As emoções de ‘Manchester à beira-mar’ | sem spoilers

Após meu repentino sumiço, voltei para continuar a maratona de resenhas especiais para o Oscar 2017. Como mudei de emprego, precisei de um tempo para me adaptar à nova função e ao novo horário. Agora, já me sinto mais descansada, então vamos a “Manchester à beira-mar”!

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Manchester à beira-mar concorre em seis categorias do Oscar 2017

A história se passa em uma cidade no estado do Maine, a aproximadamente 270km de Boston, onde Lee Chandler (Casey Affleck) trabalha como um zelador e vive sozinho. No entanto, precisa retornar a Manchester quando recebe a notícia do falecimento de seu irmão, Joe (Kyle Chandler). Aos poucos, somos apresentados à família e aos amigos de Lee. Ficamos sem entender, em um primeiro momento, por que ele mostra-se tão relutante a voltar para sua cidade natal.

O suspense é preenchido com belas paisagens e as reações de cada personagem, à sua maneira, após a morte de Joe. O sobrinho de Lee, Patrick (Lucas Hedges), parece encarar bem a situação inicialmente, mas há uma cena em que ele se desmancha e deixa suas emoções à mostra, provando que ninguém é de ferro. Nem mesmo o adolescente do time de hockey da escola, que se acha durão o suficiente, pode encarar qualquer coisa facilmente. Há conflitos internos maiores do que podemos imaginar.

A relação entre tio e sobrinho é conturbada nesse processo de adaptação à nova realidade. Lee se considera como apenas um “apoio” na vida de Patrick. De repente, se descobre na nova função de tutor legal do adolescente. Com isso, veem as responsabilidades de cuidar de Patrick como um pai e os questionamentos e as incertezas se ele está apto para esta função. No entanto, Joe confiava em Lee o suficiente para colocar em seu testamento o desejo que ele retornasse a Manchester e tomasse conta de seu filho.

Lee considera entregar Patrick para a mãe que há muitos anos se separou de Joe, não convivendo mais com o filho. No entanto, ainda que tenha mudado com o tempo, deixando para trás os vícios que a atormentavam no passado, a ligação entre ela e o filho não poderia ser mais a mesma. E, com isso, o tio do garoto foi percebendo cada vez mais que era para ele levar adiante a criação de Patrick. Um precisava do outro para superar as dores que os seguiam.

As razões que repelem Lee daquele lugar aparecem posteriormente. Então entendemos seus medos e nos compadecemos por suas dores. O relacionamento com a ex-mulher, Randi (Michelle Williams) que havia há muito esfriado, mexe com ambos quando Lee volta a Manchester.

Manchester by the Sea (screengrab from EW.com Exclusive clip)
Michelle Williams concorre ao Oscar de melhor atriz coadjuvante

A atuação de Williams está brilhante, ainda que eu não ache que ela vá vencer a estatueta. Nesse caso, minha aposta é Octavia Spencer, de “Estrelas Além do Tempo”.

Dirigido por Kenneth Lonergan, o longa conta com seis indicações ao Oscar: melhor filme, direção, roteiro original, melhor ator (Casey Affleck), melhor ator coadjuvante (Lucas Hedges) e melhor atriz coadjuvante (Michelle Williams), sobre a qual você pode ler no texto de Louise Smith que aborda a performance de Williams, além das demais atrizes que concorrem com ela.

As acusações de assédio sexual ao ator Casey Affleck

Quando Casey Affleck recebeu o Globo de Ouro em janeiro por sua atuação em “Manchester à beira-mar”, as redes sociais foram tomadas por críticas dos que não se esqueceram das acusações de assédio sexual feitas por duas mulheres durante a produção do filme “Eu ainda estou aqui” (2010). O caso foi resolvido na época por um acordo extrajudicial. No entanto, muitos questionam Hollywood por não levar em consideração a ética dos atores no momento de classificar quem está apto a receber prêmios por seus trabalhos.

Estrelas Além do Tempo

É provável que você já tenha ouvido falar no filme Estrelas Além do Tempo, que está concorrendo na categoria de Melhor Filme no Oscar 2017, mas, já parou pra pensar sobre o por quê só ouvimos falar na história de Katherine, Dorothy e Mary em pleno 2017?

Para refletir o assunto, resolvi fazer uma pequena análise do filme, pois devemos falar dessa obra-prima, além de enxergar o que está por trás desse “silêncio” todo.

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Filme escrito por Allison Schroeder e Theodore Melfi – também diretor do filme – e baseado no livro de Margot Lee Shetterley.

Sinopse: Estrelas Além do Tempo conta a história de uma equipe de matemáticas afroamericanas que tiveram um papel vital na NASA durante os primeiros anos do programa espacial dos EUA.

O filme se passa na década 60, no auge da corrida espacial travada entre Estados Unidos e Rússia durante a Guerra Fria, e mostra uma equipe de cientistas da NASA, formada exclusivamente por mulheres negras, que lideraram uma das maiores operações tecnológicas registradas na história americana e se tornaram verdadeiras heroínas da nação.

Ou seja, a história se passa há mais de 40 anos atrás e, somente no final de 2016, que fomos apresentados a essas incríveis mulheres, que, mesmo sendo rechaçadas e desrespeitadas em seu ambiente de trabalho, deram um show de inteligência, humanidade e talento, deixando os homens brancos muito atrás.

Sendo assim, nada mais justo do que falar sobre as protagonistas dessa fantástica história.

1) Katherine Johnson

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Katherine Johnson e Taraji P. Henson

Katherine (Taraji P. Henson) é a gênia da matemática, não sendo à toa que ela foi convocada para trabalhar num setor onde só homens brancos trabalhavam e teve de enfrentar todo o desprezo, machismo e racismo dos colegas de trabalho, para finalmente provar sua capacidade intelectual.

É incrível a força dessa mulher e como ela consegue silenciar todos a sua volta, através do seu talento e coragem. Além disso, é de chocar as atitudes dos homens e, também, das mulheres brancas, que insistiam em impor a sua falsa superioridade.

É doloroso assistir as cenas em que a personagem é obrigada a mudar de prédio para ir no banheiro feminino de “pessoas de cor” ou tomar café em uma cafeteira exclusiva, também para “pessoas de cor”.

No entanto, Katherine dá um show de habilidade e deixa todos seus colegas com inveja, quando, graças a ela, a disputa espacial vira a favor de seu país. Assim como eu digo que a escrita é minha grande aliada, é possível perceber que os números são os aliados de Katherine, pois, como ela mesma diz: “Números não mentem!”

 2) Dorothy Vaughan

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Dorothy Vaughan e Octavia Spencer

Dorothy é a líder das mulheres negras matemáticas e, mesmo tendo que lutar a todo instante para assumir o cargo de supervisora, ao qual relutam muito para nomeá-la, consegue mostrar seu dom para liderar um time com tamanha maestria.

Além disso, é emocionante a forma como ela não desiste de sua ascensão no trabalho e é desgastante assistir as sequências em que Dorothy é desmotivada e deixada de lado pela secretária Vivian Michael (Kristen Dunst), enquanto tudo o que ela quer é assumir o cargo de supervisora, ao qual já era seu por direito.

Todavia, quando a gente vê nossa heroína incentivando sua equipe e decodificando as novas máquinas da NASA, dá vontade de gritar e pular, de tanta alegria e admiração por ela. Assim, Dorothy se tornou a primeira supervisora mulher e negra da história da NASA.

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Vivian e Dorothy.

3) Mary Jackson (Janelle Monáe)

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Janelle Monáe e Mary Jackson

Mary se consagrou como a primeira engenheira negra da NASA e teve um papel muito importante, não só na história da corrida espacial, como na história da vida acadêmica dos EUA, pois ela conquistou o direito de se tornar estudante de engenharia e foi a primeira mulher negra a conquistar o posto.

Apesar de aparecer menos que as outras personagens, sua narrativa é maravilhosa e seu jeito decidido a torna muito especial. O filme começa com as três mulheres consertando o carro enguiçado e sendo abordadas por um policial branco e, ao explicarem a situação, nos divertirmos com a cena em que Mary dirige o carro e “persegue” o policial, já que, até então, o “vilão” e “bandido” era ele com todo o seu machismo e racismo.

Ademais, uma das melhoras falas do roteiro, é quando Mary é questionada caso fosse um homem branco, se ela gostaria de se tornar engenheiro e ela responde “Se eu eu fosse um homem branco eu não precisaria me tornar, eu já seria um engenheiro.”

E o quê é possível aprender com essa obra cinematográfica e trazer para os dias atuais?

Infelizmente, não é difícil entender o porquê só agora essa história foi divulgada com tamanha proporção. Vivemos num mundo que, ainda, é extremamente machista e racista, especialmente na área científica e acadêmica, não sendo à toa que, na época de escola, quase não ouvimos ou nunca ouvimos falar de mulheres na área de engenharia, ciência, pesquisa, etc.

Isso é lamentável e é necessária uma mudança urgente e fica evidente o quão importante é a luta da igualdade de gênero e a luta contra a segregação racial. Como não vivo a questão racial na pele, estou longe de falar pelas mulheres negras, mas,  aprendo como ouvinte e apoio o feminismo de todas as mulheres e torço para que mais Katherines, Dorothys e Marys apareçam na vida real e na ficção.

Amei o filme e mais ainda em saber que essa história foi baseada em fatos reais e enfatiso o quão importante é representatividade e diversidade no meio cinematográfico. Como foi mostrado no site geledes.org.br, no texto Heroínas de ‘Estrelas além do tempo’ inspiram garotas em trabalho de escola nos EUA, com histórias assim, meninas podem se inspirar e aspirar por um futuro tão brilhante quanto.

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Ambrielle-Baker Rogers, Morgan Coleman e Miah Bell-Olson

Sendo assim, aconselho essa produção porque ela está incrível, muito bem escrita e dirigida, com atrizes maravilhosas no elenco, além de dar uma fantástica aula de história, ao qual nunca teríamos na sala de aula normal.

BÔNUS DO DIA

Já que estamos perto do Oscar 2017, não posso deixar de falar que Estrelas Além do Tempo está concorrendo nas categorias de Melhor Filme, Roteiro Adaptado e Atriz Coadjuvante e, é o único filme a concorrer Melhor Roteiro Adaptado escrito por uma mulher, Allison Schroeder, junto de Theodore Melfi.

Infelizmente, não foi nesse ano em que vimos mais mulheres concorrendo nas categorias de Roteiro e Direção, mas, fico na torcida por Allison Schroeder.

BIBLIOGRAFIA

IMDB. Estrelas Além do Tempo. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4846340/?ref_=nv_sr_1&gt;. Acesso em: 09 de ef. 2017.

GELEDES. Heroínas de Estrelas Além do Tempo inspiram garotas em trabalho de escola nos EUA. 2016. Disponível em: <http://www.geledes.org.br/heroinas-de-estrelas-alem-do-tempo-inspiram-garotas-em-trabalho-de-escola-nos-eua/#gs.OHUiTXc&gt;. Acesso em: 09 de fev. 2017.

Moonlight: Sob a Luz do Luar

Ainda na maratona do Oscar 2017, decidi que estava mais do que na hora de falar sobre o filme Moonlight: Sob a Luz do Luar, pois ele está concorrendo na categoria de Melhor Filme e, ao meu ver, este realmente foi o MELHOR FILME de 2016.

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Filme escrito e dirigido por Barry Jenkins.

Sinopse: Moonlight narra a vida de um jovem negro desde a infância até a idade adulta, em que luta para encontrar seu lugar no mundo enquanto cresce em um bairro violento de Miami.

O filme é divido em três partes: Little, Chiron, Black. Inclusive, é possível notar esta divisão no poster do filme, aonde vemos os três rostos de Chiron, nas distintas etapas de vida – infância, adolescência e vida adulta. Sendo assim, falarei de cada fase, separadamente, sem dar spoilers*.

1) Parte 1: Little

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Alex R. Hibbert como Little.

Na primeira parte do filme somos apresentados a Chiron, mais conhecido como Little (Alex R. Hibbert), um menino de mais ou menos 9 anos de idade, bastante tímido e fechado. O ponto principal dessa fase é mostrar os dois temas que serão trabalhados no longa-metragem: machismo e homofobia.

Little tem uma relação difícil com sua mãe, Paula (Naomie Harris), pois esta é viciada em drogas e, ao mesmo tempo em que quer cuidar do filho, acaba não sabendo exercer o papel de mãe e sempre perde sua batalha para as drogas. Eu falo melhor dessa personagem no texto Oscar 2017: Melhor Atriz Coadjuvante.

Além disso, Little sofre bullying de seus “colegas” porque eles o consideram afeminado, sendo Kevin (Jaden Piner) o seu único amigo. Em uma de suas fugas, parar tentar escapar da violência dos meninos do bairro, Little se esconde em uma casa abandonada e conhece Juan (Mahershala Ali).

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Little e Juan.

Juan exerce o papel de amigo e mentor, sendo ele e sua namorada, Teresa (Janelle Monáe), os únicos a conversarem com Little e explicarem sobre homosexualidade. Aliás, essa parte do filme é bastante forte, até porque, inclusive a mãe do protagonista é homofóbica e isso se torna um peso muito grande na jornada do nosso herói.

ALERTA MINI SPOILER – que não afetará muito aos que ainda não viram o filme- : uma das cenas mais marcantes e arrepiantes da parte 1 é quando Little pergunta para Juan “Eu sou gay?” e este responde “Não sei, mas você descobrirá um dia.”

2) Parte 2: Chiron

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Ashton Sanders como Chiron.

No segundo capítulo vemos a adolescência de Chiron, fase em que este começa a responder aos estímulos do machismo e, também, se permite explorar sua sexualidade.

Chiron é um menino muito doce e carinhoso com sua mãe, que ainda é viciada em drogas. Além disso, ele continua não tendo muitos amigos e interage pouco com as pessoas de sua escola, porém, Kevin (Jharrel Jerome), seu amigo de infância, continua sendo o único menino que conversa com Chiron.

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Kevin e Chiron.

O roteiro nos mostra todo o machismo que está impregnado em nossa sociedade, desde a época de escola. Infelizmente, o bullying piora e Chiron tem de lidar com o preconceito dos rapazes de seu colégio, além de lidar com a própria dificuldade em se achar no mundo.

As primeiras duas divisões deste projeto me lembraram o documentátrio The Mask You Live In, que mostra como os meninos/homens lidam com o machismo, ao qual o Projeto Nellie Bly fala no texto A máscara que os meninos usam.

3) Parte 3: Black

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Trevante Rhodes como Black.

No último capítulo vemos toda a trasformação do pequeno Chiron, agora conhecido como Black, um homem musculoso e alto, mas, que mantém o jeito tímido e doce de ser.

É incrível ver como os preconceitos da sociedade mudam uma pessoa por completo e a narrativa de Moonlight faz isso de uma forma brilhante. Eu me emocionei em todas as etapas da trama e senti as dores do protagonista, que é sempre rechaçado e humilhado pelos outros, por fugir das normas da masculinidade.

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Black.

Chiron volta a sua cidade natal e reencontra Kevin, pessoa ao qual tem uma grande conexão, além de lidar com sua mãe, agora disposta a se livrar das drogas e tentando se reconectar com o filho.

Este filme é um alerta para todos nós, que lidamos com as dificuldades da vida e com os preconceitos do mundo, mas, como somos nós mesmos que perpetuamos esses preconceitos e esteriótipos. Enquanto o menino afeminado for um problema ou o menino tímido que não reage numa luta for humilhado e instigado a se tornar violento e opressor, estaremos dando um tiro no pé e prejudicando nosso próprio caminho como seres humanos.

É preciso, a todo o instante, falar e enfrentar o machismo e a homofobia que nos cerca, para que Chirons tenham o direito de crescer, sem medo de se amarem e se apresentarem ao mundo.

Sendo assim, para quem ainda não assistiu Moonlight, por favor, ASSISTA. Esse filme é uma obra-prima e relata assuntos tão importantes, emocionando e nos fazendo questionar até onde podemos e devemos mudar o jeito que lidamos com crianças que fogem dos padrões absurdos que, infelizmente, rodeiam nossa cultura. É uma história de autodescoberta, conexão e pertencimento ao mundo, sendo impossível não se identificar e ter empatia por Chiron.

Trailer legendado do filme.

BÔNUS DO DIA

Continuando o bolão Oscar 2017, eis meu palpite sobre a categoria Melhor Filme.

  1. Quem eu acho que vai ganhar: La La Land.
  2. Quem eu gostaria que ganhasse: Moonlight: Sob a Luz do Luar ou Estrelas Além do Tempo.

E você, qual filme acha que vai ganhar?

*spoileré quando algum site ou alguém revela fatos a respeito do conteúdo de determinado livro, filme, série ou jogo. O termo vem do inglês, mais precisamente está relacionado ao verbo “To Spoil”, que significa estragar.

BIBLIOGRAFIA:

IMDB. Moonlight: Sob a Luz do Luar. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4975722/>. Acesso em: 07 de fev. 2017.

WIKIPEDIA.Moonlight. 2016. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Moonlight_(2016_film)&gt;. Acesso em: 07 de fev. 2017.

La La Land: Cantando estações | Resenha

La La Land: Cantando estações é o favorito a levar o Oscar de Melhor Filme em 2017. Além disso, está concorrendo em outras 12 categorias: Melhor Direção, Melhor Atriz (como fora mencionado na resenha de Louise Smith aqui no Projeto Nellie Bly), Melhor Ator, Fotografia, Mixagem de Som, Figurino, Edição de Som, Direção de Arte, Trilha Sonora, Canção Original – para duas músicas: Audition (The fools who dream) City of Stars -, Roteiro Original, e Edição.

A história é muito simples. Sebastian é um pianista que sonha em abrir um clube de jazz em Los Angeles. Mia é uma atriz, buscando sua grande chance de brilhar nos filmes de Hollywood. Antes de se conhecerem, vemos como é difícil essa jornada, mas, uma vez que se unem, um dá força ao outro para que ambos arregacem as mangas, façam sacrifícios e lutem por seus sonhos, vencendo cada meta, dando um passo de cada vez.

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Me senti exatamente assim assistindo ao filme. É apaixonante!

No entanto, a forma como os sonhos são realizados não é nada simples. Tampouco as consequências do que é preciso abrir mão para torná-los reais. Com La La Land, você aprende que os sonhos custam um preço. É preciso decidir se você tem a garra necessária para ir atrás deles, independentemente do que possa lhe custar. Dessa forma, no fim do filme – e este não é um spoiler do que acontece com os personagens, mas é um spoiler de como você possivelmente vai se sentir -, você entende que tornar os sonhos reais não significa alcançar uma vida perfeita, tampouco ter chegado ao fim. E o que mais gosto é da sensação que paira no ar. A conquista de um objetivo não é o fim. É apenas um virar de páginas.

A magia do Cinema está presente em cada segundo que você perde seu fôlego assistindo a La La Land, em cada vez que você pisca e teme ter perdido um brilho no olhar de Ryan Gosling ou uma expressão de angústia estampada no rosto da sonhadora Mia (Emma Stone).

Por isso, é um musical feito para os apaixonados por Cinema. Não estou me referindo aos blockbusters de hoje em dia. Estou falando sobre o Cinema de Audrey Hepburn, Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor.

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Quem mais pegou a referência a essa cena em La La Land?

 

Tudo isso sem contar as diversas referências a filmes que marcaram a história do Cinema e, possivelmente, as vidas de milhares de pessoas (estou claramente me incluindo neste grupo de pessoas). Como uma grande fã de Audrey Hepburn, soltei um suspiro ao ver uma referência à cena de Cinderela em Paris, quando Audrey segura vários balões coloridos.

No entanto, se você não gosta de jazz, sonhos, cores vibrantes, ou esperança, certamente este não é um título que lhe diga respeito. La La Land é para os que enxergam, nos sonhos, objetivos, porque eles não são feitos para serem deixados guardados em gavetas. Sonhos são feitos para serem vividos. E o objetivo da vida é justamente ir atrás deles.

Oscar 2017: Melhor Atriz Coadjuvante

No último texto eu falei sobre a premiação do Oscar e a categoria de Melhor Atriz. Agora, o Projeto Nellie Bly irá falar sobre as Maravilhosas Mulheres que concorrem ao prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante.

E são elas:

1) Viola Davis por Cercas

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Roteiro de August Wilson (baseado em sua peça teatral “Cercas”) e direção de Denzel Washington. 

Sinopse*: Como Rose Maxson, Viola Davis interpreta uma esposa e mãe dedicada que tenta defender e incentivar as ambições de seu filho do menosprezo de seu marido.

Vamos começar falando sobre o recorde dessa diva do cinema e da televisão, chamada Viola Davis. Com sua terceira nomeação ao Oscar, Viola é a primeira mulher negra a receber três indicações ao prêmio. Infelizmente, isso só ocorreu em 2017, mas, felizmente, pra mim, é o começo de muitos recordes maravilhosos que estão por vir.

Então, vamos a Vossa Majestade!

Apesar de não ter me apaixonado pelo roteiro, visto que o considerei machista e misógino, o que eu costumo chamar de filme de “homem para homem*“, não posso negar que Viola se destaca e nos arrepia com tamanha performance no papel de Rose.

O filme é baseado numa peça teatral de mesmo nome, sendo assim, algo que me incomodou no longa é que ele permaneceu com o estilo teatral e a história se passa, quase toda, dentro da casa de Rose e Troy Maxson (Denzel Washington). Além disso, o roteiro tem diálogos em excesso, no entanto, as falas de Rose são simplesmente incríveis. Amo e admiro muito o jeito de ela enfrentar seu marido em defesa do filho e como esta engoliu muitas mágoas em prol do amor.

A melhores sequências, na minha opinião, são as cenas em que ela se opõe ao marido e as que interage com o filho e o cunhado. Me emocionei muito com a história de vida de Rose, além de me doer por todas as tragédias que ela vive e, como de costume, me impressionei com o talento de Viola. É como se ela vestisse a máscara da personagem e enfrentasse todos os problemas desta, como se fosse dela própria.

Ademais, também não posso deixar de notar que o filme segue o ponto de vista de um homem negro nos EUA, na década de 1950, e isso é digno de aplausos, visto que estamos cansados de histórias pela visão de mundo de homens brancos. Mas, ainda é preciso pontuar o machismo em cima da personagem Rose e na falta de outros personagens femininos com destaque.

Assim, apesar de não entender o motivo de Viola Davis estar concorrendo como Atriz Coadjuvante, ao invés de Melhor Atriz – ela é a única mulher com história e, ao meu ver, também é protagonista – acredito que a atriz seja a favorita do ano e, caso ela ganhe, ficarei muito feliz e aguardarei seus próximos recordes e nomeações em futuros trabalhos.

2) Naomie Harris por Moonlight: Sob a Luz do Luar

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Roteiro e direção de Barry Jenkins.

Sinopse: Naomie Harris interpreta Paula, uma mulher cujo o vício nas drogas aliena e afasta seu filho pequeno, mesmo com ela tentando se reconciliar com a criança.

MELHOR FILME! MELHOR FILME! MELHOR FILME! Desculpe a empolgação, mas, já te falei que Moonlight é o MELHOR FILME de 2016?

Acho que deixei claro o meu longa-metragem favorito dos indicados na categoria de Melhor Filme, porém, vamos a Naomie.

É difícil falar dessa performance sem mencionar a transformação da personagem ao longo das três fases do filme. O roteiro foi divido na infância, adolescência e vida adulta de um menino negro nas vizinhanças de Miami e, sua mãe, Paula, vive numa montanha-russa de dias bons, ruins e péssimos.

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Naomie Harris como Paula.

Naomie interpreta uma mãe jovem e solteira, de um menino que sofre com o machismo e homofobia do lugar em que vive, além de ser viciada em drogas pesadas, que a deixam fora do ar o tempo todo. Em algumas cenas, vemos Paula sem o efeito das drogas, mas, na maior parte, ela se entrega ao vício e a personagem nos impressiona, com tamanha performance e veracidade em sua luta contra o vício e a tentativa frustrada de ser mãe.

Viola que não me escute, mas, nesse ano, minha torcida vai para Naomie porque ela está uma potência de atriz. Ao mesmo tempo em que temos “raiva” dela, a gente torce para que ela se livre de seus problemas e consiga equilibrar sua vida pessoal, trabalho e família. Esse projeto me surpreendeu de todas as formas, não sendo diferente com a narrativa desta personagem.

Assim, como o filme está muito bem representado, acredito que Naomie Harris será uma concorrente e tanto para Viola e, independente de qual das duas ganhar, estarei comemorando, feliz da vida.

3) Nicole Kidman por Lion: Uma jornada para casa

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Escrito por Luke Davies e dirigido por Garth Davis.

Sinopse: Como Sue Brierley, Nicole Kidman retrata uma mulher australiana que apóia os esforços de seu filho adotivo para localizar sua família biológica na Índia, de quem ele foi separado ainda quando criança.

Esse filme foi baseado numa história real e é absurdamente lindo! Eu esperava algo completamente diferente e levei um susto com esse amorzinho em forma de sétima arte.

Nicole Kidman está IGUAL a verdadeira Sue, inclusive ela também é australiana, então acho que foi uma excelente escolha para o papel. Além disso, acredito que esse personagem foge de tudo o que estamos acostumados a assistir com Nicole, então, sim, ela está surpreendente. É possível sentir o amor materno dela e, ainda, sua dor ao ver seus dois filhos adotivos sofrerem, por motivos distintos, enquanto ela não pode fazer muita coisa.

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No entanto, não entendi muito bem as nomeações deste projeto, pois, apesar de ter amado o filme e me emocionado com as atuações, eu senti que as indicações foram exageradas. Como Sue, Kidman realmente está impressionante, porém, ela mal aparece e, sinceramente, Priyanka Bose me surpreendeu muito mais ao interpretar Kamla.

Assim, não acredito que ela levará o prêmio e, por mais que eu admire os trabalhos de Nicole Kidman, ficarei um pouco decepcionada caso ela ganhe. No demais, todo mundo precisa ver Lion porque é uma história de vida linda, de amor, família e, talvez, para os “românticos” de plantão, também é sobre destino.

4) Octavia Spencer por Estrelas Além do Tempo

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Escrito por Allison Schroeder e Theodoro Melfi, que também é o diretor do filme.

Sinopse: Como Dorothy Vaughan, Octavia Spencer desempenha o papel da líder de uma equipe de mulheres afro-descendentes, conhecidas como “computadores humanos”, que contribuem para o sucesso da NASA no início dos anos 1960.

SEGUNDO MELHOR FILME! SEGUNDO MELHOR FILME! SIM, Estrelas Além do Tempo é um dos MELHORES FILMES de 2016, SEM DÚVIDAS!

O que é esse filme, essa história, esse TAPA na cara da sociedade? Como está escrito no cartaz “As mulheres que você não conhece, por trás da história que você conhece.” Como eu amei esse filme e precisamos falar do porquê, só em 2017, ouvimos falar sobre as mulheres negras da NASA, em breve farei uma resenha exclusiva do filme. Por hoje, falarei da linda, amada, do amorzinho dos amorzinhos, Octavia Spencer.

Para mim, Taraji P. Henson também deveria estar entre as nomeadas, mas, não entrarei em detalhes. Octavia como Dorothy está incrível e não teve um momento no filme, em que eu não tenha me emocionado e chorado, com tamanha história e performance.

Amei tudo, ainda mais o fato de que já estava mais do que na hora de roteiros assim serem produzidos. Que soco no estômago do machismo e racismo de nossa sociedade! Quando que iríamos ouvir falar dessas três mulheres incríveis na escola? Provavelmente nunca, ou não tão cedo. É por isso que eu amo o Cinema, pois ele também abre espaço pra histórias reais serem espalhadas mundo afora.

Já deixei claro que sou fã de filmes baseados em fatos reais, ainda mais quando vemos a foto da pessoa na vida real ao final do filme. Dorothy foi uma grande líder e, sinceramente, ela deu um banho de poder e inteligência em cima dos “machos” cientistas. Não consigo com essa mulher poderosa, é muito amor!

Assim, eu me surpreendi demais com o roteiro, com a direção, com a produção e, claro, com as atrizes desse longa-metragem. Com isso, fico na torcida por Octavia, que, mesmo não sendo minha preferida do ano, caso ganhe, me deixará muito contente e orgulhosa.

5) Michelle Williams por Manchester à Beira-Mar

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Roteiro e direção de Kenneth Lonergan.

Sinopse: Michelle Williams interpreta Randi Chandler, uma mulher que tenta reiniciar sua vida com uma nova família, enquanto também espera fazer as pazes com seu ex-marido em luto.

Filme polêmico, com ator acusado de assédio e que, honestamente, não é essa obra prima que a crítica está falando. No entanto, minha intenção é dar destaque para as mulheres e seus trabalhos e isso não será diferente com Michelle Williams.

Este é outro filme que eu considero de “homem para homem”, em que a violência e agressão parece ser resposta para tudo, mas, que tem personagens como Randi Chandler, que quebram essa “masculinidade” toda e nos trazem um lado mais humano e associável.

A história desta personagem é bastante pesada, pois ela sofre uma perda muito grande, devido um acidente e, agora, ela tem que seguir em frente e perdoar o ex-marido pelo ocorrido. Não é fácil lidar com a situação e a atriz passa muito bem essa dor da perda e a dificuldade em continuar sua vida, sendo, sem sombra de dúvidas, a melhor performance dessa produção. Posso dizer que, além de Michelle, o ator que interpreta o Patrick jovem (Lucas Hedges) também surpreende muito.

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“Michelle Williams está brilhante! Maravilhosa! Pode muito bem receber sua quarta nomeação ao Oscar.”

Eu sempre me emociono e me sensibilizo quando uma personagem passa por uma tragédia tão grande quanto esta, ainda mais por um descuido “bobo”. O roteiro intercala entre o passado e presente e, às vezes, fica difícil de acompanhar a linha narrativa, mas, quando entendemos tudo o que aconteceu, é possível se identificar melhor e ter empatia pela Randi e outros personagens.

Assim, acredito que a atriz não será a grande vencedora, mas admito que ela está incrível no papel e, caso ganhe, será uma boa surpresa. No entanto, no que diz respeito ao seu parceiro de cena, continuo achando que ele não devia ser nomeado, muito menos premiado e fico na torcida para que ele perca e pague por seus crimes. Caso tenha interesse em saber do que estou falando, leia o texto Oscar 2017:os recordes como uma passo para a Diversidade, pois explico o ocorrido na parte final.

BÔNUS DO DIA

Vamos ao bolão do Oscar 2017 na categoria Melhor Atriz Coadjuvante:

  1. Quem eu acho que vai ganhar: Viola Davis.
  2. Quem eu gostaria que ganhasse: Naomie Harris ou Viola Davis.

E vocês, quais são suas apostas?

*Sinopse: no caso, as sinopses descritas seguem a linha narrativa das personagens coadjuvantes.

*homem para homem: eu uso este termo para me referir aos filmes que representam masculinidade como violência e contam histórias com cunho machista e misógino.

BIBLIOGRAFIA:

IMDB. Cercas. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt2671706/&gt;. Acesso em: 01 de fev. 2017.

IMDB. Estrelas Além do Tempo. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4846340/?ref_=fn_al_tt_1&gt;. Acesso em: 01 de fev. 2017.

IMDB. Lion: Uma jornada para casa. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt3741834/?ref_=nv_sr_1&gt;. Acesso em: 01 de fev. 2017.

IMDB. Manchester à Beira-Mar. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4034228/?ref_=fn_al_tt_4&gt;. Acesso em: 01 de fev. 2017.

IMDB. Moonlight: Sob a Luz do Luar. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4975722/?ref_=nv_sr_1&gt;. Acesso em: 01 de fev. 2017.

THEOSCARS. Actress in a supporting role nominations 2017 Oscars. 2017. Disponível em: <http://oscar.go.com/news/nominations/best-supporting-actress-nominations-2017-oscars&gt;. Acesso em: 01 de fev. 2017.

Oscar 2017: Melhor Atriz

A grande premiação do Oscar 2017 será no dia 26 de fevereiro e como neste ano ocorreram mudanças positivas, ainda que poucas, sobre as quais eu falo no texto Oscar 2017: os recordes como um passo para a Diversidade, eu decidi fazer uma análise do trabalho das Maravilhosas Mulheres que estão concorrendo ao prêmio.

Nesse primeiro texto falarei das performances das atrizes indicadas na categoria de Melhor Atriz.

1) Isabelle Huppert por Elle

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Escrito por David Birke e dirigido por Paul Verhoeven.

Sinopse*: Como Michèle, Isabelle Huppert interpreta uma CEO bem sucedida que se recusa a ir à polícia quando é estuprada em sua casa e decide encontrar o crimonoso por conta própria.

Esse filme me deixou um pouco dividida, pois, ao mesmo tempo em que achei a personagem principal incrível, me questionei bastante a respeito da trama. É difícil entender a relação que a protagonista tem com todos ao seu redor, mas, conseguimos entender seu jeito frio de ser.

Quando criança, Michèle sofreu um grande trauma, graças ao seu pai – quem ela repetidamente chama de monstro – e ficou conhecida como a “criança ensanguentada”.

A partir disso, entendemos o porquê da personagem não expressar qualquer tipo de emoção e, particularmente, achei que a atriz Isabelle Huppert fez isso majestosamente. É como se ela fosse um “robô” – ou alguém extremamente frígido- na maior parte do tempo, porém, nas poucas vezes em que expressa sentimentos, o público sente sua dor, especialmente na cena em que ela é violentada.

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“Não dá para inventar isso.”

Apesar de questionar um pouco o roteiro, pois muitas das cenas e diálogos não me agradaram, eu gostei de ela estar decidida a se vingar do homem que invadiu sua casa e abusou dela. Aliás, eu adorei o fato de que esta heroína não precisa e não aceita a ajuda de ninguém, até mesmo em casos extremos. Não que esta fosse a melhor opção, no entanto, é raro vermos um personagem feminino agir dessa maneira e isso chamou minha atenção. Também achei maravilhoso que ela é presidente de uma empresa de jogos de videogame, um mundo que, normalmente, é dominado pelo homens.

Assim, acredito que Isabelle fez uma excelente performance e é, sem dúvida, o melhor do filme. Além disso, acompanhamos sua história sem que os homens roubem a cena, algo que costuma acontecer quando o roteiro é escrito por um homem, mas, felizmente, não foi o caso. Acredito que ela é uma das mais cotadas a ganhar o prêmio, visto que ela já conquistou o Globo de Ouro 2017 pelo mesmo papel e seria uma ótima escolha da Academia.

2) Ruth Negga por Loving

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Filme escrito e dirigigo por Jeff Nichols.

Sinopse: Ruth Negga é Mildred, uma mulher afrodescendente, cujo amor por Richard, seu marido branco, acaba mudando leis que proibem casamentos interraciais nos Estados Unidos.

E O Oscar Vai Para…

Sim, admito que estou na torcida por Ruth Negga. A história do filme é baseada em fatos reais e, Mildred é uma protagonista extraordinária. Numa época em que o racismo era extremo e violento nos EUA, é lindo ver um casal como Mildred e Richard (Joel Edgerton) que usa o amor de um pelo outro como arma contra o preconceito cego da sociedade.

A personagem de Ruth é tímida, carismática e, apesar de ser frágil, se mostra mais poderosa e corajosa do que qualquer um que já conhecemos. É doloroso e sofrido assistir ao filme, no entanto, também é emocionante e cativante, pois o longa nos faz refletir até onde os preconceitos do nosso dia a dia pode nos levar e como estes são completamente massacrantes e desumanos.

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Mildred (Ruth Negga) e Richard (Joel Edgerton).

Me emocionei do começo ao fim com Mildred e achei a química dos atores maravilhosa. Adoro filmes que contam histórias verídicas, porque, normalmente, eles nos dão um show de ensinamentos e humanidade. Me arrepiei com todas as cenas da protagonista e, como esta, conseguiu ser firme com seus desejos e vontades, sem ceder ao ódio e preconceito dos outros.

Assim, ao meu ver, Ruth foi uma das maiores surpresas de 2016 e, com certeza, é minha favorita nessa disputa. Além de que, está mais do que na hora de uma atriz negra ganhar o Oscar de Melhor Atriz, já que nos últimos anos, somente mulheres brancas venceram. Tomara que 2017 faça jus a isso!

3) Emma Stone por La La Land

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Escrito e dirigido por Damien Chazelle.

Sinopse: Emma Stone interpreta Mia, uma aspirante a atriz que tenta equilibrar seu amor por um pianista de jazz com suas tentativas de encontrar seu próprio caminho para o sucesso.

Para quem acompanha a carreira da atriz deve ter se surpreendido bastante com a mudança e o desenvolvimento de seus personagens, esta que alavancou sua carreira como Olive em “A Mentira” (2010) e, agora, nos emociona do começo ao fim em La La Land.

Admito que o filme não me conquistou inicialmente e tampouco entendi o “medo” dos produtores em acharem que este filme não faria sucesso de bilheteria. No entanto, quando me deparei com a narrativa de uma sonhadora, assim como eu, buscando uma chance de mostrar seu talento, mudei de ideia e me apaixonei pela protagonista.

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Não é fácil!

Mia mora em Los Angeles e busca uma chance na carreira de atriz, mas, vive uma decepção atrás da outra. Senti todas as suas dores como se fossem minhas, tanto para conseguir uma chance na profissão, quanto para manter o amor de sua vida. Adorei o fato de que ela e suas amigas são próximas e se ajudam muito, pois, normalmente, Hollywood adora colocar mulheres como rivais, porém, fiquei triste que estas amizades pouco aparecem. Ainda achei o amor do casal sincero e real, inclusive com o desfecho que teve.

Mesmo sendo um musical que mantém o estilo clássico desse gênero, o roteiro consegue inovar e trazer uma protagonista encantadora e associável com qualquer pessoa que tem um grande sonho.

Assim, apesar de adorar os trabalhos da Emma e ter me encantado com o filme, questiono um pouco essa nomeação, mas, não ficarei decepcionada caso ela ganhe. Estou sempre na torcida, ainda mais por personagens tão parecidos comigo.

4) Natalie Portman por Jackie

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Filme escrito por Noah Oppenheim e dirigido por Pablo Larraín.

Sinopse: Como Jackie Kennedy, Natalie Portman retrata a primeira dama aflita e bastante reclusa com assuntos pessoais, que procura garantir o legado de seu falecido marido – e o seu próprio – após o assassinato deste.

Ao assistir 30 segundos de uma entrevista com a verdadeira Jackie Kennedy fiquei pasma com tamanha semelhança à Jackie da Natalie Portman. É impressionante como os trejeitos e o modo delicado de falar estão parecidos.

Sendo bem sincera, não fui fã do filme, pois a protagonista é silenciada o tempo todo e por mais que ela tente fazer uma homenagem ao marido assassinado, parece que todos querem se livrar dela, inclusive o diretor do filme. Esperei uma história mais cativante e emocionante, porém, fiquei a ver navios*.

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Jacqueline Kennedy e Natalie Portman.

Entretanto, Natalie está maravilhosa no papel, inclusive, até mesmo o jeito de rir está parecido com o de Jackie Kennedy. Apesar de achar que o roteirista e diretor pecaram feio na trama, em dar pouca margem ao desenvolvimento da história e da personagem, a atriz entrou por completo na vida de sua personagem e deu um show de interpretação.

Assim, acredito que Portman teve a melhor performance no filme, não sendo à toa sua nomeação. Não ficarei surpresa caso ela ganhe, porém, acredito que ela não esteja entre as favoritas deste ano.

5) Meryl Streep por Florence: Quem é essa mulher?

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Roteiro de Nicholas Martin e direção de Stephen Frears.

Sinopse: Meryl Streep interpreta Florence Foster Jenkins, uma herdeira rica cujo entusiasmo por cantar é tão nítido que – apesar de sua falta de talento – ela decide dar um concerto no Carnegie Hall.

Gente, vamos ser sinceros?

Todas as premiações cinematográficas deveriam ter a categoria Prêmio Meryl Streep. Convenhamos que essa mulher é maravilhosa e sempre surpreende, então, seria mais fácil ter um prêmio exclusivo pra ela, pois faria todo o sentido.

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Meryl Streep poderia interpretar o Batman e ser a melhor escolha. Ela é perfeição!
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Meryl concorda.

Quando ouvi falar do longa não dei muito atenção pra sinopse, mas, claro, como tinha Meryl, animei de assistir. A partir disso, mudei completamente minha visão sobre o projeto, pois me diverti muito com a trama e, principalmente, com Meryl, que dá um show de “horrores” ao cantar mal e desafinar, assim como a verdadeira Florence.

O filme é baseado numa fantástica história real, em que nos deparamos com a força de vontade de Florence, uma mulher apaixonada pela música. Mesmo sem ser apoiada pelas pessoas, com exceção do seu segundo marido, St Clair Bayfield (Hugh Grant), a protagonista está decidida a cantar profissionalmente e o faz, conquistando muitos fãs em New York.

É impossível ver o filme sem rir e chorar com Meryl no papel de Florence. A protagonista não canta bem, mas ela sonha tanto com isso, que você torce junto dela, para que ela realize seu maior sonho. Ademais, este longa só comprova que Meryl é um furacão! Ela pode interpretar uma máquinha de café quebrada e concorrer ao Oscar, porque ela provavelmente estará maravilhosa e não foi diferente com Florence.

Assim, acredito que a atriz não levará o prêmio, até porque, senhoras e senhores, ela não precisa, mas, a indicação fez muito sentido, visto que este personagem foge de tudo o que ela já interpretou e Meryl transborda talento (ou “falta” de talento) com a personagem.

BÔNUS DO DIA

Como eu não poderia deixar de entrar no “bolão 2017”, eis minhas previsões do OSCAR.

  1. Quem eu acho que irá ganhar: Isabelle Huppert ou Emma Stone.
  2. Quem eu gostaria que ganhasse: Ruth Negga.

E vocês, quais suas apostas no bolão do Oscar 2017 e para quem estão torcendo?

*Sinopse: no caso, todas as sinopses descritas seguem a linha narrativa da personagem principal.

*Fiquei a ver navios: é uma expressão popular da língua portuguesa que significa ser enganado, ludibriado, ver suas expectativas serem frustradas e ficar desiludido.

BIBLIOGRAFIA:

IMDB. Elle. 2016.Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt3716530/&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

IMDB. Florence: Quem é essa mulher? 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4136084/?ref_=nv_sr_1&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

IMDB. Jackie. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt1619029/?ref_=fn_al_tt_1&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

IMDB. La La Land. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt3783958/?ref_=nv_sr_1&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

IMDB. Loving. 2016.Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4669986/?ref_=fn_al_tt_1&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

THE OSCARS. Best Actress Nominations 2017 Oscars. 2017. Disponível em: <http://oscar.go.com/news/nominations/best-actress-nominations-2017-oscars&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.