2017.

This is US: o mais novo amor em forma de série.

Representatividade importa e muito. Esse assunto tem sido o tópico de muitos textos, não só do Projeto Nellie Bly, como vários outros blogs, de pessoas que estão cansadas das mesmas histórias, com o mesmo tipo de protagonista, como se o mundo não tivesse a diversidade que tem.

No entanto, essa luta não é só do público, na verdade, existem pessoas no mercado que entendem essa demanda, pois fogem ou também se cansam do padrão, e estas pessoas nos presenteiam com trabalhos incríveis. Este texto é justamente sobre uma das mais recentes séries dramáticas americanas, que o público ganhou e MUITO.

This is US

Trailer da série.

Série criada por Dan Fogelman e exibida pelo canal NBC, lançada em 2016.

Sinopse: Rebecca Pearson teve uma gravidez difícil de trigêmeos. O nascimento dos filhos aconteceu no dia em que seu marido, Jack Pearson, completava 36 anos. A vida de Rebecca, Jack e seus três filhos – Kevin, Kate e Randall – são apresentadas em diferentes fases. As histórias de Rebecca e Jack geralmente ocorrem durante a fase inicial do casamento, em torno do nascimento das três crianças ou em diferentes etapas da educação destas. Além disso, seguimos as narrativas de Kevin, Kate e Randall, quando estes tem exatamente 36 anos, cada um com sua própria bagagem. Assim, presenciamos essas tramas, todas conectadas entre si, não só pelo laço familiar, mas pelo emocional.

No piloto da série, já é possível entender a ligação de todos os personagens e perceber que, as histórias mostradas, se passam em épocas diferentes e isso é o charme de This is Us. Tudo começa com Rebecca (Mandy Moore), comemorando o aniversário do marido, Jack (Milo Ventimiglia), e antes que ela pudesse finalizar sua dancinha sensual, sua bolsa estoura e eles correm para o hospital.

Ao mesmo tempo em que conhecemos o casal, somos apresentados à novos personagens, que vivem situações separadas, mas todos estão interligados, pois fazem parte da mesma família. Decidi falar de casal em casal, porque é muito amor para uma série só e todos merecem uma chance de brilhar.

1) Rebecca e Jack Pearson.

this-is-us-coxinha-1
Rebecca Pearson (Mandy Moore) e Jack Pearson (Milo Ventimiglia)
O casal central deste novo drama tem uma linha narrativa muito intrigante. A vida deles se passa nos anos 70, às vezes pulando décadas, mas, no começo, é sobre a etapa de vida em que eles são pais de trigêmeos. Primeiro que, no dia do parto, o casal já sofre uma das maiores perdas possíveis e, de alguma forma, a vida dá uma oportunidade pra eles, de passar e superar essa dor, justamente através do amor.

Além disso, acho maravilhosa a relação deles, pois cada um lida de uma forma diferente com tantas mudanças na vida e, sempre quando achamos que eles vão surtar e ter um problema, o casal consegue fazer o que a maioria dos casais se esquecem: conversar. A partir disso, um consegue compreender o lado do outro e vemos como eles vão amadurecendo, juntos, com todas as dificuldades, ganhos e perdas, e o público se envolve com essa relação fofa.

Aliás, outro fato interessante é que Rebecca deixa bem claro que não será mãe sozinha. Como a história se passa nos anos setenta, normalmente vemos o pai trabalhando e voltando pra casa, enquanto a mãe toma conta dos filhos e do lar. Porém, já nos primeiros episódios, a personagem se impõe, dizendo que não vai aceitar isso e que espera uma atitude de pai, em relação ao Jack, e, por incrível que pareça, ao invés de se irritar ou dizer que ele é quem trás o dinheiro pra casa, ele entende as questões da mulher e seu dever como marido e pai e assume isso pra si. Como não faltam reviravoltas nessa série, é importante falar que estou me referindo somente ao início da relação deles.

2) Beth e Randall Pearson.

This Is Us - Season Pilot
Beth Pearson (Susan Kelechi Watson) e Randall Pearson (Sterling K. Brown)
A sequência do casal Beth e Randall se passa nos dias atuais, já casados e com duas filhas pequenas. No entanto, como grande parte desta trama tem a ver com Randall em busca de seu verdadeiro pai, volta e meia, o programa mostra essa narrativa no passado, para entendermos como este foi abandonado pelo pai biológico e adotado pela família de Rebecca.

Primeiro que o Randall é um fofo, que abraça tudo e todos. Eu me surpreendo muito com as atitudes dele e com seu sofrimento, de tentar achar respostas, sem magoar ninguém e me encanto, pois, infelizmente, acaba sendo diferente vermos personagens masculinos com tanta sensibilidade, quando, na verdade, era o tipo de representatividade que mais precisamos para acabar com esse esteriótipo de que homem tem que gritar, provar que é machão e nunca chorar.

Segundo que a mulher dele é incrível. Ela é a mentora dele, ao mesmo tempo em que ela precisa se achar e se impor no meio dessa busca do marido, pelo pai biológico. Aliás, a grande sacada dessa série é justamente um personagem ser o mentor do outro. Acho incrível essa troca de conhecimento, pois todos temos muito o que apender e ensinar, também.

Por fim, é bastante interessante vermos a infância e juventude dele, quando este sofria preconceito na escola por ser negro e adotado, e toda a dificuldade que Randall passa, às vezes recebendo o apoio da família, outras, sendo negado por esta, como é o caso de seu irmão, Kevin, que também reproduzia os preconceitos da sociedade.

3) Kate e Kevin Pearson.

this-is-us_765x410_
Kate Pearson (Chrissy Metz) e Kevin Pearson (Justin Hartley).
Kate e Kevin são irmãos gêmeos, do tipo que conseguem sentir a dor física do outro, mesmo estando a quilômetros de distância. Talvez, essa seja minha trama preferida, porque vemos Kevin, um ator famoso, lindo e rico, irritado com o último papel que conseguiu e buscando novas oportunidades, sendo divertido assistir um homem branco objetificado na sitcom em que trabalha e magoado com isso. Quem sabe assim, alguns homens entendam o quão cansativo e vazio é pra nós, mulheres, quando atuamos ou vemos isso acontecendo com a maioria dos personagens femininos.

Além disso, Kate trabalha para o irmão, mas tem seu drama pessoal, que é sua dificuldade em se aceitar, devido ao seu peso. Ela inicia uma terapia em grupo, onde conhece Toby Damon (Chris Sullivan), um cara que enfrenta os mesmos problemas que esta e, pela primeira vez, ela consegue assumir o protagonismo em sua vida e não mais viver às sombras do irmão. Eu não consigo deixar de me apaixonar pela Kate, toda vez que ela entra em cena e dá um show de talento e sensibilidade, nos provando que ela tem tanto brilho quanto o irmão.

200w
Sua linda!
Aliás, essa história é emocionante, não só por dar voz a uma personagem que, normalmente, é o alívio cômico* das séries, mas, porque, assim como ela, posso me identificar com a dificuldade em conseguir achar seu espaço nesse mundo machista e padronizado, que costuma dar voz aos “Kevins” que existem.

content_pic
Poster da série.
This is US está na primeira temporada, sendo que já foi renovada para mais duas e levou o prêmio de melhor série dramática estreante no People’s Choice Awards* 2017. Isso não é mera coincidência e, sim, devido à maravilhosa forma como o roteiro nos guia, nas dores pessoais de cada um, além de seguir um dos temas mais prestigiados da televisão: família.

Sentimos, através da história, dos diálogos e dos atores, a dificuldade de cada um, nos simpatizando e nos identificando, como humanos. Claro que cada um tem um problema diferente, uns com assuntos mais pesados, outros menos, mas todos com dores e sofrimentos, aos quais podemos ter empatia e entender cada vez mais, o que é estar na pele de uma pessoa diferente de você.

Assim, prepare seu coração e guarde um horário na semana, para começar a maratona e se emocionar e encantar com novos pontos de vista dentro de uma produção televisiva.

BÔNUS DO DIA

Como de costume, sempre coloco um “bônus” nos meus textos e nesse não seria diferente. Eu posso estar ficando maluca, mas não consigo assistir ao programa, sem comparar Mandy Moore, no papel de Rebecca Pearson mais velha, com a Diane Keaton e lembrar do filme, em que elas fizeram papel de mãe e filha, Minha mãe quer que eu case (2007).

e15a4e12863b0136_mandy
Mandy Moore como Rebecca Pearson mais velha.

13353
Diane Keaton.
Ok, talvez nas fotos não pareça tanto, mas juro que na série elas se assemelham bastante e lembrar de Diane Keaton é sempre um amorzinho, né?

VAI LOGO ASSISTIR ESSA SÉRIE!

*alívio cômico: é a inclusão de um diálogo, cena ou personagem humorístico, para quebrar situações de drama ou suspense.

*People’s Choice Awards: premiação norte-americana voltado ao cinema, música, televisão e, mais recentemente, internet, aonde o público é quem vota nos seus favoritos.

BIBLIOGRAFIA

ADOROCINEMA. Veja a lista completa de vencedores do People’s Choice Awards 2017. 2017. Disponível em: <http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-127157/&gt;. Acesso em: 19 de jan. 2017.

IMDB. This is Us. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt5555260/&gt;. Acesso em: 19 de jan. 2017.

Uma História de Amor e Fúria: A animação brasileira que você precisa assistir.

Antes de mais nada, acredito que você, assim como a maioria dos brasileiros, mal conheça animações nacionais. Infelizmente, como já é muito difícil produzir a sétima arte no Brasil, com o desenho animado não seria diferente, então é normal não conhecer essas produções, pois elas não existem em grande quantidade como a norte-americana e tampouco são divulgadas como deveriam.

No entanto, nossa produção não é nula, muito pelo contrário, o conteúdo de filmes de animação no Brasil tem qualidade, não sendo à toa que no ano de 2016, O Menino e O Mundo concorreu ao Oscar de melhor animação, merecidamente.

capa_blog03_b
Poster do filme O Menino e o Mundo, filme de Alê Abreu.

Com isso, a intenção deste texto é justamente falar de uma das animações brasileiras que você, ela e todo mundo, precisam assistir.

 

Trailer do filme.

Filme escrito e dirigido por Luis Bolognesi, também conhecido pelos roteiros de Bicho de sete cabeças (2000), As Melhores Coisas do Mundo (2010) e Elis (2016).

O longa-metragem Uma história de amor e Fúria (2013) conta a história de um guerreiro imortal, que está vivo há mais de 600 anos, sempre em busca do seu eterno amor, Janaína. Mas como o próprio título já diz, essa trama, além de amor, contém fúria, passando por momentos marcantes da evolução de nosso país, desde a época em que “Brasil era o nome de uma árvore”, até o ano de 2096.

Apesar de ser uma ficção, a narrativa nos encanta com essa relação do casal, que perpetua por séculos, além de nos mostrar toda a força e resistência do povo brasileiro, contra as injustiças que, infelizmente, continuam até hoje.

A animação começa em 2096, com uma cena rápida e, volta para o ano de 1566, na Guanabara, quando o o guerreiro Tupinambá Abeguar, descobre seu destino. Segundo o xamã da tribo, Abeguar foi escolhido pelo deus Munhã para liderar seu grupo e lutar contra o malvado Anhangá. Quando seu povo é dizimado pelos portugueses, o herói se transforma em um pássaro e voa por mais de duzentos anos para encontrar Janaína, que foi morta no massacre aos índios.

As quatro encarnações de Janaína e seu guerreiro imortal.

 

Assim, vamos para o ano de 1825, onde nosso protagonista é Manuel Balaio que vive com Janaína e suas duas filhas, no Maranhão. Quando uma de suas filhas é abusada pelo comandante policial, Balaio lidera os moradores oprimidos e eles libertam a cidade de Caxias. No entanto, o governo envia Duque de Caxias e suas tropas vencem o povo. Balaio se transforma novamente em um pássaro, indo encontrar sua amada, no ano de 1968, no Rio de Janeiro.

Mesmo sendo uma animação, lembrando que este tipo de produção nem sempre é voltado para crianças, vemos cenas fortes de tortura e violência, mostrando a dura época da ditadura. Após essa fase, o roteiro nos leva de volta à cena inicial, no ano de 2096, onde a disputa agora, é pela água, que vale mais do que qualquer outra coisa.

1782555_776137162414584_2007472940_o
Cena do filme.
É incrível como a partir de uma história de amor, o público é levado pro passado e futuro, nos lembrando de todas as feridas, que ainda não foram cicatrizadas, e nos fazendo refletir, sobre aonde podemos chegar e o que perderemos com tudo isso.

O motivo de resistência por parte do nosso guerreiro é seu amor por Janaína e, como nossa querida Janaína, foi uma guerreira em todas as suas vidas, nosso personagem principal segue os passos desta e não desiste nunca do amor e de um mundo melhor.

Aliás, Janaína é dublada pela Camila Pitanga e, só isso, já é maravilhoso. Ela é poderosa em todas as suas encarnações, sendo dolorosas, todas as vezes que perdemos nossa personagem, instantes em que sentimos na pele, o sofrimento do pássaro e viajante do tempo, dublado pelo Selton Melo.

Eu me arrepio com a eterna luta desse casal, de libertar seu povo e ficar junto. E mesmo com todas as derrotas, com todo o sofrimento, basta o sorriso um do outro, que eles lembram que estão do lado certo na luta. Mesmo eu não acreditando em destino, eu me emociono demais com as cenas dos dois, em que o mundo para pra ouvir esses corações apaixonados.

Para o texto não ficar muito melancólico e romântico, esse filme, além de ter esse lindo romance, vale pela história do nosso Brasil. Claro que somente quatro épocas são retratadas, sendo que uma se passa num futuro que ainda faltam 80 anos pra chegar, mas todas as dores permanecem até os dias atuais, nos fazendo questionar o por quê de tanta guerra e injustiça.

Normalmente eu não sou fã de longas com narrador, mas, como o narrador, no caso, é o próprio protagonista, nos contando sua história de vida e nos mostrando seu ponto de vista, é impossível não se envolver nas falas deste. Por sinal, as falas são muito marcantes e fortes, nos comovendo e nos fazendo pensar sobre nosso passado, os erros já cometidos e que ainda não foram consertados. Como o narrador diz: “Viver sem conhecer o passado é andar no escuro.”

860641_585869831441319_575462158_o
“Meus heróis nunca viraram estátuas. Morreram lutando contra os caras que viraram.”
Assim, eu aconselho essa produção cinematográfica pelos personagens, pela história de amor, resistência e fúria, além de ser uma animação maravilhosa, que nos lembra que é possível produzirmos esse tipo de filme no nosso país.

Eu, que escolhi a carreira de cinema, levo pancadas quase todos os dias por essa escolha difícil, mas são filmes como este, que me lembram de continuar minha jornada.

BIBLIOGRAFIA:

IMDB. Uma história de amor e fúria. 2013. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt2231208/&gt;. Acesso em: 16 de jan. 2017.

UMA HISTÓRIA DE AMOR E FÚRIA. 2013. Disponível em: <http://www.umahistoriadeamorefuria.com.br&gt;. Acesso em: 16 de jan. 2017.

Shonda Rhimes: a jornada de uma incrível contadora de histórias.

Já faz um tempo que eu queria dedicar um post exclusivo sobre a deusa Shonda Rhimes e, finalmente, esse dia chegou.

Aliás, chegou no momento certo, pois hoje, 13 de janeiro, é o aniversário dessa diva amada criadora das melhores histórias.

200-44
Feliz Aniversário, Shonda! Com o parabéns da rainha Michelle Obama!

A Shonda é uma grande inspiração pra mim, não só pelo trabalho como roteirista e produtora executiva, mas também pelas causas sociais que ela adere. Assim como venero a Tina Fey, que é minha roteirista preferida do gênero da comédia, eu defino a Shonda como a melhor criadora de séries do gênero Drama.

Aliás, não só no ramo da televisão, os filmes que Rhimes escreveu o roteiro, também são maravilhosos.

Com isso em mente, resolvi fazer uma pequena resenha de todos os trabalhos de sucesso da minha diva amada, justificando e enfatisando o quão importante eles são pra diversidade e representatividade no mercado audiovisual.

SÉRIES TELEVISIVAS

1) Grey’s Anatomy (2005 – 2017)

1_2016-09-30-07-38-26

Exibido no canal ABC, criado por Shonda Rhimes, que também é a showrunner*.

Sinopse: Um drama médico centrado em torno de Meredith Grey, uma aspirante a cirurgiã e filha de uma das melhores cirurgiãs, Dr. Ellis Grey. Ao longo da série, Meredith passa por desafios profissionais e pessoais, junto de outros colegas cirurgiões, no Seattle Grace Hospital.

Vamos deixar algo claro: Grey’s é dramalhão SIM, no entanto, é o drama médico mais extraordinário que existe. Sabe por quê?

200-2
Han?

A história central, ao menos em boa parte das temporadas, é a vida de Meredith Grey (Ellen Pompeo), uma pessoa tão cheia de problemas, mas ao mesmo tempo, maravilhosa, que é impossível não se encantar e se indentificar com suas dores.

Dr. Grey lida com o alzheimer de sua mãe, enquanto também tem de lidar com a reprovação desta e o desenvolver da trama é incrível e tem cenas que tocam à alma. Já na sua vida profissional, Meredith encara os desafios de um médico residente cirúrgico, junto de seus colegas, Cristina Yang (Sandra Oh), Izzie Stevens (Katherine Heigl), George O’Malley (T.R. Knight) e Alex Karev (Justin Chambers) e, assim, o roteiro se desenrola muito bem, nos envolvendo nos casos médicos, torcendo junto deles, para que salvem seus pacientes.

200-8
Os pupilos: Karev, Yang, O’Malley, Grey e Izzie.

Na vida pessoal, Grey se envolve com o Dr. McDreamy, ou Dr. Derek Sheperd (Patrick Dempsey), que é casado com a diva, deusa, amada, Dr. Addison Montgomery (Kate Walsh). E claro, ao invés de explorar a rivalidade delas, a trama vai muito além e te faz torcer para que os três resolvam seus problemas e sejam felizes juntos, separados, a três, a dois, a um, do jeito que quiserem.

200-47
Addison diz pra Meredith “Eu não te odeio.”

Além disso, ao invés de depender do boy magia, a pessoa mais próxima de Grey, é ninguém mais, ninguém menos, que Cristina Yang. Amo a amizade delas e como uma é “a pessoa” da outra. Aliás, a Dr. Yang supera qualquer um naquele lugar, por toda sua determinação, inteligência, força e, principalmente, por não deixar  o machismo de cada dia afetar sua evolução como médica cirurgiã.

200-7
You are my person!

Ainda temos a pessoa mais fofa do mundo, Dr. Izzie Stevens e, essa personagem é tão bem construída e interpretada, que você fica feliz por ela, até quando ela tem relações com um fantasma.

200-9
YOU GO GIRL!

Como não falar da Dr. Miranda Bailey (Chandre Wilson)? Ela é a mentora dos cinco internos, super rigorosa e carinhosa, do jeito especial dela. Adoro sua sabedoria, seu lado humano e como ela sabe se portar diante das dificuldades em ser chefe dos futuros cirurgiões.

200
Você mesmo, sua linda!

Ademais, Shonda mostra o mundo como ele é, ou seja, tem diversidade pra dar e vender nesse programa. Primeiro que o elenco foge do padrão de homens brancos, segundo que temos casais homosexuais incríveis, sem contar nas relações entre pessoas de diferentes etnias.

A história de amor entre Dr. Richard Webber (James Pickens Jr.) e Dr. Ellis Grey (Kate Burton), mãe de Meredith, é linda e, também, muito real, pelo simples fato de que eles não ficam juntos no final, mesmo tendo muito amor um pelo outro. Claro que ao longo da série você entende os motivos e um dos principais é por ele ser casado com a linda Adelle Webber (Loretta Devine), mas tem muito nó ali, que a narrativa vai desfazendo, e seu coração se derrete toda vez que eles estão juntos, ela com sua doença e ele como seu ex e eterno amor.

100218-ent-greys-hmed-grid-6x2
Richard e Ellis Grey.
LORETTA DEVINE, JAMES PICKENS JR.
Adelle e Richard Webber.

Para eu não ficar 365 dias falando sobre a trama, algo que eu conseguiria porque tem muita história e muitos personagens, vou finalizar com o casal mais incrível e associável possível. Sou team Arizona Robbins (Jessica Capshaw) e Callie Torres (Sara Ramirez) total. Adoro como esse relacionamento é mostrado, nu e cru, assim como qualquer outra relação entre homem e mulher. Apesar dos pesares, não quero dar spoiler, é impossível não torcer por elas até o fim. Amo, amo, amo!

giphy
Arizona e Callie.

Aliás, uma curiosidade válida de ser contada é que, a criadora, em uma entrevista, disse que ao tentar vender a série, teve dificuldades, pois no piloto, a personagem principal passa uma noite com um desconhecido e isso seria um “absurdo” de ser mostrado em um canal aberto. Depois de treze anos, acho que esses produtores estavam completamente enganados, hein?

Deusa Rhimes criou essa série e você deverá assistir, porque senão é pecado. Só um conselho: como a série está na 13 temporada, com 20-25 episódios cada, veja aos poucos, porque senão sua cabeça pode surtar, como a minha surtou. E claro, vai com o coração na mão, preparada(o), pois nossa diva Shonda, infelizmente, adora matar nossos personagens favoritos.

de702f20dc38d68d62174aad77aa74b3
Façam suas apostas! Quem sobreviverá até o final, na ShondaLand*?

2) Private Practice (2007 – 2013)

tv_private_practice11

Exibido no canal ABC, criado por Shonda Rhimes, quem também é a showrunner.

Sinopse: Um spin-off *do drama médico “Grey’s Anatomy”, centrado na vida da cirurgiã neonatal Dr. Addison Montgomery.

Pra quem já assistiu Grey’s Anatomy, deve se lembrar do último episódio da terceira temporada, que é basicamente a introdução da série Private Practice. Aliás, muita gente deve ter estranhado, pois no capítulo, Dr. Addison (Kate Walsh) se despede do Seattle Grace Hospital, pega o carro e vai pra famosa LA, reencontrar com sua melhor amiga, Naomi Bennett (Audra McDonald).

200-10
“Será que alguém notaria se eu sumisse?” Tanto notamos, querida Addison, que fomos atrás de você nessa nova jornada.

Sendo assim, nessa história, seguimos a vida de Dr.Addison Montgomery, que se muda definitivamente para Los Angeles e começa a trabalhar numa clínica privada, The Oceanside Wellness Group.

200-16
Os médicos da clínica.

Por enquanto, só assisti alguns episódios da primeira temporada, mas posso te dizer que a Addison continua maravilhosa e diva como sempre. Eu reclamava que ela devia aparecer mais em Grey’s Anatomy, porque ela dá de mil em muitos personagens, até mesmo pro Dr. Sheperd, mas isso é somente minha opinião pessoal. Então, como os fãs enlouquecidos como eu, pediram, deusa Shonda atendeu e criou o projeto, aonde nos divertimos e também sofremos com Dr. Addison.

200-13
É muita alegria!!!

Como é uma clínica privada relativamente pequena, o foco é praticar a medicina de cidade pequena e conectar-se com os pacientes e suas famílias. No entanto, no piloto da série, a gente já tem uma noção de que o drama vem dos casos mais difíceis, em que os médicos são obrigados a realizar cirurgias de última hora ou levar seus pacientes ao hospital mais próximo, para não perdê-los.

200-12
“Não consigo. Não consigo. Eu não queria estar sozinha.”

Aliás, nossa amada Montgomery já arrasa no primeiro episódio, nos mostrando que não é àtoa que ela é a melhor cirurgiã do ramo. Além disso, nessa etapa de sua vida, nossa protagonista está decidida a ser mãe solteira, mas descobre que ela não pode ter filhos. Assim, a narrativa desenvolverá esse drama, à la ShondaLand, e nós, torceremos até o fim, pela felicidade de nossa querida médica. E lógico, como o projeto é carimbado pela Rhimes, não vão faltar histórias fantásticas, às quais podemos nos identificar.

200-15
SPOILER ALERT: tem personagem de Private Practice que vai para Grey’s Anatomy e o inverso também acontece. Não é, Dr. Amelia Sheperd?

3) Scandal (2012 – 2017)

scandal-cartaz

Exibido no canal ABC, criado pela Shonda Rhimes, que também é a showrunner.

Sinopse: Olivia Pope é uma “reparadora” profissional, ou seja, ela faz com que os problemas desapareçam antes que alguém saiba que eles existem. Para os ricos, os poderosos e, até mesmo, o presidente, Olivia é uma lenda em seu campo. Seu sucesso é devido à sua regra inquebrável de sempre confiar em seu intestino. Semanalmente, à medida que a equipe corre contra o relógio para desfazer novos problemas intrigantes antes de se tornarem verdadeiros desastres, eles também têm que lidar com suas próprias questões pessoais.

Esquece tudo o que eu falei antes, pois agora o assunto não é medicina, e sim política. Aliás, política e escândalos, e somente uma pessoa pode resolver esse tipo de problema: Olivia Pope (Kerry Washington).

200-28
Sou eu, aham, aham!

Se você gosta de babados cabeludos, que envolvem até mesmo o presidente dos Estados Unidos, você tem que começar a maratona Scandal HOJE. Inclusive, como toda séria Shonda Rhimes, o drama corre solto nessa narrativa, mas é intrigante e cativante.

Aliás, todo mundo que assiste essa série e passa por algum problema difícil de se resolver, sonha em descobrir o telefone da Olivia e ter esta e sua equipe resolvendo seus problemas. Mas, como tudo é ficção (quase tudo), infelizmente temos que resolver nossos problemas por conta própria, porém podemos aprender os truques. E são eles:

Truque número um:

200-34
Seja melhor amiga de um Hacker*.

Truque número dois:

200-32
Tenha contatos na Casa Branca. “Alô, seu presidente?”

Truque número três:

200-29
Vinho, muito vinho.

Truque número quatro:

200-33
Seja um personagem da Shonda e torça para sobreviver.

Truque número cinco:

200-30
Assista à série.

E aí, preciso falar mais alguma coisa pra te convencer desse “escândalo” de série?

200-36

4) How to get away with murder (2014 – 2017)

540c1c362db41p2194819026

Exibido no canal ABC, criado por Peter Nowalk, sendo este e a Shonda Rhimes, uns dos produtores executivos.

Sinopse: Um grupo ambicioso de estudantes de direito e sua brilhante professora de defesa criminal, Annalise Keating, se envolvem num misterioso assassinato que irá mudar o rumo de suas vidas.

PARA TUDO QUE AGORA O ASSUNTO FICOU SÉRIO!

200w

Não pera… volta aqui! Eu me empolguei, mas vamos ao que importa.

How to get away with murder já está na terceira temporada e mostrou que veio pra ficar e abalar nossas estruturas porque, senhoras e senhores, esta trama é de enlouquecer.

Primeiro que a protagonista, Annalise Keating, é interpretada pela Viola Davis, que dá um show de talento e nos assusta com essa personagem incrível e medonha, ao mesmo tempo. Me arrepiam as cenas em que ela engole todas suas dores e é extremamente fria e calculista, resolvendo todo e qualquer problema que envolva assassinatos, mas também me emociono com os momentos em que ela se mostra humana, com dificuldades, como qualquer outra pessoa.

Segundo que os alunos, que antes eram jovens inocentes, agora são cúmplices uns dos outros, sendo praticamente obrigados a manterem esses laços de amizade, caso não queiram ser punidos por seus atos.

Tudo começa com uma festa da faculdade e um assassinato. E aí, achou pouco? Vou tentar de novo. Tudo começa com era uma vez e fim, não pera. Tudo começa com Annalise ensinando como se livrar de um assassinato e seus alunos, também “estagiários” da professora, aprenderem na prática a matéria. Caso você não tenha entendido o que eu falei, está mais do que na hora de PARAR toda a sua vida e ASSISTIR ao programa.

200-26
Calma, calma… não precisa parar tudo. No fim de semana dá pra ver os episódios.

Além disso, assim como praticamente todos os trabalhos em que Shonda põe as mãos, o que não falta é empoderamento feminino, principalmente das mulheres negras, diversidade, com casais maravilhosos, como Connor Walsh (Jack Falahee) e Oliver Hampton (Conrad Ricamora), personagem latino, Laurel Castillo (inclusive, a intérprete Karla Souza é mexicana) e histórias de tirar o fôlego e deixar qualquer um confuso e admirado.

200-20
Esse beijos, hein? Queremos!

Também não posso deixar de falar que um dos personagens é soropositivo e eu acho maravilhosa a forma como eles nos fazem entender melhor quem passa por isso, os respeitando e não mais os excluindo, como nossa sociedade costuma fazer.

Por último, é importante avisar que, se você começa a série gostando de alguém, as chances de você parar de gostar dessa pessoa, nos próximos capítulos ou temporadas, são grandes. A história muda, tantas vezes, assim como os personagens, que é impossível não seguir essas transformações e refletir sobre todos os assuntos abordados, além de claro, se questionar o que você faria no lugar deles. Acho que eu estou feliz em só assistir e não estar na pele de ninguém.

Madamentos da ShondaLand: Deverás assistir essa série.

Violas Davis recebendo o Emmy de melhor atriz em 2015. Um dos melhores e mais lindos discursos que você vai assistir.

5) The catch (2016 – 2017)

maxresdefault

Exibido no canal ABC, criado por Kate Atkinson, Helen Gregory e Jennifer Schuur, tendo Shonda Rhimes como uma das produtoras executivas.

Sinopse: Segue a vida de uma investigadora particular, cuja especialidade é expor fraudes.

Se você é aquela pessoa tem preguiça de começar uma série que já tem muitas temporadas, eis a solução dos seus problemas. The Catch está indo para a segunda temporada, com somente 10 episódios cada e, logo no piloto, já temos a maior reviravolta de todas.

200-38
Mireille Enos como Alice Vaughan.

Alice Vaughan (Mireille Enos), uma detetive particular, está prestes a se casar com Benjamin Jones (Peter Krause), quando ela descobre todas as mentiras de sua vida e que seu noivo, na verdade, é o maior trambiqueiro e dá golpes e mais golpes, tudo em prol do dinheiro. Inclusive, ele se aproximou de Alice para justamente estar sempre um passo à frente desta e não ser pego em seus crimes.

No entanto, acredite se quiser, o dois se gostam de verdade. A partir disso, começa a caçada. Nossa heroína está decidida a pegar o ex, custe o que custar. Viu como foi rápido?

Então para de drama e vai logo por essa série em dia!

200-39
Que comece
200-37
a caçada!

FILMES

1) Crossroads: Amigas para sempre (2002)

crossroads_britney

Dirigido pela Tamra Davis e escrito pela Shonda Rhimes.

SinopseTrês melhores amigas enterram uma caixa, fazendo um pacto para abri-la à meia-noite no dia da graduação do colégio. No entanto, o tempo passa e suas vidas mudam. Na noite da formatura, elas abrem a caixa e depois de muita conversa, decidem ir para Los Angeles, para que Lucy (Britney Spears) faça a audição para ser contratada por uma produtora musical. Com um pouco de dinheiro, elas partem na estrada com um cara chamado Ben (Anson Mount), e uma delas conta o boato de que ele pode ser um maníaco homicida. Agora, elas enfretarão a jornada de suas vidas, com ou sem maníaco.

Gente, para tudo porque “It’s Britney Bitch!”.

200-40

Se você, assim como eu, nasceu nos anos noventa, com certeza viveu a época Britney Spears e cantava suas músicas, num inglês completamente errado, e se achava o máximo por isso.

E o que dizer desse filme?

Eu lembro até hoje o dia em que assisti ao filme no cinema e com quem eu fui. Imagino que a maioria das pessoas que saíram da sala, ficaram encantados e emocionados com a história dessas três amigas, sua força e união, e, sonhou em também viver uma viagem na estrada com suas melhores amigas.

200-41
Kit (Zoe Saldana), Mimi (Taryn Manning) e Lucy (Britney Spears).

E o que falar dessa trilha sonora que me faz chorar até hoje?

Clipe da música I’m not a girl, Not Yet a Woman interpretada pela Britney Spears.

Caiu um cisco aqui, pera… É que a nostalgia chegou ao nível máximo!

Esse filme é sobre amizades que duram pro resto de nossas vidas, do apoio entre amigas e sobre seguir seus sonhos, ou seja, tudo que é essencial em nossas vidas. E claro, quando as coisas ficarem difíceis, nada como cantar I Love Rock ‘N’ Roll com suas “migs” do coração.

200-42

Aliás, não posso deixar de mencionar que a atriz que interpreta a Mimi (Taryn Manning), pra quem não reconheceu, é a Tiffany Doggett de Orange is the New Black. RAPAZ, como o tempo passa! E também tem Kim Cattrall no auge de Sex and The City. Peraí que eu vou ali preparar as pipocas!

200-43
Sabemos que é você, “Mimi Tiffany Manning”.

2) O diário da Princesa 2: Casamento Real (2004)

Dirigido por Garry Marshall e roteirizado por Shonda Rhimes.

Sinopse: A Princesa Mia acaba de completar 21 anos e é esperado que ela assuma o lugar de sua avó como a rainha de Genovia. Mas o visconde Mabrey lembra a todos da lei que afirma que uma mulher solteira não pode ser nomeada rainha, e com o apoio do parlamento, ele se opõe à coroação de Mia. No entanto, a rainha Clarisse pede que Mia tenha tempo para encontrar um marido e ela recebe 30 dias. O sobrinho de Mabrey, Nicholas, encontra-se com Mia e estes se interessam um pelo outro. Agora, eles tem 30 dias para decidir o que fazer com esses sentimentos.

Falando em Nostalgia…

Trailer de O Diário da Princesa 2.

Se tem um filme que levou Anne Hathaway ao estrelato, esse filme foi O diário da Princesa. E, como todo filme de sucesso, ele acabou tendo uma sequência, que foi escrito pela nossa aniversariante do dia, Shonda.

Esse filme tem empoderamento feminino dentro do universo das princesas e rainhas. Apesar de ser da Disney, esse conto de princesa tem um toque especial, até porque, nossa protagonista irá mudar essa péssima tradição, de que uma mulher só pode se tornar rainha se for casada com um homem.

Como todo filme romântico à la princesas, Mia Thermopolis encontra o par ideal, mas acaba se apaixonando pelo “vilão” da história e, com isso, terá que enfrentar os desafios de ser feliz no amor e continuar o legado de sua família.

Aliás, esse filme tem um charme, pois a Rainha Clarisse Renaldi é interpretada por nossa querida Noviça Rebelde, linda como sempre, Julie Andrews.

Além disso, tem até uma participação da Raven-Symoné. Sério, se você está na faixa dos vinte e poucos anos, tem que se lembrar da série infantil “As Visões da Raven”. EU AMAVA!

Julie Andrews e Raven-Symoné.

Para finalizar a resenha dessa produção cinematográfica, eis as maiores lições do longa-metragem:

200-46
“Uma rainha nunca está atrasada. Todos é que simplesmente chegaram cedo.”
200-45
Um beijo de amor verdadeiro só é válido quando tem a “levantadinha” da perna.

Shonda por Shonda

36_shonda_rhimes_cover_embed
Capa da revista “The Hollywood Reporter” com Shonda Rhimes.

Após essa leva de projetos vitoriosos, eis que finalmente podemos concluir que Shonda Rhimes mudou muito o conceito de série de sucesso, com suas histórias extraordinárias, que mostram, sempre, o mundo com toda a sua diversidade.

Para os que se interessam pelo trabalho dela, é possível conhecer um pouco mais, através do seu livro Year of Yes e, também, aos que pretendem seguir a carreira do mercado audiovisual, esse ano de 2017 será lançado o curso intensivo de Escrita para Televisão, dado pela própria Shonda, no masterclass.com.

Ademais, ela é um exemplo pras futuras roteiristas como eu e para qualquer menina/mulher que está cansada dos padrões de nossa sociedade. Para todos que querem uma melhor representação e oportunidades para mulheres, negros, latinos, LGBTs, entre muitos outros, eis que as narrativas de nossa guerreira provam que é possível fazer sucesso e quebrar tabus, ao mesmo tempo.

Me encanto, me impressiono e me inspiro muito com o trabalho de Rhimes e torço, para que um dia, eu possa ser ao menos um terço do que ela é hoje, pois já estarei muito satisfeita.

Ted Talk 2016: Meu ano de dizer “sim” para tudo.

BÔNUS DO DIA

Para quem gostaria de ver nossa deusa atuando, é só checar o episódio 5, da terceira temporada de The Mindy Project, ao qual eu falo no texto “13 comédias criadas e protagonizadas por mulheres que você precisa assistir“.

Não me procurem, pois eu fui ver minhas séries! Beijos.

*Hacker: uma pessoa que possui interesse e um bom conhecimento na área da informática, sendo capaz de fazer hack (uma modificação) em algum sistema informático.

*ShondaLand: é uma produtora de televisão americana fundada pela escritora/produtora Shonda Rhimes.

*Showrunner: é o cabeça de equipe de uma série televisa. Além de produtor executivo, é roteirista e costuma tomar a decisão final dos episódios.

*Spin-off: é um programa de rádio, televisão, videogame ou, qualquer outra obra narrativa, derivada de uma ou mais obras já existentes.

BIBLIOGRAFIA

IMDB. Shonda Rhimes. 2017. Disponível em: http://www.imdb.com/name/nm0722274/&gt;. Acesso em: 13 de jan. 2017.

IMDB. The Devil wears Land’s End. 2014. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4029966/?ref_=nm_flmg_act_1&gt;. Acesso em: 13 de jan. 2017.

Significado de Hacker. Disponível em: <https://www.significados.com.br/hacker/&gt;. Acesso em: 13 de jan. 2017.

WIKIPEDIA. Shonda Rhimes. 2017. Disponível em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Shonda_Rhimes&gt;. Acesso em: 12 de jan. 2017.

11 Filmes de animação, com protagonismo feminino, que você precisa assistir.

1) A viagem de Chihiro (2001)

21052756_20131024195513383

Filme japonês produzido pela Studio Ghibli e dirigido e escrito pelo prestigiado Hayao Miyasaki.

Sinopse: A caminho de seu novo lar, o pai de Chihiro decide pegar um atalho e se perde. Sua família chega numa cidade sem nenhum habitante e seus pais decidem comer a comida de uma das casas, mas Chihiro desconfia de algo. Os pais são transformados em porcos gigantes e, para salvá-los, Chihiro terá que enfrentar os desafios de um mundo fantasma, povoado por seres exóticos.

Esse desenho animado foge do que estamos acostumados a consumir no Brasil, no entanto, ele tem uma narrativa incrível, que, através da fantasia, mostra a transformação de uma menina, Chihiro, da infância para a adolescência.

200-14
Chihiro é bastante corajosa e, não é à toa, que entra num ônibus cheio de fantasmas.

Os seres do outro mundo são todos enigmáticos, alguns amigáveis, outros, assustadores, nos lembrando que crescer é isso, enfrentar todos os tipos de desafios, tendo pessoas do nosso lado ou não. A pequena Chihiro cria um laço de amizade muito forte com Haku, um menino que perdeu sua identidade para a pavorosa Vovó Yubaba e está preso na cidade dos fantasmas.

20161115_582a7f157305b
Chihiro e Haku.

O filme é repleto de mistério e magia, com direito a fantasmas gulosos, bebês gigantes e dragões. A protagonista é encantadora e bastante determinada, pois tudo o que ela quer, é salvar seus pais e seu mais novo amigo, Haku, que também a ajuda nessa jornada.

Eu aconselho esse filme porque tem uma visão de mundo completamente diferente dos costumes brasileiros, mas podemos nos identificar pelas emoções dos personagens. Além de que, a trama é bastante única e nos apresenta um universo esquisito, porém intrigante e cativante.

2) Cada um na sua casa (2015)

466137

Um filme da DreamWorks Animation, dirigido por Tim Johnson e roteirizado por Tom J. Astle e Matt Ember.

Sinopse: A Terra é invadida por uma raça alienígena em busca de um novo lar. Porém, uma esperta garota chamada Tip, consegue fugir e acaba virando cúmplice de um alienígena exilado, chamado Oh. Os dois fugitivos embarcam em uma grande aventura.

Esse filme é uma graça e tem dois personagens incríveis, Tip e Oh, que vivem uma jornada juntos e, apesar das diferenças, são o suporte um do outro, para que Tip reencontre sua mãe e Oh descubra onde é o seu lugar.

Esse longa é incrível, principalmente pela representatividade, visto que Tip é uma menina negra e é raro termos protagonistas negras em desenhos animados com tamanha repercussão.

200-12
Sim Tip, você é maravilhosa!

Além disso, a amizade dos dois personagens é muito forte e associável, nos lembrando que nossas diferenças também são capazes de nos unir. Acho maravilhosa a forma como um ajuda o outro e como eles vão aprendendo o significado de família e amizade, ao longo da trama. Tanto Oh, quanto Tip, aprendem os costumes um dos outros, inclusive Oh nunca tinha dançado uma música antes de conhecer sua nova amiga.

200w
“Minhas mãos estão pro alto, como se eu não me importasse!”

Esse filme vale por tudo, pela narrativa, pela protagonista e, também, pela trilha sonora, que está incrível e tem Jennifer Lopez cantando a música original do filme, Feel the light. E claro, não podemos nos esquecer que quem dubla a personagem na versão americana, não é ninguém mais, ninguém menos, que Rihanna, e suas músicas também estão na trilha sonora.

QUEREMOS JÁ!

Clipe da canção Feel the light, interpretada pela J-Lo.

3) Divertida Mente (2015)

365361

Uma produção Disney Pixar, dirigido por Pete Docter e Ronnie Del Carmen.

Sinopse: Crescer pode ser uma jornada turbulenta e com Riley não é diferente. Conforme ela e suas emoções, Alegria , Medo, Raiva, Nojinho e Tristeza, se esforçam para adaptar-se à uma nova vida, uma enorme agitação toma conta do centro de controle em sua mente. Embora Alegria, a principal e mais importante emoção de Riley, tente se manter positiva, as emoções entram em conflitos, sobre qual a melhor maneira de viver em uma nova cidade, casa e escola.

Como falar desse amorzinho em forma de animação?

Nada como uma história que nos mostre como é crescer, lidando com todas as mudanças de nossas vidas e como nossa cabecinha pode pirar, quando temos dificuldade em nos encaixarmos numa nova realidade.

Nossos sentimentos são muito bem representados, claro que eles escolheram somente cinco das emoções que temos, mas são as mais importante e, de uma forma extremamente divertida, aprendemos como Alegria e Tristeza andam juntas e ambas são necessárias para nosso desenvolvimento como seres humanos.

200-20
Alegria, Tristeza, Raiva, Nojinho e Medo.

Acho incrível a história da Riley, que agora enfrenta uma escola nova e tem pesadelos como “o dente caindo e ela aparecendo sem calça no colégio”. Quantas vezes já não tivemos esse sonho, né? Eu tive milhares de vezes e olha que estudei no mesmo lugar, por anos.

Adoro a personagem Nojinho, porque ela nos lembra como ser descolada na escola, o Medo, que nos ensina os perigos e, na maioria das vezes, as paranóias que temos no dia a dia, sem contar o Raiva, que vive explodindo, porque né, a vida não é fácil.

200-19
Não é fácil!

Mas claro, as melhores personagens são Alegria e Tristeza, a primeira nos lembrando que ser positivo é importante e faz bem pra gente e, a segunda, nos lembrando que nem sempre conseguimos ficar alegres e que tudo bem, pois todos passamos por momentos difíceis e são justamente nessas horas que, família e amigos são essenciais em nossas vidas.

O longa-metragem vale não só pela linda história, mas porque tem cenas hilárias como o namorado(a) dos nossos sonhos, aquela pessoa que todas as meninas e meninos, sonham na adolescência, que virá nos resgatar de nossa realidade e viveremos felizes para sempre. Mas isso é só sonho, até porque, legal mesmo é se apaixonar por pessoas reais e que nos fazem bem.

200-22
“Eu morreria pela Riley!” Esses crushs imaginários, hein?

No demais, acho que o ponto mais marcante desse filme é mostrar a personagem Tristeza, um dos sentimentos que mais teremos ao longo da vida, como algo importante e que faz parte de ser humano. Não podemos afastar a tristeza e sim entendermos que ela é necessária e que pode ser uma aliada no nosso crescimento e, que, junto das outras emoções, ela que nos torna especial e humanos.

E o prêmio de melhor personagem vai para…

200-21
Tristeza! A drama queen mais linda de todas.

4) Frozen (2013)

1d52e8741feb668c8ed07199e7d41c3d

Filme da Disney dirigido por Chris Buck e Jennifer Lee, que também é a roteirista do longa.

Sinopse: Acompanhada por um vendedor de gelo, a jovem e destemida princesa, Anna, parte em uma jornada por perigosas montanhas de gelo na esperança de encontrar sua irmã, a rainha Elsa, e acabar com a terrível maldição de inverno eterno, que está provocando o congelamento do reino.

Para TUDO, porque está na hora do momento “Let it go”.

200-24

Sim, é filme de princesas, mas, não estamos falando daquelas princesas que tem finais felizes para sempre, com príncipes encantados. Muito pelo contrário, o filme até brinca com essa ideia surreal, de ensinarmos meninas a esperar por um princípe que não existe, mostrando Elza confusa com sua irmã mais nova, que decide se casar com um moço que ela conheceu há um dia.

Existem outros projeto da Disney que também brincam com essa ideia fantasiosa, que o próprio estúdio Walt Disney insiste em contar, como o filme Encantada, que também é maravilhoso e só não entrou na lista porque é um filme live-action*.

200w-2
Fica pra próxima, Giselle.

Primeiro que é incrível a Elza achar surreal o casamento de sua irmã e ser contra, porque realmente não dá para casar com alguém que conhecemos em um dia.

Segundo que, a própria rainha Elza, de tanto que ela foi reprimida e forçada a esconder seus poderes de gelo, acabou sendo um exemplo de força feminina, quando ela decide que não mais esconderá quem ela é e que será feliz assim.

Mas claro, nem tudo são flores, ao longo da jornada ela vai aprender como controlar seus poderes e entenderá como pode ajudar seu povo, com essa magia única e encantadora.

Além disso, temos o querido Olaf, um boneco de never que adora abraços quentinhos e sonha com o verão. Ele é uma figurinha!

200-10
Você mesmo, Olaf!

Por fim, o momento mais especial, é a narrativa mostrar o que é o amor verdadeiro. Amor verdadeiro pode ou não ter laços consanguíneos, e não necessariamente será um par romântico, ele pode ser amor de mãe, pai, ou, como o filme retrata, amor de irmã.

Tem coisa mais linda do que a ligação entre Elza e Anna?

200-9
Elza e Anna quando pequenas.

Então vá assistir esse longa porque é outro roteiro que nos faz refletir sobre os padrões da sociedade e, mesmo as princesas sendo lindas e perfeitas, algo que ainda precisa ser quebrado, ele é incrível e um passo para a transformação e o feminismo já na infância.

Agora, vocês me dêem lincença, que eu vou ali fazer a Elza, porque nesse verão, só seus poderes congelantes nos salvará.

200-8
Vai um gelinho aí?

5) Lilo e Stitch (2002)

lilo-stitch-critica-poster-camundongo

Outra produção Walt Disney, com direção e roteiro de Dean DeBlois e Chris Sanders.

Sinopse: Um alienígena fugitivo aterrisa no Havaí, onde mora a jovem órfã Lilo Pelekai, que está ameaçada de ser removida da guarda de sua irmã mais velha, Nani. Numa visita a um abrigo de animais para adotar um cachorro, Lilo acaba levando a Experiência 626 e o batiza de Stitch. Agora, Lilo tenta educar seu rebelde “animal”, enquanto Stitch evita ser levado de volta à seu planeta.

Agora o assunto ficou sério. O que é Lilo & Stitch?

Sinceramente, ao meu ver, esse é um dos melhores filmes que a Disney já lançou.

Primeiro que a Lilo é a personagem mais fofolinda que existe e, assim como muitas crianças, ela tem dificuldades em se enturmar no grupo de amizades. Com isso, em uma das cenas, Lilo vê uma estrela cadente e pede um “anjinho”, mas acaba ganhando o Stitch, que, no final, é mais que anjo, ele se torna um grande amigo.

200-25
“As pessoas me tratam diferente.” Ah, querida Lilo.

Depois, a própria história do Stitch é incrível, um alien criado para destruir tudo o que vê pela frente, mas que cria laços fortes com sua nova família, no planeta Terra, e descobre que não está mais sozinho no mundo.

Além disso, também temos os hilários Agente Pleakley e o cientista Jumba Jookiba, que nos divertem tentando caçar o Stitch, porém se aliam ao próprio alienígena para resgatar sua amiga e irmã, Lilo.

lilo-e-stitch
Agente Pleakley, Jumba, Stitch e Lilo.

Também temos o agente Cobra Bubbles, que vive de cara amarrada, mas tem o maior coração e salvou o planeta Terra de ser extinto por uma raça alienígena, tudo isso graças aos mosquistos.

200-26
Mas também, né? O trabalho dele não é fácil!

Ademais, a relação mais linda e encantadora do longa, é a de Lilo com sua irmã mais velha, Nani, que agora, assume o papel de “irmãe”. Elas perderam seus pais num acidente de carro e, agora, são a única família que tem e é simplesmente apaixonante a forma como elas se amam e, mesmo tendo problemas como todas as irmãs, lutam até o fim para ficarem juntas.

Eu amo essa produção cinematográfica, pela representatividade, pela forma como mostra amor, amizade e família e, também, por mostrar diversidade, provando que nossas diferenças nos tornam únicos e especiais. Além de que, as frases e lições do roteiro são lindíssimas e inesquecíveis.

200-6
“Ohana quer dizer família. Família quer dizer nunca abandonar ou esquecer.”

Assim, eu recomendo essa história pela carga emocional, pelas aventuras incríveis, por nos identificarmos com as dores dos personagens e, claro, porque a trilha sonora toca Elvis Presley. Até o Stitch se rende aos encantos do rei.

200-7
Stitch Presley.

6) Moana (2017)

csky6rmviaenstq-jpg-large

Dos criadores de Frozen e Zootopia, essa é a mais recente produção da Disney, dirigida por Ron Clements e John Musker.

Sinopse: Moana Waialiki é uma viajante entusiasta do mar e a única filha de um chefe, em uma longa linha de navegadores. Quando os pescadores da ilha não conseguem pegar nenhum peixe e as colheitas falham, ela descobre que o semideus, Maui, causou esta praga ao roubar o coração da deusa Te Fiti. Para salvar seu povo, Moana parte em uma jornada pelo pacífico, com o intuito de convencer Maui a devolver o coração e quebrar a maldição.

Mal lançou o filme e, eu, uma garota de vinte e cinco anos, já fui ao cinema assistir. E vou lhe dizer, valeu muito à pena!

Moana não é uma princesa, mas sim uma líder e uma sonhadora aventureira. Ela é extremamente determinada e destemida, aceitando o desafio de ir atrás do semi-deus, Maui, e salvar seu povo, visto que agora ela assumiu a liderança do grupo.

200-11
Moana.

A trilha sonora está incrível, mas incrível MESMO, e a gente segue a jornada dessa heroína, vendo seus antepassados, seus medos e sua coragem, para conquistar seu lugar no mundo.

Além disso, é muito legal a relação de Moana com Maui, um cara mimado, que, na verdade, só queria ser aceito e adorado por todos. Ela dá um banho de maturidade e ensinamentos ao semi-deus, mas, juntos, formam uma dupla e tanto.

Aliás, Moana deixa bem claro que está ali pra aprender e ser independente e não espera que nada, nem ninguém, faça seus deveres por ela.

E o que falar do Tomatoa, Mon Amour? Tem carangueijo mais charmoso que esse, todo brilhoso? Apesar dele ser “malvado”, não dá pra resistir à sua sequência musical e se encantar com tanto glamour.

tamatoa-moana-movie
Tomatoa.

No entanto, a amizade e o amor mais lindo é de Moana com sua avó, Tala, considerada a “maluquinha” da aldeia. Elas tem uma relação muito fofa e uma é o grande apoio da outra. Achei linda todas as cenas em que ambas estavam contracenando e, admito, chorei um pouquinho.

200-9
Todo grupo tem uma maluquinha incrível, né?

Sério, se você não viu, compre seu ingresso agora e veja ou, assim que lançar pra DVD ou Blue-ray, assista. É um dos filmes com protagonista feminina mais incríveis que a Disney lançou nos últimos anos e, uma curiosidade, o filme foi baseado em histórias da mitologia polinésia. O que você está esperando?

VAI ASSISTIR AGORA!

7) Mulan (1998)

mulan_ver1

Produção Disney, dirigido por Tony Bancroft e Barry Cook.

Sinopse: Baseada numa das lendas mais populares da China, esta aventura conta a história de uma jovem destemida, Mulan, que decide se disfarçar de homem, treinar para se tornar um bom soldado e, assim, ocupar o lugar de seu pai no exército chinês. Acompanhada por seu divertido dragão de guarda, Mushu, Mulan treina para ser um soldado habilidoso e valente e acaba aprendendo muitas lições sobre coragem, honra e amor.

Vamos ser sinceras, Mulan é diva da parada toda!

Sem dúvida alguma, este é um dos meus filmes preferidos de animação e, com certeza, minha protagonista favorita. Amo o jeito desastrado da Mulan, sua “rebeldia” em prol do amor pela família e sua coragem, em enfrentar inimigos e o machismo do seu próprio país.

200-12
MARAVILHOSA!

Esse é o tipo de filme que arrepia à alma e nos faz ter o maior orgulho de sermos mulheres. É incrível como Mulan quebra todas as regras, justamente por amor à seu pai.

Nessa aventura, ela recebe a pior e melhor ajuda de todas, do seu guardião, Muchu, e seu grilinho da sorte, Gri-li. Enquanto este realmente parece trazer sorte, o outro é completamente atrapalhado e estressadinho, mas um fofo, que nos faz querer um guardião igual à ele.

200-15
Muchu e Gri-li.

Além disso, também aprendemos bastante sobre a cultura chinesa e o patriotismo do país, e nos maravilhamos com os personagens e suas histórias, todas únicas e especiais. Sem contar nas músicas do filme, que são excelentes.

Outra coisa surpreendente é que, literalmente, a heroína de toda a história, é a Mulan. Por mais que tenham vários outros homens do exército, como o capitão Shang, ela quem descobre todos os truques do inimigo e vira uma das maiores heroínas da China. Só tenho amor e orgulho por essa personagem.

Assista porque você NÃO vai se arrepender!

200-30
Mulan e Shang.

8) Persepolis (2007)

artoff1375

Animação francesa, baseada no romance autobiográfico homônimo de Marjane Satrapi, dirigida e escrita por Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud.

Sinopse: Uma jovem iraniana que sonha em ser profeta, acompanha de perto a queda do Xá e de seu regime brutal. No entanto, ela acaba se revoltando contra as imposições fundamentalistas dos rebeldes, especialmente contra as mulheres.

Essa animação é em preto e branco e tem um tom bem mais sério do que as outras mencionadas. Ela segue a infância, adolescência e juventude de Marjane (Marji), uma iraniana que quebra tudo o que nós, do lado de cá, imaginamos sobre os costumes de seu país.

Baseado em sua vida pessoal, vemos como a protagonista, desde criança, lidava com a guerra e a repressão de seu Estado, com todos os que eram contra as leis, principalmente à opressão das mulheres.

persepolis-images
Marjane, novinha, era fã de rock, no entanto, esse tipo de música era proibida em seu país.

Ao longo da história, Marjane vai morar duas vezes no exterior, primeiro em Viena, ainda jovem, depois na França, nunca mais voltando à seu país de origem. Nessas viagens, também acompanhamos o seu dia a dia, suas amizades e relações amorosas, bastante desastrosas, como a de qualquer outra menina na faixa dos 15-20 anos.

200-32
E as baladas secretas em seu país, hã? Maravilhosas!

É incrível como vemos a força das mulheres iranianas, cansadas de tantas regras e imposições, desde crianças. Além disso, também sentimos a dor da personagem principal, que se vê forçada por seus pais, que querem o seu bem, a morar em outro país, para que possa ter a liberdade que sempre desejou. Até mesmo sua avó, divorciada há anos, numa época em que o divórcio era mal visto, torcia pela ida de sua neta e que esta tivesse uma vida bem melhor que a dela.

200-33
“Você vai conhecer muitos idiotas em sua vida.” Falou e disse, Vovó!

No demais, eu aconselho esse filme, pois aprendemos um pouco mais sobre a história, extremamente única, de Marji, nos mostrando, pela sua visão de mundo, como foi sua vida ao longo das décadas de 80 e 90, no meio da repressão, guerra, amor e família.

9) Pocahontas (1995)

pocahontas-clasicos-na-critica-poster-11

Mais um filme da Disney, com direção de Mike Gabriel e Eric Goldberg.

Sinopse: Este é o conto sobre o romance entre uma jovem indiana americana, chamada Pocahontas, e o capitão, John Smith, que viajou para o Novo Mundo, junto de outros colonos, para começar uma vida nova. Seu poderoso pai, Chefe Powhatan, desaprova este relacionamento e quer que ela se case com um guerreiro nativo. Enquanto isso, os companheiros de Smith esperam roubar o ouro dos nativos. Será que o amor de Pocahontas e Smith salvará o dia?

Apesar deu achar a personagem bastante sexualizada e isso ser um problema, ainda mais por se tratar de um desenho animado, aonde a sexualização das personagens deveria passar longe, eu adoro essa trama e me encanto com as atitudes dessa protagonista. Uma aventureira, bastante independente, que questiona às regras de seu mundo quando conhece pessoas de outro mundo.

Pocahontas respeita muito seu pai e sua aldeia, mas não se contenta com as imposições destes. No entanto, ela os defende, com toda a garra, dos ingleses, que querem levar as riquezas de seu lar.

200-16
Pocahontas.

Além disso, as conversas que ela tem com sua avó, Willow, que fala com sua neta através de uma árvore encantada, são muito inspiradoras e nos engrandecem como pessoas. A forma como sua avó a ajuda a lidar com seus sentimentos por John e seu respeito à seu povo, é incrível, mostrando que amor nos faz questionar nossa realidade, mas não nos impede de juntar o velhos ensinamentos, com novos aprendizados.

200-31
Vovó Willow.

Como é baseado em fatos reais, esse filme também nos faz refletir sobre a covarde colonização dos europeus às terras dos índios. Quem dera se na vida real, eles respeitassem o espaço dos nativos e fossem embora.

Mesmo sendo uma ficção animada, temos muito o que aprender com a história dessa heroína, que é capaz de tudo por amor, família e lealdade, nos ensinando a principal base da convivência entre humanos: o respeito.

200-17
Sem contar, no seu amor e carinho pela natureza e os animais.

Aconselho essa trama por todos os ensinamentos, que nos fazem crescer como pessoa e como civilização, o respeito ao próximo e a natureza, além de ter músicas lindas, como “Cores do vento”.

Cena da música “Cores do Vento”.

10) Valente (2012)

valente

Uma animação Disney Pixar, dirigida por Brenda Chapman, Mark Andrews e Steve Purcell. A história foi criada pela Brenda Chapman, que também participou do desenvolvimento do roteiro.

Sinopse: Merida, uma talentosa arqueira e a teimosa filha do Rei Fergus e da Rainha Elinor, está decidida a trilhar o seu próprio caminho. Com isso, ela desafia uma antiga tradição sagrada para os agitados e divertidos Lordes do reino. As ações de Merida desencadeam, sem querer, o caos no reino. Agora, ela precisa usar todas as suas habilidades para desfazer uma terrível maldição antes que seja tarde demais.

Merida é a rebelde ruiva que você mais respeita! Sim, sim!

200-3
“Eu sou demais! Sim, a melhor passando.”

Essa protagonista é incrível, porque ela, assim como as outras citadas, simplesmente não aceita às regras do reino em que vive. Como seus pais decidem que esta deve se casar, seguindo a tradição, a convite de sua mãe, a Rainha Elinor, os filhos primogênitos de três reis, aceitam o desafio e tentam conquistar a mão de Merida.

No entanto, irritada e decepcionada com essa tradição, nossa personagem decide lutar pela sua própria mão e mostra muito mais habilidade, com seu arco e flecha, do que os outros concorrentes.

Óbvio que sua mãe fica extremamente desapontada com esta atitude e, nossa heroína, foge do castelo, tentando buscar uma resposta que mude seu destino. Assim, ela encontra o lar de uma bruxa que faz um feitiço, ao qual transformará a rainha Elinor em um urso.

200-36
Rainha Elinor antes do feitiço.
200w-3
Depois do feitiço.

A partir disso, o longa mostra a transformação, tanto de Merida, quanto de sua mãe, que juntas, tentarão desfazer a magia e se reconectar, uma com a outra. É simplesmente lindo e comovente as cenas em que, mãe e filha, buscam uma saída para seus problemas e sua falta de comunicação, nos lembrando que ser mãe, também é dar liberdade e, ser filha, é aprender e ensinar ao mesmo tempo.

Eu aconselho essa produção por tantos motivos, mas, principalmente, por se passar num reino distante e, mesmo assim, ser possível de se associar com a vida de qualquer menina que está cansada das regras de sua sociedade. Além disso, os trigêmeos, irmãos de Merida, são engraçadíssimos, assim como seu pai, o Rei Fergus, nos entretendo nessa emocioante narrativa, de uma líder aventureira que irá provar o seu lugar no mundo.

11) Zootopia (2016)

d4weun0ys74-movieposter_maxres

Dos mesmos criadores de Frozen e também um projeto da Walt Disney, foi drigido por Byron Howard, Jared Bush e Rich Moore.

Sinopse: Quando Judy Hopps chega em Zootopia, ela descobre que ser a primeira coelha da equipe da polícia, formada por animais grandes e fortes, não é nada fácil. Determinada a provar seu valor, ela embarca em uma aventura atrapalhada e bem humorada, ao lado do malandro raposo, Nick Wilde, para desvendar um grande mistério.

Não sei como falar dessa lindeza de filme, sem puxar o maior saco. Licença!

Primeiro que o filme fala e mostra diversidade e eu acho isso fantástico. Segundo que, nossa protagonista, a querida Judy Hopps, ou, Cenourinha, quebra todos os tabus possíveis, sendo a menor e única mulher da delegacia de polícia ao qual conquista uma vaga.

200
Sim, Cenourinha…você é incrível! Bate aqui *pá!

Apesar de todos os deboches dos valentões da àrea, a policial não se dá por vencida e vai até o fim com suas suposições sobre o misterioso desaparecimento do Sr. Otterton. A partir disso, ela acaba se aliando ao malandro Nick Wilde, que se torna seu grande amigo e companheiro na luta contra o crime.

A história é linda, divertida e dá um show de representatividade, enfatisando que todos merecemos ser respeitados, independente dos nossos sonhos, gostos e aparência. A determinação de nossa personagem principal nos motiva, o tempo todo, a lutar por um mundo melhor, porque ele é possível SIM.

Amo, amo, amo! Não consigo conter minha simpatia pelo roteiro e pela Cenourinha, que é uma linda, guerreira e super independente, que prova que sonhos são possíveis de se tornar realidade, mesmo quando o resto do mundo insiste em lhe dizer que não são.

200-2
Judy Hopps é a melhor e ela sabe disso.

Sem contar na hilária cena do que, aqui no Brasil, chamamos de Detran, onde todos os funcionários são bichos-preguiça. E aí, alguma semelhança com a realidade?

200w
Foi só uma piadinha…

Aliás, não foi à toa que o filme ganhou o Globo de Ouro de melhor animação, nesse ano de 2017. Assistam ao longa-metragem, porque ele vai te emocionar e lhe proporcionar entretenimento e aprendizado, da forma mais fofa e incrível possível.

*live-action: é um termo utilizado no cinema, teatro e televisão para definir os trabalhos que são realizados por atores reais, ao contrário das animações.

Uma resenha sobre Para Sempre Alice em forma de conto

Os créditos apareceram na tela, mas a escritora Beatriz ficou paralisada enquanto eles subiam, sem entender por que demorou tanto para assistir ao filme Para Sempre Alice.

O título não estava nem mais disponível na Netflix, mas ela precisava assisti-lo porque só assim poderia terminar a história que ela começara a escrever um ano antes, mas que ficou deixada de lado durante todo aquele tempo. Sua personagem, Dona Josefine era uma senhora com Alzheimer que recebia uma visita todos os dias.

Quando ainda estava bem de saúde, Dona Josefine gostava de cultivar flores na janela e ir ao mercado diariamente para comprar frutas e vegetais. Passou boa parte de sua vida ensinando português em uma escola no final da rua, onde conheceu seu marido. Apesar de ter amado dar aulas, sua grande paixão era a escrita. Josefine sempre teve grande apreço por cada um de seus personagens. Era quase como se eles tivessem vida própria. As manhãs eram preenchidas pelo som de suas conversas com eles. Durante o almoço o mesmo ocorria, e claro que antes de dormir também.

Mas a rotina de Dona Josefine passou a incluir cada vez menos as conversas com os personagens, o barulho reconfortante da máquina de escrever e os encontros com a filha, conforme o Alzheimer avançava.

Determinado dia, ela recebeu uma visita. Era uma moça que segurava-lhe a mão enquanto balbuciava qualquer coisa. A moça ficou ali por horas, desde que Dona Josefine acordou. E só apagou a luz e saiu quando a professora aposentada já estava pegando no sono. E não é que em outro dia Dona Josefine também recebeu a mesma visita? Ela se perguntou se aquela não era sua irmã mais velha, Cecília. Resolveu chamar por ela. A moça sorriu, mas os olhos não. Aliás, eles ficaram marejados. Em outro dia, sua filha veio vê-la. Dona Josefine então chamou por seu nome, ao que a filha respondeu “estou aqui, mamãe”.

Os dias se passaram até Dona Josefine não mais receber visitas, pois seus dias já tinham atingido a marca no relógio que contou seu tempo aqui. Era sua hora de ir. Os personagens por quem ela era apaixonada, contudo, permaneceram e jamais iriam embora. Nem ela tampouco iria. Sua história ficou aqui, independentemente do que lhe acontecera.

Beatriz sentiu que o desenvolvimento da personagem andava bem. Ela precisava, contudo, ajustar ainda diversos pontos da história que ficaram soltos. Mas, se tudo seguisse conforme seus planos indicavam, no próximo ano o livro estaria publicado.

Após ter desligado e computador, Beatriz ficou contente por ter assistido ao filme. Ele não apenas lhe servira como fonte de inspiração, mas também lhe dera força. O que ela mais gostou do filme foi de ver o desenvolvimento da relação entre a personagem principal, Alice (Julianne Moore), e sua filha mais nova, Lydia (Kristen Stewart). Ao que tudo indicava no início do filme, ela era a mais distante dos seus filhos. No jantar do seu aniversário, em outubro, ela foi a pessoa que faltou. Quando as duas conversavam sobre o futuro de Lydia, sempre discutiam. Beatriz entendeu o lado da mãe em querer que ela tivesse um sustento próprio e não dependesse do pai. Mas também entendia o lado da filha de querer buscar os seus sonhos.

No entanto, os outros filhos – que pareciam tão mais próximos enquanto ela estava bem – foram sumindo da história, enquanto Lydia aproximou-se cada vez mais da mãe, lhe fazendo perguntas sobre como ela estava se sentindo e conversando com ela por vídeo mesmo que morasse do outro lado do país.

Naquela noite, enquanto pensava sobre o filme, Beatriz pegou no sono. No quarto ao lado, sua mãe já dormia fazia algumas horas e acordaria cedo no dia seguinte com a visita de uma moça.


 

 

Madame Bovary: Livro vs Filme & a depressão de uma extraordinária mulher.

No final do ano passado, eu terminei de ler o livro Madame Bovary, escrito por Gustave Flaubert. A versão que li foi da coleção Clube do Livro, pela editora Novas Fronteira Participações S.A., com tradução de Sérgio Duarte e prefácio de Otto Maria Carpeaux.

madame-bovary
Capa do Livro Madame Bovary, sexto volume da coleção Clube do Livro.

Assim que acabei o livro, fui em busca de alguma produção cinematográfica da história e, dei preferência pelo longa de 2015, pois foi escrito e dirigido por uma mulher, Sophie Barthes, também conhecida pelo filme Almas à venda (2009). Com isso em mente, eu quis fazer uma comparação entre o livro e o filme, além de tentar entender a visão da diretora sobre a vida dessa incrível personagem.

madame_bovary_poster
Poster do filme.

Para quem não conhece a trama, Madame Bovary conta a trajetória de Emma Bovary, uma jovem sonhadora, que acredita estar próxima da felicidade, quando aceita se casar com Charles Bovary. No entanto, Emma acaba entediada em seu casamento com um médico do interior e reprimida numa cidade pequena. Para fugir da monotonia e da depressão, Emma persegue seus sonhos de paixão e excitação, independente do que isso possa custar.

No livro, a história começa com a apresentação de Charles, quando jovem, até sua graduação em medicina e seu primeiro casamento. Ele perde sua mulher muito cedo e, em uma consulta médica ao pai de Emma, M. Rouault, acaba se apaixonando por ela. Logo na primeiro parte, os dois se casam, Charles extremamente apaixonado e Emma com expectativas de que sua vida vai mudar para melhor.

No longa-metragem, o roteiro já começa com o casamento de Emma e Charles e sua ida para a cidade de Yonville. Apesar de ter gostado muito do filme e ter achado que a direção está maravilhosa, fiquei decepcionada com algumas mudanças na narrativa, como por exemplo, antes de morar na cidade de Yonville, o casal vive em Tostes, mas Emma entra em depressão e, para ajudá-la, Charles decide se mudar para uma cidade “maior” (entre aspas, pois ambas as cidades eram pequenas).

madame-bovary-costumes
Emma Bovary (Mia Wasikowska), Charles Bovary (Henry Lloyd-Hughes) e Rodolphe (Logan Marshall-Green).

Além disso, nessa etapa, Emma está grávida de sua única filha, Bertha Bovary, sendo que, no filme, é como se ela não tivesse tido filhos. No entanto, talvez, pelo ponto de vista da diretora e roteirista, ela deve ter omitido a criança da história, visto que ambos os pais não ligavam e não cuidavam muito dela, inclusive ela mal aparece na escrita literária.

A partir disso, acredito que ambos os trabalhos, livro e filme, entram em sitonia, justamente na fase em que, Emma, lutando contra o tédio e a falta de interesse em sua vida, se envolve em dois casos extra-conjugais.

madame_bovary_2014_limited_720p_blu_ray_mkv_20150
León Dupuis (Ezra Miller) e Emma (Mia Wasikowska).

Como não quero dar spoilers, preferi me ausentar dos detalhes dessa narrativa e focar no assunto mais interessante do drama, a depressão da protagonista.

Uma das maiores críticas do autor, Flaubert, aos romancistas de sua época, era a fantasia de suas histórias, iludando o público com tramas que não retratavam a realidade como ela é. Ou seja, ele era contra os romances que tinham finais “felizes para sempre”.

Assim, ele decidiu escrever Madame Bovary, relatando a vida de uma forma nua e crua, em que nos jogamos em fantasias amorosas ou em outras situações, como tentativas de enriquecer a vida, quando na verdade, estamos todos em busca da tal felicidade e ela não é fácil de ser conquistada.

Com isso, o escritor criou Emma Bovary e, em todas as partes do conto, deixa claro as dificuldades dessa em ser feliz e sua eterna luta contra a depressão e melancolia.

200
Sim, Emma… sabemos que não é fácil.

Apesar de ter uma vida razoavelmente boa, ao menos para a época em que vivia, Emma era constantemente ignorada pelo marido e pelos seus amantes que, no final, se mostraram todos uns “monstros”. Ela tenta buscar respostas com paixões, religião, roupas, festas, mas, acaba totalmente endividada, num século em que mulheres eram donas de casa e suas expectativas, culturalmente ensinadas, eram se casar e ter filho.

Emma não é um exemplo de mãe, inclusive, eu acho incrível que um livro de 1857 prove que não existe o tal “instinto materno”. Em nenhum momento a personagem fica animada com a maternidade. Talvez, antes de ter a filha, ela se anime com a ideia, mas quando Bertha nasce, Bovary descobre que nunca quis ser mãe, nos lembrando que isso sempre foi e, ainda é, uma imposição da sociedade e uma felicidade que não é para todas.

Na visão da sétima arte, Sophie Barthes mostra de uma forma majestosa a vida simples e sem muitas novidades de Emma. Ademais, também entendemos o desânimo de nossa heroína, pois ela se casou com um homem sem muitas ambições e, que, por mais que fosse apaixonado por ela, ele não entendia suas tristezas e acabava sendo um péssimo companheiro para alguém com depressão.

madame_bovary_a_l_0
Mia Wasikowska como Emma Bovary.

Minha maior decepção com o filme, foi o fato de não enfatisar o problema de saúde mental que a personagem principal tinha. Naquela época, acredito eu, não era comum a palavra depressão, mas, lendo a história, sabemos que Emma tinha momentos de crise, aos quais nem sempre conseguia se livrar. Ela culpa a todo o instante o marido, por seus problemas, mas ela mesma sabe que não é só isso.

Atualmente, a depressão é um grande problema na vida de muitas pessoas e, quanto mais falarmos sobre o assunto e quebrarmos esse tabu, mais conseguiremos ajudar “Emmas” do século XXI.

Aliás, Emma era uma mulher além de seu tempo, iludida com todos os romances que havia lido e com grandes expectativas, que não foram alcançadas, sobre a vida. Outra coisa que acho majestoso na história, é que não a criticamos por trair o marido. Naquela época, seria de se esperar uma trama que a condenasse pela traição, porém, muito pelo contrário, torcemos junto com ela, para que encontre alguém que a faça feliz.

No entanto, felicidade é uma luta constante e individual. Nos relacionamentos devemos somar e não preencher vazios. Essa foi a maior luta de Madame Bovary, enfrentar seus demônios, todos os dias, enquanto tinha que sorrir para as pessoas a sua volta e fingir que estava tudo bem.

É importante lembrar que, quando foi divulgada, a escrita foi altamente criticada e rechaçada, pois envolvia o tema adultério, criticava a alta sociedade da França e a religião. Hoje, é considerado um dos pioneiros da literatura realista.

Sendo assim, eu me encantei com o livro porque eu adoro personagens realísticos, que vemos e sentimos suas dores de perto, ainda mais uma protagonista feminina, num período em que mulheres não tinham muito espaço. Bovary é uma potência de personalidade e história.

O filme, apesar das pequenas omissões, também é maravilhoso. As atuações estão ótimas, a direção incrível, assim como a arte e o figurino. O roteiro foi bem desenvolvido e, do começo ao fim, já sabemos o trágico fim de nossa querida Emma, mas assistimos com a fantasia de que, talvez, ela conseguirá ser feliz.

No demais, Madame é mais uma protagonista mulher, que nos encanta, fazendo uma pessoa em pleno 2017, escrever uma resenha sobre uma história de 1857.

Trailer de Madame Bovary, por Sophie Barthes.

BIBLIOGRAFIA

IMDB. Madame Bovary. 2015. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt2334733/?ref_=nm_flmg_act_9&gt;. Acesso em: 06 de jan. 2017

UnREAL: o drama, sem drama, que você respeita.

Recentemente um professor comentou que as séries que a esposa dele assiste, Grey’s Anatomy e Scandal, são dramalhões muito chatos. Fiquei com isso na cabeça e tentei fazer uma análise com o outro exemplo que ele citou, Breaking Bad.

Não posso negar que os trabalhos da deusa Shonda Rhimes são dramalhões, mas muito maravilhosos. Também não posso negar que Breaking Bad é puro drama, só que o foco do protagonista vai da família ao poder, enquanto os personagens da Shondaland lidam e focam em milhares de coisas.

200-9

“Alguém me dê um sedativo.” Até Yang sofre em Grey’s, admitimos isso. #tamojunto

Para não rebater o argumento usado com outro projeto que a própria Shonda tenha criado ou produzido, pensei em abordar outro programa, que também tenha protagonismo feminino, seja do gênero drama, além de ser o oposto das séries citadas.

Com isso em mente, o seriado escolhido foi UnREAL. A trama foi criada por duas mulheres, Marti Noxon e Sarah Gertrude Shapiro, e o protagonismo é encabeçado por Rachel Goldberg (Shiri Appleby) e Quinn King (Constance Zimmer).

 

unreal-poster
Quinn King (Constance Zimmer) e Rachel Goldberg (Shiri Appleby) no cartaz da segunda temporada.

A história mostra os bastidores do reality show Everlasting, que é baseado no famoso reality The Bachelor. O programa original, The Bachelor, é um show onde várias mulheres disputam o coração de um homem. Hoje em dia existe o The Bachelorette, que é a versão onde homens disputam o coração de uma mulher.

Em UnREAL, nós vemos toda a parte da produção e filmagens do programa fictício, Everlasting, e descobrimos que o “príncipe”, tão disputado, não tem nada de encantado, que a maioria das falas das participantes são induzidas pelos produtores e, posteriormente, editadas, além de vermos todos os podres dos bastidores, que apesar de ser ficção, tem muita veracidade.

200

Pois é…

Para você ter uma noção de como esse drama é surreal, na primeira temporada, uma das candidatas comete suicídio no local onde o programa é filmado e na segunda temporada, um personagem é morto por racismo. Não estou entrando em detalhes porque não quero dar spoilers, mas quero provar que essa série é um drama bastante pesado e muito bem desenvolvido.

Além do mais, diferentemente de protagonistas como Meredith Grey, nós não gostaríamos nenhum pouco de conhecer Rachel e Quinn, mas a amamos de tão monstras e bizarras que elas são. Sinceramente, Walter White vai pro chinelo perto delas, porque elas conseguem manipular muito bem, tudo e todos, sem precisar fabricar drogas para isso.

200-6

Go Rachel, Go Rachel!

Antes que pensem, eu gosto muito de Breaking Bad. No entanto, é exaustivo quando as pessoas só falam e elogiam esse tipo de programa, com protagonismo masculino, com o argumento de que é excelente e bem desenvolvido, mas nunca ouviram falar de UnREAL, que é tão maravilhoso quanto.

A intenção da série parece bem clara: mostrar todas as mentiras de um reality show, não é à toa que o nome é UnReal (Não Real). Ele mostra como essa indústria é perigosa pras próprias pessoas que participam dela, por tudo o que são obrigados a passar e por toda a competitividade fora e dentro das câmeras.

200-8
O “bachelor” da primeira temporada Adam (Freddie Stroma)
200-5
O “bachelor” da segunda temporada Darius Hill (B.J.Britt)

Aliás, o mais interessante do programa é justamente mostrar como a mídia cria fantasias românticas como se tudo fosse real, mas, na verdade, as pessoas do programa são bastante problemáticas, assim como qualquer outro ser humano, e vivem dentro de um sistema sedutor e destrutível, ao mesmo tempo.

Além disso, a relação das duas anti-heroínas, Rachel e Quinn, é muito questionável, pois elas são uma dupla dinâmica incrível, porém se atacam toda hora, se necessário. A Rachel tem vários problemas de saúde mental e uma mãe psicóloga que cuida dela, mas acaba piorando seu estado, enquanto a Quinn é uma pessoa que só pensa na audiência e em fazer o seu querido show, o melhor de todos, e nunca derrama uma lágrima sequer.

Ou seja, temos duas mulheres ambiciosas e excelentes exemplos de personagens femininas que vivem dramas, sem fazer drama, até porque, elas são obrigadas a esconder tudo, senão seriam presas em três segundos. E claro, não posso deixar de comentar que ambas tem relacionamentos amorosos péssimos, com homens, mas uma acaba sendo o suporte da outra e sempre dão a volta por cima dos ex, que também não são flor que se cheire.

200-2

“Isso é o poder feminino.”

Em contra partida, temos outros persongens como Jay (Jeffrey Bowyer-Chapman) e Madison (Genevieve Buechner) que tem atitudes mais associáveis, mesmo fazendo besteiras, de vez em quando. Aliás, as próprias candidatas do falso reality são maravilhosas, porque cada uma tem uma história diferente e por mais que elas queiram ganhar o “prêmio”, elas não fazem ideia do que estão fazendo ali e questionam a produção do programa o tempo todo, além de terem medo do que pode acontecer com elas. É si por si, mas volta e meia algumas alianças são formadas, até algo quebrar essa união.

unreal-header

Elenco da primeira temporada.

É importante frisar que essa narrativa é bem forte e mostra o pior do ser humano e da televisão, nos fazendo refletir e questionar sobre o que assistimos, sobre relacionamentos humanos e ambição profissional, e pior, como que vale tudo por audiência.

Sendo assim, eu recomendo essa série pra quem gosta de assuntos pesados e uma realidade nua e crua, cheia de reviravoltas, com personagens mulheres maravilhosas, algumas assustadoras, mas incríveis, e também porque cada temporada tem somente dez episódios de 40/50 minutos e a terceira temporada ainda vai começar.

BIBLIOGRAFIA

IMDB, UnREAL.2015. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt3314218/&gt;. Acessado em: 29 de dez.